Jornalistas do grupo Folha são demitidos após comentários no Twitter
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Depois de um editor da National Geographic e um fotógrafo do Agora, foi a vez de dois jornalistas dos jornais Folha de S.Paulo e Agora serem demitidos por comentários no Twitter considerados impróprios pelos veículos (que, neste caso, são do mesmo grupo).
No último dia 29, o então editor-assistente de política da Folha, Alec Duarte, e a repórter do Agora SP, Carolina Rocha, trocaram tuítes sobre o trabalho da imprensa na cobertura da morte do ex-vice-presidente da República, José Alencar, que faleceu na mesma data.
"Nunca um obituário esteve tão pronto. É só apertar o botão”, escreveu Duarte em sua conta no microblog, sem fazer nenhuma referência explícita ao ex-vice. Depois, Rocha respondeu: "Mas na Folha.com nada ainda... esqueceram de apertar o botão. rs.” O jornalista, então, lembrou de um erro recente da Folha, que noticiou erroneamente a morte do ex-senador Romeu Tuma, no último mês de outubro. "Ah sim, a melhor orientação ever. O último a dar qualquer morte. É o preço por um erro gravíssimo." Mais uma vez, sem fazer citação direta ao erro do veículo.
Bastaram três tuítes para causar a demissão dos jornalistas
Os jornalistas confirmaram suas demissões em seus respectivos perfis no Twitter e blogs. Carolina chegou até a enviar um e-mail para a ombudsman da Folha, Suzana Singer, que publicou coluna no domingo, 3/4, criticando os comentários dos jornalistas (que considerou “inapropriados”). Tanto os e-mails trocados entre ambas como a coluna de Singer estão disponíveis no blog da repórter.
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Em tuíte postado na tarde de hoje, 4/4, e em um dos e-mails, Carolina afirma que Suzana teria sido “culpada” pelas demissões, já que os tuítes, segundo ela, não teriam tido repercussão nenhuma, ao contrário de casos recentes já citados, como o da National Geographic. A isso, Singer respondeu no e-mail: “Não tenho nada a ver com a demissão, porque não tenho nenhuma participação nas decisões das chefias. Mas posso dizer que lamento muito a saída de vocês e me sinto mal por ter provocado isso com a crítica interna.”
As contas no Twitter de ambos os jornalistas não traziam então nenhuma referência aos seus empregos nos jornais. Além disso, os comentários e os perfis no microblog continuam ativos e disponíveis para visualização.
Até o horário de publicação desta reportagem, a Folha de S.Paulo não havia respondido ao nosso de pedido de comentário sobre o assunto.


