
Você que lê ou atualiza blogs, possivelmente, não conhece Alex Primo e isso não muda absolutamente em nada a maneira como você vê ou utiliza a ferramenta. É uma pena.
O pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) está na linha de frente das pesquisas acadêmicas sobre blogs e redes de conhecimento no Brasil, junto a Raquel Recuero, pesquisadora da Universidade Católica de Pelotas - ambos foram contratados pelo Google para descobrir as razões do sucesso do Orkut no Brasil.
Sua presença na Campus Party Brasil 2009 para uma concorrida palestra ("fiquei surpreso pela quantidade de presentes", admite) sobre relevância da blogosfera brasileira reflete a preocupação do evento em dar voz também aos acadêmicos.
"O Brasil tem uma produção acadêmica sobre blogs de altíssima qualidade", defende, em algo que este blogueiro se surpreende. Então por que tão baixo interesse daqueles que leem ou produzem blogs?
"Os Estados Unidos têm uma produção de ponta. Mas, comparado a outros países, o Brasil tem ampla vantagem. O problema é que estamos escrevendo em português", o que dificultaria
A conversa se direciona para uma crescente atenção dada por jornalistas, publicitários, cientistas sociais e outros profissionais aos estudos formais sobre blogs e redes sociais.
Há algo que aproxima a academia com potencial da produção de blogs no Brasil: o tom altamente crítico e opinativo. Se a inclinação à opinião leva muitos leigos a darem pedradas em Primo pela suposta obviedade do que fala, ela também torna o ambiente acadêmico carente de dados.
Primo está por trás de um estudo feito pela UFRGS que analisou e classificou mais de 5,2 mil posts de 50 dos mais populares blogs feitos no Brasil. As análises embasam conclusões que nem sempre se aproximam da mentalidade geral sobre publicação de conteúdo original, jornalismo e referência.
Se você se interessa minimamente com o fenômeno dos blogs além da autoridade que o seu tem no Technorati, perca algumas horas lendo.
Repetindo o que já foi dito sobre danah boyd durante o Digital Age 2.0: num mercado em que qualquer um com um blog e uma conta no Facebook se apresenta como "especialista em mídia social", o trabalho de Primo é uma base sólida.
(a foto da palestra de Primo foi gentilmente cedida pela Patrícia Moura, que tem mais fotos no seu Flickr)