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05 de novembro de 2009
internet
Mídia Digital

Mecenato digital representa novo caminho para jornalismo online

Por Guilherme Felitti, do IDG Now!

Publicada em 04 de novembro de 2009 às 07h00
Atualizada em 04 de novembro de 2009 às 13h44

Diretor de divisão na universidade Harvard que estuda modelos de negócios online, Joshua Benton discute financiamento da atividade jornalística na internet.

Por mais que tenha uma expressão serena e aborde com eloquência e calma exemplos de iniciativas que apontem para um cenário esperançoso ao jornalismo online, Joshua Benton não economiza palavras alarmistas quando precisa.

“Eu adoraria dizer a vocês que tudo ficará bem e que ninguém mais perderá seus empregos. Mas isto não é verdade. Ainda haverá muito sangue nas ruas”, declarou o diretor geral do Nieman Journalism Lab em sua passagem no Brasil, na abertura do MediaOn, que aconteceu em São Paulo entre os dias 27 e 29 de outubro.

Responsável por gerenciar o laboratório da Universidade de Harvard que estuda modelos de negócios para jornalismo na internet (cujo nome homenageia Lucius Nieman, empresário que fundou o jornal The Milwaukee Journal em 1882), Benton tem uma visão sóbria sobre o futuro do setor, sem cair na obviedade.

Não demonstra o saudosismo de muitos que, acostumados às redações populosas, se viram envolvidos nos últimos anos em processos que variam entre a edição impressa e sua versão digital, e indica com satisfação modelos comerciais na internet já experimentados com sucesso ao redor do mundo.

Responsável por apurações sobre educação durante oito anos no The Dallas Morning News, Joshua fala nesta entrevista sobre potenciais novos meios de financiamento de investigações jornalísticas, tradicionalmente longas e caras, e debate a participação do conteúdo amador dentro do noticiário padrão.

O The Huffington Post e grupos como o ProPublica propõem um fundo que pagaria jornalistas envolvidos em investigações longas. O mecenato é uma das respostas para financiar o jornalismo online?
Acho que mais e mais das formas mais caras de jornalismo serão produzidas fora de organizações com fins lucrativos.

Isto poderia se traduzir em organizações noticiosas sem fins lucrativos, prêmios dados por fundações ou indivíduos interessados, iniciativas baseadas na coleta de verba pelo público, subsídio governamental ou uma série de outras possibilidades.

Micropagamento é uma maneira efetiva de financiar o jornalismo online?
O micropagamento não é a resposta. Acho que a maioria das pessoas simplesmente evitará qualquer notícia que envolva micropagamentos em favor de algo gratuito. E os que queiram pagar estão aptos a pagar mais do que tipicamente pagariam sob um sistema de micropagamentos. Não é uma combinação vitoriosa.

Quais tradicionais veículos noticiosos (jornal, revista ou canal de TV, não importa) usam melhor a internet na sua opinião?

Acho que o The New Tork Times faz um ótimo trabalhado em inovar de diversas maneiras – criando bancos de dados que podem ser buscados, elaborando gráficos interativos, integrando seu arquivo (ao noticiário), hospedando vários blogs e integrando vídeo e áudio com texto e fotos.

Você vê como possível a criação de uma agência de jornalismo cidadão, onde cidadãos poderiam lucrar vendendo conteúdo amador para jornais e revistas que os utilizem em suas edições?
É possível, mas acho que a maioria dos jornalistas-cidadãos não faz o trabalho com a expectativa de ser pago. Se quisessem fazer jornalismo por dinheiro, seriam jornalistas convencionais. Suspeito que acrescentar dinheiro à equação, na verdade, diminuiria a participação cidadã, não a aumentaria.

O fundador do conglomerado de blogs Gawker, Nick Denton, afirmou à Wired que o número de páginas vistas determina o pagamento dos jornalistas empregados em um de seus blogs. A imitação deste modelo é perigoso para o jornalismo online?
A habilidade de um jornalista produzir material relevante sempre foi parte de como o jornalista é julgado.

Quando a receita é baseada inteiramente em páginas vistas, não me parece particularmente ultrajante basear a performance no emprego, pelo menos em parte, nas páginas vistas.

Pode ser um modelo questionável em organizações noticiosas onde diferentes repórteres produzem tipos de conteúdo radicalmente diferentes e suas habilidades para atingir leitores seja desigual, mas este não é caso dos blogs de Denton.

A proliferação de celulares com câmeras, iPods que gravam vídeo e Flips significam que veremos mais e mais conteúdo jornalístico relevante em baixa resolução nas nossas TVs com muitas polegadas?
Bom, isto é apenas uma questão de tempo. Eu tenho uma câmera do mesmo tamanho da Flip que faz vídeos com resolução de 1.080p.

A discussão é mais sobre a habilidade do cinegrafista que sobre a qualidade da ferramenta utilizada.


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