
Em 2008, tudo era novo. Quem vinha não sabia exatamente como funcionava, quais eventos chamariam atenção, como seria a interação entre os campuseiros e até mesmo que seriam os presentes.
O cenário filtrou qualquer um ressabiado com a idéia de uma festa de uma semana centrada na internet e atraiu apenas os entusiastas, aqueles que, mesmo sem saber exatamente o que lhes esperava, vieram.
Em 2009, a figura mudou. E muito. O relativo sucesso da primeira edição da Campus Party Brasil abriu a porteira para que muitos se desarmassem e resolvessem visitar a edição deste ano. Popularizou-se.
A chegada de um novo perfil de usuário teve como consequência direta mudanças na maneira como os campuseiros de organizam ou até mesmo na elaboração de conteúdo, analisa Rogério de Paula, etnógrafo da Intel que vem usando a Campus Party para coletar dados para um estudo sobre como nativos digitais usam as novas ferramentas de comunicação nos estudos.
Nos 3 dias que vem passando no evento, Rogério diz já ter ouvido reclamações, por exemplo, de que palestras são exageradamente básicas para um público bastante experiente, citando um exemplo sobre primeiros passos em Python.
Ainda que o ambiente, mais amplo e não apenas um grande corredor como na Bienal, seja mais propício à interação, Rogério vê a formação prévia de grupos, que combinaram suas presenças no evento, como responsável também pela falta de mobilização.
Explica-se: em 2008, havia um clima de tensão constante pairando sobre a Campus Party, dada, principalmente, pela incerteza de todos os presentes sobre como rolariam os sete dias do evento.
Culpa ou não da falta de certeza sobre o evento, 2008 teve um número exageradamente maior de manifestações e mobilizações entres os campuseiros, como a trivial distribuição de abraços grátis ou a polêmica entre blogueiros e jornalistas.
Levando-se em conta que a Campus Party já está confirmada para 2010 e 2011, Rogério admite que este perfil de campuseiros longe do entusiasta deverá apenas se intensificar nos próximos anos. Isso implicaria em Campus Partys mornas?
"Os entusiastas (aqueles que estão desde a primeira) vão reagir. É um fenômeno natural da web - um fórum cresce interessante, se populariza e quem estava desde o começo não gosta e sai para criar outro mais reservado".
Com uma pequena diferença: criar um novo fórum não exige os 10 milhões de reais investidos tanto pela iniciativa privada como pelo governo.