De tão óbvia, a notícia virou piada na reunião de pauta do IDG Now! - a nota sobre jogadores se divertindo com Counter Strike na Campus Party Brasil semanas após a proibição de sua venda pela Justiça mineira já estava pronta e faltava apenas os nomes dos envolvidos.
Por mais irônico que seja, é verdade. Não é de surpreender ninguém que um evento de internet, cuja organização já malhou a proibição mas, sabiamente, decidiu acatar (decisão da Justiça se cumpre, não se discute), atrairia dezenas de jovens que, fissurados ou não, passariam algumas horas estourando miolos no game.
A dica estava dada quando o blog Just Plays anunciou um servidor aberto a partir das 21h da segunda para que qualquer um jogasse Counter Strike (conhecido pela sigla CS) livremente, com instruções para tal.
A contastação foi óbvia durante uma caminhada de poucos minutos entre gamers, que não se sentiam constrangidos ou mesmo coagidos a sugerirem um nome falso para evitar supostos problemas com a organização. O repórter vaga pelas fileiras, interpelando alguns gamers sobre seu gosto por Counter Strike.
Bruno Araújo torce a cara, numa careta potencializada por seu visual metaleiro, e diz que não vale a pena jogar Counter Strike. E o que você joga, então? Ele tira a caixa original (caso raríssimo) de Battefield 1942, enquanto instala uma versão de Need for Speed. Da mochila, tira uma pasta de CDs e DVD (aí sim, piratas) com alguns jogos que trouxe.
Quieto enquanto acompanha a introdução de "Gears of War", André Luiz gentilmente tira os fones da cabeça e diz à reportagem que também não gosta de CS. "Já passou", diz. Seu jogo preferido é World of Conflict, decifrado pelo repórter após Luiz escrever na caderneta o nome, totalmente desconhecido até então. Solícito, termina o jogo anterior e parte para o citado.
É um jogo de estratégia com temática da Guerra Fria. Ele é norte-americano e tem que conquistar uma cidade soviética, enquanto as forças comunistas de resistência resistem. O repórter senta e Luiz explica que é preciso coordenar os diferentes grupos de ataques conforme a região e as esquerdas de defesa. Sucesso possibilita novas armas - a nuclear é a mais almejada e poderosa.
Ele parece bem interessado. Eu só consigo me lembrar do Alex Kidd no meu antigo Master System.
Finalmente, aparecem os envolvidos. Omar Yousse (seu segundo sobrenome é impronunciável) diz que jogou CS durante à tarde, mas "baixou a bola" quando membros da imprensa pediram que ele e seus amigos saíssem com seu megafone (sim, ele tem um) e fizessem um protesto contra a organização.
Pior que alguns membros da imprensa são participantes fazendo patrulha moral - ao perceberem a jogatina de CS, chegam de lado e reclamam. "Não têm nada pra você", dispara. A informação quente: há um campeonato (no submundo, é claro) marcado para quarta. É certeza. Não. Vai ter prêmio? "Pensamos numa placa de vídeo, mas ia ser encrenca".
Pior que nem jogador de CS o Omar é direito. "Joguei muito, enjoei e parei. Voltei com muita vontade agora".
Sem dar a menor pinta, Felipe Skelsen faz seu papel de Madre Teresa tecnológica ao montar um servidor onde 20 jogadores trocam tiros e facadas quando o jovem de 15 anos não chegou ainda a jogar CS na feira. Ué, e dá pra explicar o por quê?
"Sei lá. Não vai atrapalhar eu (sic)", confessa. Dá-lhe autruísmo. A total abstinência de CS está também em Gabriel Machado e Anderson Araújo, dois amigos de Campinas pegos no flagra pelo repórter disputando uma partida online pelo servidor Máfia dos Pinga.
Nenhum deles joga mais CS - há quatro anos, viajavam para cidades vizinhas para campeonatos. Pararam por questão de maturidade - como têm empregos e família (leia-se namoradas), já não podem ficar noites destruindo cabeças digitais. O que os fez jogar de novo? "Estamos matando tempo". É uma birra.
Birra muito mais saudável, convenhamos, que a Justiça brasileira ainda nutre.
4 Comentários
Re ??? 2 , a missão
1 - pela total incapacidade da justiça brasileira de lidar com questões tecnológicas. as interpretações vagas poderiam encaixar o "distribuir" no incentivo a campeonatos.
2 - na teoria, com a decisão, alguém que ainda distribui deveria ir para a cadeia. agora, quem compra counter strike no brasil mesmo?
abraço,
Guilherme
15-02-2008 23:13
Re: ???
1- Cheguei a ler inclusive a íntegra da sentença. Por que tanta celeuma? Por que a organização "sabiamente" decidiu acatar a decisão?
2- Quem precisa cumprir é quem COMERCIALIZA o jogo, ou melhor, a UNIÃO que precisa impedir a comercialização. Já viu alguém ser preso por continuar disponibilizando o jogo? Eu não, e duvido que irei ver.
John
13-02-2008 11:51
Re: ???
Fala moondog,
1 - o primeiro parágrafo da nota diz "proibição de sua venda pela Justiça mineira". chegou a ler???
2 - se recorre e se contesta, sim. mas, enquanto a contestação e o recurso não rolam, é preciso cumprir sim. a não ser que você curta uns dias na cadeia.
abraços,
guilherme
Guilherme
13-02-2008 00:52
???
1-) a sentença proibiu a DISTRIBUIÇÃO e a COMERCIALIZAÇÃO do jogo, não a UTILIZAÇÃO;
2-) "decisão da Justiça se cumpre, não se discute" - negativo, decisão SE CONTESTA, SE RECORRE.
John
13-02-2008 00:24