Se aprovado, projeto permitirá atendimento médico remoto
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Se a proposta de mover espectro de rádio para uma rede sem fio médica nos Estados Unidos for aprovada, muitos pacientes não vão mais precisar viajar para fazer exames. Eles poderão ser tratados remotamente.
Pelo projeto, eles poderão ser avaliados por pequenos dispositivos sem fio, reduzindo custos e os riscos de uma infecção e erros clínicos.
Como parte do Plano Nacional de Banda Larga dos Estados Unidos, divulgado em março, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) propôs mover espectro para novas redes de área médica (MBAN, da sigla em inglês). O plano inclui serviços e regras para as redes.
A FCC agora está ouvindo os comentários públicos respeito do plano, que foi proposto pela divisão de saúde da General Eletric.
A Comissão disse que a MBAN poderia ser usada para criar uma rede sem fio com sensores de corpo capazes de monitorar dados fisiológicos como temperatura, pulso, nível de glicose no sangue, pressão sanguínea e problemas respiratórios.
Diferentemente de sistemas tradicionais médicos, que exigem várias conexões entre cada função monitorada no paciente, os sistemas sem fio MBAN poderiam acompanhar todas as funções e agregar resultados, que seriam transmitidos para um local remoto e depois avaliados.
Fabricantes
Enquanto o plano da FCC propõe inicialmente usar o espectro da MBAN em hospitais, fabricantes de equipamentos médicos dizem que a longo prazo o sistema poderia ser usado em residências. O líder da eMBAN da Philips Healthcare, Paul Coss, disse que pacientes podem usar equipamentos de entretenimento domésticos, como o Nintendo Wii, para ajudar a coletar dados e então transmiti-los para servidores disponíveis aos médicos.
Coss disse que a MBAN não é viável em casas até dispositivos de monitoramento em fio se tornarem baratos o suficiente para hospitais não precisarem deles de volta, e resistentes o suficiente para continuarem a operar enquanto o tratamento durar.
“Estamos observando produtos como o Nintendo Wii ao invés de ter que inventar novas coisas do começo. Tenho um amigo, por exemplo, que usa o Wii para controlar o peso”, disse Coss. “Não seria surpresa ver mais aplicativos que monitoram a saúde no Wii.”
“Queremos manter esses dispositivos a um custo baixo, e a rede é similar à de Bluetooth, permitindo o uso de transmissores comuns”, disse o vice-presidente da Advanced Medical Technology Association (AdvaMed), Mark Brager.
Como o Bluetooth, a MBAN pode usar ondas de rádio de curto alcance, no lugar de cabos, para se comunicar com lugares próximos.
Frequências
As freqüências propostas para MBAN são usadas atualmente por organizações públicas e privadas, para a aeronáutica e rádios amadores. A indústria aeronáutica, que usa a banda para informação de telemetria durante testes, colocou grande resistência ao projeto. “Respeitaremos a indústria aeronáutica, que já usa esse espaço”, disse Coss.
A Philips e outras fabricantes de equipamentos médicos veem as redes MBAN como uma oportunidade de vender produtos para hospitais e para o uso doméstico. Algumas dizem que os dispositivos de monitoramento podem ser comparados a curativos e custariam de 5 dólares a 10 dólares. Esses aparelhos poderiam ser usados em casa por pacientes com condições médicas crônicas, como diabetes e doenças cardíacas, eles dizem.
“De fato, podemos usar tecnologias portáteis já existentes, assim o ciclo de desenvolvimento desses dispositivos diminuiria consideravelmente. Imagino que daqui a uns anos veremos dispositivos MBAN disponíveis para o público”, disse Delroy Smith, designer de produtos técnicos da Philips Healthcare.
A MBAN, combinada com a emergência de eletrônicos de consumo para saúde como eletrocardiograma portátil (ECG), monitores de pressão sanguíneas ou balanças de peso, teria a possibilidade de permitir que pacientes capturem e entreguem dados de casa, do trabalho ou da rua.
Avanços nas tecnologias de microprocessadores são esperadas para possibilitar que os dispositivos se conectem com computadores, telefones celulares e até aplicações remotas de internet.


