Verdade seja dita. A área de Batismo Digital da Campus Party Brasil é amplamente utilizada para navegação livre dos transeuntes que visitam a área gratuita do encontro e já sabem mexer no PC.
A proposta, porém, é cumprida - mesmo com público menor do que para navegação em games e redes sociais. Com 54 anos de idade, José Claudio Martins usou um computador pela primeira vez ali, na área que se propôs a isso.
Em sua primeira navegação, com o auxílio de um monitor, Martins buscava informações sobre sua cidade natal - Nova Rezende, de Minas Gerais. Encontrou, no Google Maps, uma visão por satélite. Pouco familiarizado com o mouse, foi arrastando o mapa e seguindo a direção da estrada que parecia conhecer muito bem.
"Sempre vi computadores na casa de familiares, mas me sentia intimidado
a mexer nas coisas dos outros. Vai que estraga", confessa Martins.
Durante o batismo, os voluntários que auxiliam os novatos em tecnologia não tocam no mouse ou acessam softwares para o usuário. Tudo é feito por meio de instruções e estímulos para que o usuário 'se vire'.
O motorista Wilton Aparecido Neves, de 37 anos de idade, também foi batizado pela iniciativa de inclusão digital. Esta quarta-feira (21/01) foi sua segunda experiência no local.
"Ontem aprendi a navegar. Estou indo devagar, tenho dificuldade quando passo do ritmo que consigo aprender", conta. "Dá medo, né?", diz o goiano, sobre a sensação de chegar perto de um PC pela primeira vez.
A história de Neves é peculiar. Ele chegou na CPBr porque é motorista e dirige para uma excursão de campuseiros que vieram de Brasília. "A gente tá tudo na barraquinha, então venho aqui [no Batismo Digital] todo dia", afirma.
Entre as descobertas que a iniciativa proporciona, uma curiosa: "Você então pode me escrever de outro Estado!", diz Neves, compreendendo as possibilidades da internet.