Brasileiros não rejeitam propaganda em vídeos online, mostra pesquisa
Uma pesquisa realizada pelas empresas Havas Digital, Qualibest e Globosat, com quase 1 300 internautas revela que o internauta brasileiro é um grande consumidor de vídeos online e que a rejeição à publicidade nesse tipo de conteúdo é baixa.
O estudo, divulgado pela primeira vez durante o Digital Age 2.0, mostrou que 96% dos brasileiros que acessam a rede assistem a vídeos, seja no YouTube ou em sites de notícias e entretenimento. Prova disso é que 13 dos 23 vídeos mais vistos no serviço do Google são em português.
No país, os sites de vídeo recebem 310 milhões de visitas por mês, com mais de 3 bilhões de minutos em tempo dedicado.
Como já era de se esperar, a preferência é por vídeos curtos (seis em cada 10), e o pico de acessos é entre 22h e 1h da manhã, após o horário "premium" das TVs. A pesquisa também descobriu que, enquanto os jovens preferem videoclipes e entretenimento, os mais velhos (acima de 35) assistem mais a noticiários. Na divisão por sexo, nada de surpresas: homens preferem vídeos de esportes, e as mulheres, gastronomia.
De acordo com André Zimmermann, diretor geral da Havas Digital, o consumo de conteúdo online é simultâneo com outras atividades, como assistir à TV. “Os vídeos on-line não canibalizam a TV aberta ou paga”, afirmou.
Na classe A, no entanto, mais internautas acessam a web (96%) do que assistem à TV (87%), uma tendência que deve se refletir nas outras camadas da população com a disseminação da banda larga.
A comodidade e a liberdade de ver o conteúdo a qualquer hora foi a razão apontada por 56% dos entrevistados para assistir a vídeos online. Um terço deu como razão o fato de aquele conteúdo só estar disponível na web, e 18% por falta de vontade de procurar na TV.
Entre os jovens, aliás, mais gente assiste à séries de TV na web (31%) do que na TV (27%).
E o que fazem os internautas após ver o vídeo? 44% responderam que assistiram a mais conteúdo relacionado, enquanto 37% leram comentários e 34% recomendaram.
Publicidade
Outra surpresa da pesquisa foi a baixa rejeição à propaganda. Embora 50% não tenha prestado qualquer atenção ao anúncio exibido antes ou depois do vídeo, 44% disse que não se importa de ver publicidade, desde que o conteúdo que permaneça gratuito. E a reação aos anúncios pode até ser considerada positiva – embora 60% não tenham feito nada, 34% acessaram o site da marca ou clicaram na propaganda.
No entanto, o que mais irrita os internautas é o fato de o anúncio não ter qualquer relação com o conteúdo do vídeo – 62% disseram preferir que houvesse alguma ligação. "Os usuários aceitam propaganda se ela tem a ver", disse Fábio Gomes, gerente de projetos da Qualibes. Outra coisa rejeita é a repetição das peças publicitárias.
O desafio, no entanto, é encontrar um modelo que remunere todo esse sistema. Regina Chamna, gerente de projetos especiais do Google para a América Latina, deu o exemplo do sistema da empresa que paga ao internauta por vídeos que interessarem a anunciantes. "Já há casos de videobloggers que são relativamente bem remunerados", disse, durante o debate após a palestra.
Ela também comentou que o YouTube está desenvolvendo uma ferramenta de análise de audiência parecida com o Google Analytics, usado pela maioria dos sites no país e no mundo.
"Ainda é um 'gap' entre o consumo de vídeo online e os investimentos publicitários nessa mídia", apontou Gomes.
Outro caso de sucesso, e apontado como modelo que "faz sentido", foi o do site Hulu.com, um serviço das TVs americanas Fox e NBC, e da operadora Comcast, que permite fazer assinaturas para acessar conteúdo da TV em alta definição no micro.


