WikiLeaks: o que está em jogo no vazamento de dados militares dos EUA
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O mundo ainda digere o mais recente vazamento de dados publicado pelo site de denúncias WikiLeaks: mais de 75 mil documentos confidenciais das Forças Armadas dos Estados Unidos, com detalhes sobre a guerra do Afeganistão.
Antes de publicar os documentos, o WikiLeaks os enviou, acompanhados de mais 15 mil itens ainda não publicados, para três dos maiores jornais do mundo, que publicaram reportagens distintas com base nesses papéis.
Alguns dizem que os documentos (chamados de Diário da Guerra no Afeganistão) equivalem, em importância, aos Papéis do Pentágono (estudo sobre o envolvimento dos EUA na Guerra do Vietnã, produzido em 1968 e divulgado pelo jornal The New York Times em 1971; a guerra acabou em 1975). Outros acreditam que o vazamento não mudará muita coisa.
Provavelmente é muito cedo para dizer qual será o impacto total desses documentos. Mas, para que você saiba rapidamente do que trata essa questão, elaboramos um FAQ conciso sobre os documentos, o WikiLeaks e o que está acontecendo com os dados.
1::O que é o WikiLeaks?
O WikiLeaks é um site com servidores espalhados pelo mundo e
que publica documentos confidenciais fornecidos por denunciadores e outras
fontes anônimas. O WikiLeaks não tem ligação com a Wikipedia, embora os dois
sites usem o mesmo software.
2::O que o WikiLeaks já fez?
Em abril, o WikiLeaks publicou um vídeo confidencial,
produzido em 2007, que mostrava um ataque aéreo dos Estados Unidos a Bagdá
(Iraque) e que causou a morte de 12 pessoas – entre elas, dois jornalistas da agência
de notícias Reuters. Outros vazamentos notáveis incluem uma amostra dos e-mails
privativos da candidata à vice-presidência dos EUA Sarah Palin e a publicação
de documentos do banco suíço Julius Baer.
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3::O que o WikiLeaks vazou desta vez?
O site obteve mais de 90 mil relatórios de incidentes e de
inteligência militares que detalham ações das forças dos EUA no Afeganistão, e
que têm sido chamados de “Diário da Guerra no Afeganistão – 2004-2010”. Até agora o
WikiLeaks liberou para consulta pública 75 mil desses documentos.
Os 15 mil documentos restantes foram retidos, segundo o WikiLeaks, a pedido da fonte anônima - uma medida que o site chama de “processo de minimização de danos”. O WikiLeaks afirma que os documentos “serão liberados com algumas restrições e, futuramente, em sua totalidade, à medida que a situação de segurança no Afeganistão permita”.
Antes de publicar os documentos no site, o WikiLeaks também distribuiu o Diário da Guerra a três jornais: The New York Times, The Guardian e Der Spiegel.
4::Qual foi a reação do governo norte-americano?
Até agora o governo apenas emitiu notas que condenam os
vazamentos, mas sem anunciar qualquer investigação. A Casa Branca classificou os
vazamentos de “irresponsáveis” e afirmou que o WikiLeaks “se opõe à política
norte-americana para o Afeganistão”, de acordo com o site Politico.
O presidente da Chefia Conjunta das Forças Armadas, almirante Mike Mullen, disse estar “consternado” com os vazamentos e disse que seu pessoal está examinando os documentos, de acordo com a Voice of America. O conselheiro de Segurança Nacional general James Jones também divulgou uma declaração na qual afirma que “os Estados Unidos condenam vigorosamente a revelação de informação confidencial por indivíduos e organizações que poderão colocar as vidas de americanos e de nossos parceiros em risco, e ameaçar nossa segurança nacional”.
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5::O que tem sido feito com os dados?
O New York Times publicou uma extensa série de reportagens sob
o título “Registros da Guerra” e o Der Spiegel tem um conjunto semelhante de
notícias em inglês em seu site. O inglês The Guardian produziu uma planilha
(que pode ser baixada de seu site) e um mapa interativo que detalha mais de 200
eventos importantes extraídos dos documentos.
6::Qual é o tamanho do estrago?
Ainda não se sabe se os Diários da Guerra no Afeganistão terão algum
impacto definitivo nas ações militares no Afeganistão. O diário alemão Der
Spiegel pergunta se “a descrição nua e crua da batalha (...) tem o potencial de
destruir todas as esperanças de que a comunidade internacional possa levar paz
ao Afeganistão”.
Contudo, outros duvidam que esse impacto vá ser particularmente sério. Adam Weinstein, num texto escrito para a Mother Jones, afirmou que os vazamentos “não são nada que você já não soubesse se prestasse atenção a nossas guerras”.
Também o Washington Post está descrente em relação ao impacto que o vazamento terá na guerra.
7::Qual será o impacto no WikiLeaks?
Esta não é a primeira vez que o WikiLeaks fica sob ataque;
alguns de seus alvos já tentaram derrubá-lo, sem sucesso. Muitos observadores
questionam se parcerias com sites como o WikiLeaks se tornarão uma peça importante do trabalho
jornalístico do futuro.
Essa é uma ideia interessante a se considerar. Mas, considerando o número de vazamentos de alta visibilidade nos quais o site tem se envolvido, eu diria que o futuro já chegou.


