"This is the end, my only friend, the end". Este trecho da música do The Doors traduz bem o sentimento que abateu os campuseiros neste domingo (17/02), quando já saíam pela Bienal do Ibirapuera com suas malas, computadores e barracas.
Às 14h, tudo já estava praticamente vazio. Algumas turmas gritavam juntas, corriam, posavam para fotos e faziam a clássica dança do siri, enquanto o material da organização era empilhado.
A revista estava bastante rígida na saída. Diferente da entrada, agora era hora de não deixar passar o dono de um computador com uma máquina extra ou coisas do tipo. Todas as malas eram abertas e as roupas bagunçadas na busca.
Enquanto isso, do lado de fora, uma multidão em busca da área de lazer gratuita protestava contra a placa "Evento Encerrado", colada na porta de vidro da Bienal. "Mas na programação dizia que era até as 21h!", reclamava alguém. Pouco depois das 15h, havia poucas pessoas, pois foram posicionados quatro policiais em frente ao portão para intimidar os que se acotovelavam. "Que bagunça", reclamou uma mulher.
De qualquer forma, a edição vai deixar saudades para alguns, que estavam cabisbaixos com sua bagagem esperando os últimos amigos para partir.
Maria Angela, que conheci na festa à fantasia e depois encontrei no debate sobre a presença de mulheres na CP Br, me escreveu pedindo que eu enviasse a foto que tirei dela enquanto dançava. "Pra mim é uma lembrança muito importante, pois este evento foi uma das coisas mais maravilhosas da qual participei - ela tem 56 anos de idade.
Sem nunca perder o fôlego, ela me avisa que na noite deste sábado (16/02) haverá outra festa à fantasia, "de despedida". Ah, pelo jeito a Mariângela - uma entre algumas amizades que comecei na Campus - já está com saudades da energia que sentiu em uma celebração inesquecível de seu meio século de vida:
Considerando-se a dimensão da Campus Party Br, imagine-se em torno de meio metro menor e olhe mais uma vez toda a estrutura do evento. Para os pequenos que frequentaram a festa, tudo foi uma festa gigante, como em "Querida, Encolhi as Crianças", e até mesmo as barracas pareceram maiores do que de fato são.
Mas diferente do filme, onde crianças são vítimas do experimento de seu pai cientista que as faz se perderem em um jardim, a molecada se divertiu a valer na CP Br.
As irmãs Sabrina e Raquel Nuccini Pires, de 9 e 4 anos de idade, respectivamente, com certeza retornarão aos seus lares com saudade da agitação. Elas acamparam a semana inteira, e adoraram - segundo a mãe, Luciana, ela e o marido Alexandre, um dos coordenadores da área de Modding, nem pensavam no acampamento família. Mas quem diz não pra estes sorrisos aí embaixo?
Elas, que não foram ao colégio neste período, passam a maior parte do tempo em games que lembram desenhos animados como Witches, vestem bonecas virtualmente ou são babás. Em casa, elas costumam jogar mais seu PlayStation 3 (ou o 2, que elas também têm), principalmente Guitar Hero.
Os pais não permitem que elas passem muito tempo na frente do PC ou de games. Além disso, nenhuma tem Orkut ou MSN. "Elas ainda são muito novas", teme Luciana.
Orgulhosa, Raquel explica que "estamos ganhando muito dinheiro no jogo". A noção de realidade aparece primeiro virtualmente a estas pequenas e a todo o restante do público infantil da Campus Party, que deixa a toca do coelho extraordinária com mods e robôs até domingo (17/02).
O último que sair apague a luz e feche a porta, por favor.
Por mais que haja a possibilidade de algumas atualizações complementares até domingo, acabarem-se os personagens, as agendas do dia, os comentários sobre as palestras e algumas das histórias dos corredores, o que realmente faz da Campus Party um lugar legal bagaraí (uia, pode escrever isto aqui?).
É evidente que nunca foi a pretensão do IDG Now! ao fazer este blog esgotar todo o assunto disponível na Campus Party Brasil - a quantidade de pessoas com gostos e idéias diferentes trombando entre si (viu "Crash"?) por uma semana numa espécie de realidade paralela digital é ampla demais para um só veículo.
Mas não para todos. Com seu exército de braços e olhos, é mais que evidente que a cobertura da blogosfera, ao se juntar os pedacinhos de Flickr, YouTube, Twitter, blogs e o escambau lá no LiveStream, é a mais completa em termo de riqueza de conteúdo e situações - não confunda com escolha de pauta e edição de texto, ok?
É por isto que este Campus Blog (algo que, conseqüentemente, resvala na postura do IDG Now!) acredita na complementação - e não na substituição, veja bem - entre aquilo que o debate acadêmico se acostumou a chamar de "grande imprensa" e "nova mídia em ascensão".
O Campus Blog nasceu com a idéia de uma cobertura jornalística bem humorada e, ainda assim, com credibilidade da Campus Party Brasil. Além de valer mais que qualquer link com PageRank 10 ou clique de valor alto no AdSense, os elogios recebidos pelasemana mostraram que a idéia foi animal - seja ele um dinossauro ou um canário.
No local em que fica o Centro Médico na CP Br, ar condicionado passa
longe. Na recepção de atendimento, contudo, um potente ventilador
refresca as duas pessoas de branco ali sentadas. Não há muito além
disso na sala, onde também se observam algumas cadeiras e instrumentos
corriqueiros em seriados como ER - estetoscópios e medidor de pressão.
Computador? "Não precisa", diz a mulher de branco que não quis ser
identificada.
Um dos casos mais comuns ali são, segundo ela, cefaléia,
"causada por tempo demais na frente do monitor, acordado", ela explica.
Cólicas também são típicas - na parcela dos 22% de
mulheres ali presentes -, junto a dores de barriga. Seria pela falta de
opções alimentíceas saudáveis, no último caso?
Sem autorização para mais relatos, pude entrar na sala de
atendimento. "Aqui temos uma UTI", se orgulhou a mulher. Eu questiono, pois não vejo
nada tão chamativo, apenas alguns esparadrapos e claro, objetos desconhecidos a
uma repórter. "Nós temos tudo sim, são portáteis. Temos
disfibrilador, ..." e seguiu a falar mais um ou dois nomes que não me
lembro mais.
Ao me virar para ir embora, surpresa: o fotógrafo da Trip chega com
um dedo sangrando, envolto em papel higiênico. Este seria o caso incomum - vi, porém, um campuseiro pasando mal algumas horas depois de sair do Centro Médico, com bombeiros em volta. Nao quis invadir, mas ele parecia bêbado. Outra situação atípica, se considerados os relatos da mulher de branco sem nome.
Por mais que seja necessário considerar toneladas de diferenças econômicas e sociais, a comparação entre a primeira Campus Party Brasil e sua contrapartida espanhola motivam algumas dívidas profundas e outras vantagens homéricas.
Comecemos pelas vantagens. A mais gritante diferença entre ambos os eventos (seja pelo lado bom ou mau) está no conteúdo.
No meio das férias escolares de julho, a Campus Party Espanha vai direto na definição de acampamento de verão do século XXI - troque a ordenha de vaca no gramado pelos micros no chão frio dos pavilhões.
Isto fez com que o evento fosse REALMENTE uma lan house gigantesca - a soma de vontade e falta de conteúdo resultavam em campuseiros que não abandonavam seus PCs.
A organização brasileira inverteu a ordem e encheu a agenda com 332 eventos (dá-lhe pontualidade, Sérgio Amadeu) dentro de espaços já criados na Espanha, além de formar os espaços CampusBlog, para que a blogosfera se juntasse e trocasse figurinhas (isto não é ironia, ok?), e Inclusão Digital, onde um seminário juntou 683 professores da rede pública que debateram o assunto.
Ponto positivíssimo pra Campus Party Brasil. A boa qualidade (na sua maioria) do conjunto de atividades, junto ao bom humor de Steven Johnson, destraiu a atenção para a falta de destaques do nível de Al Gore ou Mark Shuttleworth.
O tamano da Bienal também permitiu andanças sem muito problema entre stands, palestras, oficinas e PCs - a não ser que você se arriscasse ao planetário debaixo do sol senegalês de São Paulo -, situação muito diferente do gigantismo da Feria de Valencia que exigia longas caminhadas pra um simples copo d´água. Evidente, o conforto tem relação com o tamanho pequeno da CP Brasil frente à espanhola - nas versões mais recentes, foram 3,3 mil e 8 mil inscritos, respectivamente.
Mas nem tudo foram flores. A parte espanhola da organização fez lambança no credenciamento, provocando demora de até 6 horas, enquanto escolhas de infra-estrutura podem ser facilmente questionadas, como a escada externa que dava acesso do acampamento aos chuveiros.
A falta de comidas mais saudáveis que fondues, pizzas e pães de queijos, além do almoço semanal de 100 reais, com preços mais acessíveis pode ser repensada, principalmente pelos 23 anos médios de idade dos campuseiros no Brasil.
Mesmo com o esgotamento das inscrições, muitas bancadas, principalmente nos setores de Astronomia e Simulação, permaneceram praticamente abandonadas durante a semana, o que, segundo Marcelo Branco, pode levar a Campus Party a aumentar o número de campuseiros a partir do ano que vem. Vivendo e aprendendo.
Por fim, uma reclamação bastante pertinente, mas também injusta contra a Campus Party Brasil - na edição em Valencia, um ônibus simples levava os campuseiros para uma praia no Mediterrâneo em vinte minutos, quando, o máximo que você conseguia em São Paulo, era molhar os pézinhos no lago do parque.
Dada a poluição, é melhor não. É provável que, mesmo com algumas falhas de infra pontuais, você queira voltar na próxima edição da Campus Party Brasil, talvez surpreso pela surpreendente adoção dos usuários brasileiros ou mesmo intrigado pela agenda de conteúdo. Independente do motivo, eu voltarei.
Sábado é dia de feira na minha rua. Mais ou menos pelo horário onde eu escrevi isto, a equipe da prefeitura já deve estar posicionando o caminhão-pipa na Bela Vista enquanto feirantes carregam caixas e bancas para cima dos caminhões.
Simultaneamente, é também hora da Campus Party Brasil entrar na hora da xepa. Por mais que ainda estejam programados mais de 50 programas até o final das atividades, já há um clima de despedida no prédio da Bienal que vai se acentuando.
No alojamento, o que parecia um ninho de aliens azuis bastante sólido começa a dar sinais de grandes espaços, sinais que muitos já embalaram suas coisas, carregaram a barraca nas costas e foram embora - entre as barracas do andar inferior, o vazio é ainda mais notável.
Nas bancadas, os grandes buracos - bastante presentes em espaços como Criatividade e Desenvolvimento (em Simulação e Astronomia, raros eram os participantes nas bancadas) - começam a tomar conta de espaços anteriormente lotados, como Campus Blog e Games.
O clima de xepa é complementado pela leseira coletiva de alguns campuseiros, estatelados nas grandes almofadas com as bocas abertas como se estivessem no sofá de casa. A hora de ir embora realmente está chegando.
Adivinhe só? Em um evento com organizadores profundamente enraizados no movimento de software livre e a presença do ídolo John Maddog Hall, não poderia haver outro resultado: o espaço de Software Livre correspondeu a 23% dos 3,3 mil inscritos na primeira edição do evento.
O ranking de interesse, divulgado com o balanço quase final da Campus Party Brasil, mostra Games em segundo (16%), seguido por Desenvolvimento (15,5%), Música (11%), Criatividade (9%), Robótica (7%), Blogs (6,5%), Modding (5%), Simulação (4%) e Astronomia (3%).
A média de idade dos campuseiros ficou em 23 anos, variando entre 12 e 63 anos, e com uma evidente vantagem para homens - 77% contra 23% de mulheres.
Foram 512 jornalistas, cerca de 300 blogs, mais de 15 mil posts sobre o evento publicados relacionados a 332 atividades (fora projetos paralelos) e uma movimentação máxima de até 8 mil pessoas entre os stands, onde o acesso é livre para os não campuseiros.
A Campus Party Brasil foi mais civilizada que o São Paulo Fashion Week, brincou Marcelo Branco, diretor-geral do evento, citando que a semana de moda teve muito mais problemas de roubos. Entre um internauta e uma aspirante a modelo, eu realmente teria mais medo da segunda mesmo - combinação de drogas, glamour e pouca idade, sabe?
Não cansou de números? Então toma: 20.400 refeições, 2,8 mil PCs na Arena, 25 quilômetros de cabo de internet, 9 quilômetros de fibra 693 professores de escola pública, jornalistas de 18 países, 100 seguranças e mais de 200 mil visitas no site oficial.
Na sexta já foi assim - com a proximidade do final de semana e a
abertura da Campus Party (pelo menos a parte dos stands) para o público
em geral, as filas nas atrações do Campus Futuro se tornaram
quilométricas em comparação à aglomeração dos dias de semana, algo que
deverá se manter neste sábado, mesmo com o sol que brilha no Parque do
Ibirapuera.
Da TAM, que oferecia um campeonato de Wii, ao Limão, projeto de
conteúdo colaborativo do Grupo Estado que oferecia raspadinhas de limão
(hum!), lá estavam as dezenas de pessoas nas filas.
Sem qualquer
surpresa, os dois mais procurados envolvem games e ação. De um lado, o
VirtuaSphere, onde o usuário entra em um grande círculo plástico que
exige que o jogadore corra DE VERDADE em um jogo de tiro em primeira
pessoa.
Do outro, o Kick Ass Kung aglomerava dezenas de
interessados na possibilidade de lutar DE VERDADE com chutes, socos,
cabeçadas, chicotadas de cabelo (sério!) ou guarda-chuvadas com bonecos
digitais por meio de uma câmera de ambiente que transformava o jogador
no próprio Ryu ou Scorpion da vida.
Com ação menor, a reacTable
e a Digital Interactive Table atraíam atenções também dos visitantes,
ao lado do stand onde anteriormente Quasi, o inteligente robô humanóide
da Interbots, conversava com simpatia com os visitantes que arranhavam
no inglês para que o intérprete do robô conduzisse a entrevista.
Último dia da Campus Party antes de arrumar as malas para ir embora. Evento que não dá pra perder DE VERDADE é a apresentação que Demi Getschko, diretor do Núcleo de Informação e Coordenação do NIC.Br e pai da internet comercial no Brasil, que rola às 12h00 no palco principal.
Antes disto, o espaço de Software Livre promove o Install Fest com a distribuição Ubuntu - ótima oportunidade pra quem estiver a fim de experimentar o sistema.
Durante todo o dia, a robótica concentrará as finais de campeonatos envolvendo robôs. Antes do meio-dia (se é que você vai acordar cedo assim), tem partida de futebol virtual entre robôs.
Após a palestra de Getschko, começa a bateria de batalhas - robôs se matam no sumô nas categorias autônomo com 500 gramas ou 3 quilos ou controlado por rádio com 3 quilos. No mesmo espaço, rola a premiação para os robôs mais criativos.
No meio da tarde, reserve um tempo pra ouvir Pollyana Ferrari ministrando oficina para blogs no Campus Blog, ao mesmo tempo em que o MOdding promove oficina para modificações de celulares e PDAs.
Às 15h30, Wagner Martins, o senhor Cocadaboa, fala sobre o seu blog no Campus Blog. Às 17h00, Gilson Schwartz, da USP, trata sobre seu projeto Cidade do Conhecimento. Terminada sua palestra, começa o minicurso que Manoel Lemos, do BlogBlogs, ministrará com dicas básicas para blogs.
O DJ Marcelinho da Lua faz show à partir das 19h30 no encerramento oficial da primeira Campus Party Brasil, que ainda tem debate com a atriz Leandra Leal e a autora Clarah Averbuck sobre o filme "Nome próprio".
Depois, é sair pra beber ou subir pra arrumar a mala.
O Campus Party Blog é um blog coletivo elaborado pela equipe do IDG Now! que acompanhará de perto a 1ª Campus
Party Brasil, que acontece na Bienal em São Paulo entre os dias 11 e 17 de fevereiro.