Por que a Naspers comprou o Buscapé
Por Clayton Melo, do IDG Now!
Publicada em 02 de outubro de 2009 às 09h51
Atualizada em 02 de outubro de 2009 às 12h11
Companhia sul-africana pavimenta o caminho para ter negócios na área de convergência de mídias.
A terceira maior transação da história da internet no Brasil, como demonstra levantamento feito pelo IDG Now!, a venda do Buscapé para a sul-africana Naspers, por 342 milhões de dólares, motiva alguns questionamentos sobre o futuro próximo do mercado de comunicação digital no Brasil.
Um deles é a sinalização de que, como consequência da nova condição do Brasil no cenário mundial - visto agora como competidor global relevante - e a boa recuperação da economia nacional diante da crise internacional, o País surge aos olhos dos grupos internacionais como boa opção para investimentos.
Nesse quesito, a área digital tem bons atributos a oferecer, como o rápido avanço da internet no conjunto da população e o perfil do internauta brasileiro, que adota rapidamente inovações no setor e se mostra um usuário ativo das redes sociais.
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Outro fator diz respeito às razões propriamente ditas que levaram a Naspers a adquirir o Buscapé - algo que também guarda relação direta com os fatores citados anteriormente. Um primeiro atrativo para a Naspers no negócio é a possibilidade de, com uma cartada só, obter uma boa atuação na América Latina, viabilizada pelo fato de o Buscapé operar em diversos países da região.
Razões
Uma análise mais atenta do movimento empreendido pela Naspers no País, no entanto, mostrar que a companhia pode estar se preparando para desenvolver negócios relacionados à convergência de mídias, acreditam especialistas ouvidos pela reportagem.
Um dos fatores que justificam a tese é de que há boas perspectivas de combinação de negócios com outra organização com a qual a Naspers está ligada no País, o Grupo Abril - seu braço digital MIH Holdings detém 30% do empresa da família Civita, negociação que resultou na formação da MIH Brazil Participações Ltda. A negociação, fechada em 2006 por 422 milhões de dólares, permitiu o ingresso da Naspers no mercado brasileiro de mídia impressa e eletrônica.
O raciocínio é o seguinte: com o Buscapé, a Naspers tem acesso a uma base consolidada de informações sobre tendências de consumo na área de comércio eletrônico, atributo reforçado com os estudos de consumo na web realizados pela e-bit, empresa controlada pelo site brasileiro de comparação de preços.
Convergência
Somando-se esse ativo às publicações da Editora Abril, a Naspers tem condições de criar estratégias de marketing ou projetos comerciais focados em diferentes segmentos de público, analisa Marcelo Coutinho, professor da FGV e colunista do IDG Now!.
"O banco de dados do Buscapé é um indicador dos desejos de consumo. Surgirá assim um campo promissor quando esse ativo se juntar à capacidade de distribuição de conteúdo em diversas plataformas", diz Coutinho. "Como exemplo, pense no grande interesse que eventualmente possa ser registrado nas buscas sobre produtos de saúde e beleza, por exemplo. Esse dado pode alimentar combinações de projetos de marketing ou publicidade relacionados às revistas da Abril que atuam nesse
setor",afirma.
"A partir de agora, a Naspers alia, no Brasil, três aspectos importantes: poder comercial, análise de consumo e conteúdo editorial", reforça Coutinho, que tem entre seus campos de estudo na área acadêmica o modelo de negócios no setor de mídia.
Plataformas reunidas
O sócio-diretor do I-Group, centro de treinamento avançado em técnicas de planejamento e gestão de projetos digitais, Indio Brasileiro, reforça a análise de Coutinho. "A Naspers demonstra que trabalha com a ideia de convergência de mídias. Basta ver que ela tem agora uma boa plataforma editorial, força de distribuição, comércio eletrônico e marcas fortes", avalia.
"O modelo do mercado daqui para frente é o da convergência. E, por ter feito aquisições milionárias no Brasil, a Naspers mostra que entra decidida a ser protagonista", afirma Brasileiro, que no começo do mercado de internet no Brasil foi diretor comercial do UOL e vice-presidente de negócios da StarMedia.
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