Tim Berners-Lee anuncia projeto de inclusão digital com ONG brasileira
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A Fundação World Wide Web, de Tim Berners-Lee, está aberta oficialmente para negócios e envolvida em dois projetos iniciais que envolvem o uso da internet para capacitar pessoas pelo mundo e provocar mudanças sócio-econômicas.
Ele está abrindo as portas com dois programas focados no uso da
tecnologia da web para melhorar a agricultura na África e a ensinar
jovens de baixa renda a criarem conteúdo online.
Entre os projetos está uma parceria com a organização não-governamental Comitê para Democratização da Informática (CDI), envolvendo a oferta de conteúdo móvel para navegação e via voz em cinco unidades do CDI no Brasil, além de envolver a Jordânia e Londres.
“Não estamos focando na tecnologia da web em si, mas no que a
tecnologia pode fazer para ajudar as pessoas, a criar novas
oportunidades, novos negócios e melhorar a educação”, disse o Chief
Executive Officer (CEO) da Fundação World Wide Web , Steve Bratt.
A adaptação da
metodologia de ensino CDI para telefonia móvel será traduzida do português para os idiomas inglês, espanhol e árabe, e será usada pela Web
Foundation no mundo todo. O CDI tem cursos, do nível básico ao avançado, que unem informática ao empreendedorismo.
O objetivo é que as pessoas criem conteúdo relevante com a ajuda da metodologia da ONG. "Queremos dar ferramentas para as pessoas em favelas, aldeias indígenas, hospitais psiquiátricos e regiões pobres criem e usem conteúdo para a mobilização da sociedade", diz Rodrigo Baggio, fundador e diretor executivo da ONG.
Entre as 803 comunidades do CDI em 13 países, serão cinco beneficiadas pela parceria. Baggio explica que a tecnologia é usada como ferramenta para que as pessoas com baixa renda sejam agentes de transformação.
A primeira fase do projeto é a captação de recursos. Baggio conta que a ideia é obter 600 mil dólares de parceiros. Depois, será feito um diagnóstico das comunidades em cada país que sediará o piloto, para análise e adaptação da metodologia. A terceria fase é dar início ao piloto e, a quarta, replicar o projeto para todos os CDIs.
Parte do projeto do CDI inclui o uso, nas comunidades piloto, de smartphones com o sistema operacional Android. "Ao mesmo tempo, desenvolveremos ações mais massivas, que permitem a criação, por exemplo, de uma rede pra troca de informações por SMS. Serão atividades simples, mas combinadas com a atuação local do CDI", afirma Baggio.
O outro projeto, feito em colaboração com a Universidade de Amsterdã, na Holanda, visa a recrutar desenvolvedores locais para a criação de uma plataforma baseada na web para fazendeiros em áreas desertas de Burkina Faso, Mali e outros lugares, aprimorando a agricultura nessas regiões.
A ideia é ajudar os fazendeiros a se comunicarem melhor, compartilharem informações e aprenderem e incrementarem técnicas de agricultura. “É um grande projeto. Vamos treinar desenvolvedores locais e vamos arranjar soluções locais para problemas locais, o que pode ser aplicável em outras partes do mundo”, disse Bratt.


