15 de Fevereiro de 2008

Steven Johnson, entre o barulho e o exibicionismo

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Steven Johnson é cara gente fina, já disse Juliano Spyer, responsável por ciceroneá-lo em sua visita ao Brasil, em seu blog. A palestra que deu nesta quinta na Campus Party Brasil, mudada do Campus Blog para o palco principal dada a procura, deu provas da afirmação de Spyer.

Mais magro que sugerem suas fotos de divulgação, Steven subiu ao palco com um humor imbatível - algo extremamente necessário para um evento onde um pesquisador de internet dá uma palestra ao lado de um campeonato de Street Fighter Alpha 3.

(Full disclosure: como viciado em Street Fighter, fiquei até satisfeito em poder acompanhar Steven falando e o telão com as lutas ao mesmo tempo. Egoísmo puro, admito)

Qualquer final de luta ou especial dado por um lutador era motivo pra uma explosão de alegria dos que acompanhavam o campeonato, enquanto um relaxado Johnson pontuava seu discurso com observações bem humoradas sobre a festa.

Johnson é importantíssimo no setor da academia que estuda sistemas dinâmicos telecomunicacionais (leia-se a internet), relacionando o papel de usuários como agentes independentes parte de um sistema gigantesco com formigueiros e colméias e as funções de formigas e abelhas na manutenção das atividades, idéia do seu seminal "Emergência - A vida conectada de formigas, cérebros, cidades e software", disponível em língua local fora dos Estados Unidos apenas no Brasil (!).

Em sua primeira visita ao Brasil, Johnson veio falar de dois livros seus lançados em português: De cabeça aberta: conhecendo o cérebro para entender a personalidade humana" e "O mapa fantasma: como a luta de dois homens contra o cólera mudou o destino de nossas metrópoles", concentrando-se no segundo.

A história de como a comunidade norte-americana descobriu as causas para impedir a proliferação da cólera a partir de dados oferecidos pelo Governo foi comparada com a atual ascensão de mapas online com a liberação de APIs do Google, Yahoo e Microsoft, num processo cotidiano hoje aplicado no século passado para resolver  um problema por meio da comunidade.

Johnson fala do livro, explica rapidamente o porquê da escolha da coléra como tema principal e abre para as perguntas - é aí que as expectativas são demolidas. Entre questões pouco entendíveis que transpiravam exibicionismo e dúvidas voltadas à neuroscientista Suzana Herculano sobre a comparação entre homens e símios.

No meio de ambos, sobrou a Johson pouco espaço para responder bem sobre assuntos que domina, sobre a evolução da internet ou mesmo a análise do conjunto de usuários para  a formação da internet como conhecemos hoje. Uma pena.

Publicado por Guilherme Felitti, às 12h44