Crise e Chrome impulsionaram acordo entre Microsoft e Yahoo, diz analista
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O anúncio do sistema operacional Google Chrome e a crise financeira foram os principais motivos que impulsionaram o acordo entre Microsoft e Yahoo na área de buscas anunciado nesta quarta-feira (29/7), afirma o pesquisador da ESPM e consultor na área de análise de mercado digital, Marcelo Coutinho, ao IDG Now!.
O especialista avalia que o agravamento da recessão econômica global aumentou a pressão sobre o Yahoo. A companhia, que vinha perdendo participação no mercado de buscas, enfrenta perdas financeiras sucessivas e já anunciou programas de demissão de funcionários como tentativa de cortar custos operacionais.
Do outro lado, o anúncio do sistema operacional do Google, o Chrome, feito no início de julho, estimulou a Microsoft a fechar o acordo. “Estive em Cannes e vi Steve Ballmer (principal executivo da Microsoft) ser claro ao dizer que o online estará no centro do sistema publicitário da próxima década e precisamos entender que isso será muito diferente de clicar em links azuis”, disse Coutinho.
Na opinião de Coutinho, a Microsoft, particularmente, acredita em integração de canais da publicidade online com outros canais, para aumentar o contato com consumidor.
Na visão da Microsoft, afirma o analista, o acordo com o Yahoo vai trazer um público muito maior para o Bing. Segundo os últimos dados da empresa de medição online comScore, o buscador da Microsoft registrou 8,4% de participação no mercado de buscas online em junho. O Yahoo obteve 19,6% de participação e o líder Google, 65%.
“A Microsoft está comprando a tradição do Yahoo. Afinal, se você concede 88% da receita e concorda em ficar apenas com 12%, é porque essa empresa tem algo a oferecer”, opinou.
Dificuldades
Coutinho não acredita que o acordo entre as duas companhias vá ameaçar o Google tão cedo. “Porque o mercado é muito dinâmico. Mas o anúncio já sinaliza que a briga com o Google vai ser dura”, disse.
Além das diferenças culturais entre Microsoft e Yahoo, que podem atrapalhar os trabalhos em conjunto, as companhias podem enfrentar problemas de regulamentação. “Quanto mais o Google cresce, mais chama a atenção dos reguladores. Agora vamos ter um duopólio no mercado e os reguladores ficarão muito mais atentos”, declarou.


