China: tecnologia é arma do governo contra manifestações na internet
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A internet trouxe uma nova esperança aos reformistas da China desde o fim do movimento pela democracia na Praça da Paz Celestial (Tiananmen), que completa 20 anos nesta quinta-feira (04/06). Como as divergências ganharam fôlego com a tecnologia, o governo continua aumentado a restrição a sites que ameaçam as ideias do país.
Os esforços do governo chinês para censurar a internet ocorrem desde o dia 4 de junho de 1989, quando centenas de pessoas foram mortas após Pequim enviar seus soldados para dispersar manifestantes na Praça da Paz Celestial. O governo autoritário quer garantir que essa data não seja lembrada pela população. Nos últimos meses, a China bloqueou o YouTube e fechou dois blogs, o bullog.cn e o fatianxia.com .
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A China bloqueia o acesso a inúmeros sites da web por meio de um sistema conhecido por "Great Firewall", apelidado de Golden Shield (Escudo Dourado). Por meio deste sistema, o governo monitora fóruns online, sites de notícias, e blogs que muitas vezes são retirados do ar pelos próprios criadores para evitar punições das autoridades. Até mesmo o site dos direitos humanos está sendo monitorado.
Conforme a população que usa internet na China cresce, as ferramentas de censura tornam-se mais eficazes. O país tinha cerca de 300 milhões de internautas no fim do ano passado - mil vezes maior comparado aos últimos 12 anos, de acordo com a Agência de Registros de Domínios.
Ultimamente o governo está um pouco mais compreensivo com algumas citações. O crescimento dos blogs e dos fóruns online, fez com que Pequim perdesse o controle do que as pessoas faziam na web. Este mês, um blogueiro foi detido por publicar um comentário sobre a corrupção na política de algumas cidades em seu blog.
Além do protesto em Tiananmen, este ano faz uma década que a China proíbe o movimento espiritual e separatista Falun Gong, e também marca o 60º aniversário da fundação da China comunista, na qual Pequim marcou história com uma grande parada militar.
A população chinesa, incluindo as pessoas em prisão domiciliar, descobriu novas ferramentas para burlar o escudo dourado. Com o uso de servidores proxy e do Skype, as pessoas puderam se comunicar com o mundo afora. O Skype criptografa chamadas e mensagens instantâneas, mas a única versão disponível para os usuários chineses é uma que fica entre o Skype e um portal chinês. Essa versão filtra algumas palavras-chave e bloqueia conteúdos relevantes, disseram pesquisadores da Universidade de Toronto.
Este ano a China dobrou os esforços contra um programa usado para driblar o bloqueio de internet. O programa usado era o “FreeGate”, que começou a ter alguns problemas e ficou muito lento ao carregar sites estrangeiros, disse Bill Xia, presidente do Dynamic Internet Technology – desenvolvedora do software.
Centenas de pessoas usavam o FreeGate todos os dias, disse Xia. O programa criptografa a comunicação dos usuários e o tráfego navegado através de endereços IP (protocolos de internet) de outros países, garantindo acesso a sites bloqueados.
Os técnicos do governo chinês tiveram uma longa jornada de trabalho para conseguir identificar os códigos criptografados e então bloquear os endereços IP (Internet Protocol) de outros países, afirmou Xia. Os usuários recebiam um novo endereço de IP a cada vez que utilizavam o programa, mas este ano a China ficou mais forte e agressiva para bloquear os IPs destes programas.
Os celulares também tem contribuído com a propagação de informações online ou via SMS. Vídeos capturados dos motins no Tibete no ano passado chegaram ao mundo todo, quando foram publicados online.
A China também opera um sistema de filtragem para mensagens de texto que contenham palavras-chave de políticos, autoridades e indivíduos que organizam manifestações.
Grupos de direita têm usado os seus sites da web para prolongar a memória da repressão do protesto na Praça da Paz Celestial. Mas, com o aniversário da manifestação, os esforços de comemoração dos chineses não estão tendo muito destaque, tanto na internet quanto nas ruas.


