Para agência, vídeo de Eduardo e Mônica não é plágio, "apenas coincidência"
Em 24 horas, o vídeo publicitário da operadora Vivo produzido exclusivamente para a Internet foi visualizado mais de 1,4 milhão de vezes. A peça, criada por conta do Dia dos Namorados – que será comemorado no próximo domingo (12/06) – espalhou-se rapidamente pelas redes sociais e nem precisou ser divulgado pelas mídias convencionais.
Porém, um dia depois de sua veiculação, um vídeo muito parecido, concebido há nove anos pela Agência Salles D'Arcy - atual Publicis – foi descoberto. As semelhanças são inquestionáveis: a mesma trilha (Eduardo e Mônica, do Legião Urbana), cenas análogas, temática similar, e, para completar, foram criados para operadoras de telefonia celular – a de 2002 foi feita para a ATL, empresa adquirida pela Claro dois anos depois.
As propostas são diferentes, diga-se. O clipe da Vivo tem mais de quatro minutos e dificilmente aparecerá na TV – a não ser que tenha sua extensão reduzida. O da ATL, embora longo para os padrões televisivos, passou em canais abertos e só agora surgiu no YouTube – foi adicionado nesta quinta-feira (9/06) mesmo.
O diretor de criação da Agência África, responsável pela peça da Vivo, fala em “pura coincidência”. Em entrevista ao site Propmark, Sergio Gordilho disse que “há mais de 90 versões de Eduardo e Mônica na internet”, e que o grande mérito de sua empresa foi ter produzido um comercial de “altíssimo nível, com a música integral e com total aprovação da família do Renato Russo”.
“Nós desconhecíamos esse comercial da ATL, que foi produzido em outra época da publicidade, quando não havia nem YouTube e nem a Africa. Subiram esse comercial hoje na internet para tentar melar o nosso sucesso com a Vivo”, acusou o executivo.
A companhia, ciente da polêmica, e acusada de plágio em seu próprio canal no Facebook, resolveu se posicionar. Em nota ao IDG Now!, afirmou que “a criação do filme Eduardo e Mônica seguiu o mais puro princípio de boa fé de criação que sempre pautou a agência e seus profissionais”. Segundo a agência, “o filme em questão não é uma peça promocional de venda varejo e, sim, um institucional. A Vivo informa que detém todos os direitos autorais e fonográficos da música”.
Atualização
Humberto Fernandez, diretor de arte da Africa, trabalhava na Salles D'Arcy na época em que o comercial da ATL foi concebido. No entanto, segundo a assessoria de imprensa da agência, o executivo não fazia parte da equipe que o produziu e, em nenhum momento, teve contato com a peça.


