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09 de julho de 2009
internet
Browsers

Entrevista: presidente da Mozilla detalha planos para futuro do Firefox

Por Guilherme Felitti, editor-assistente do IDG Now!

Publicada em 23 de abril de 2009 às 07h00
Atualizada em 27 de abril de 2009 às 12h47

São Paulo – Mitchell Baker revela as dificuldades enfrentadas pela Mozilla e admite que briga entre Microsoft e Google no setor não é luta para o grupo.

entrevista_mitchel_88No cargo de presidente do conselho da Fundação Mozilla, Mitchell Baker teria, teoricamente, a obrigação de motivar tanto as dezenas de funcionários da organização como os milhares de voluntários que ajudam no desenvolvimento do browser de código aberto Firefox.

Na teoria. Ao abordar as dificuldades enfrentadas pela Mozilla na briga com a Microsoft, Baker admite que a luta contra o Internet Explorer, e até mesmo contra o Chrome, do Google, não é briga para a organização sem fins lucrativos, com uma sinceridade nada corporativista.

A falta de uma fonte de receita além do Google faz com que a Mozilla fique longe dos acordos com integradores - técnica, segundo Baker, que levou o Internet Explorer a dominar o mercado de navegadores, a partir de 1999.

A saída, antevê ela, está em investimentos em distribuições de Linux ou na popularização dos telefones celulares, foco do Fennec, versão móvel do Firefox que, por enquanto, chegou apenas ao N810, da Nokia.

O futuro da Mozilla e do browser que desafiou o IE estão entre os temas desta entrevista que Baker condedeu ao IDG Now! durante sua passagem pelo Brasil para participar do Fórum Econômico Mundial, entre 14 e 16 de abril. Confira a íntegra da entrevista de Mitchell Baker.

Qual é o maior feito atingido pela Mozilla em seus 10 anos?

Nosso maior feito foi ter deixado claro que o browser, na verdade, é importante. Quando começamos, todos tinham certeza de que estávamos errados, já que o sistema operacional era o mais importante em um PC e o navegador era apenas um acessório.

Em termos de mobilização, não fomos os primeiros nem os únicos – veja o OpenOffice, por exemplo. Quem vê de fora pode achar que não é possível a maneira como a Mozilla opera, com tantos voluntários espalhados pelo mundo fazendo o que acham que é o melhor para o produto. Isso parece impossível, mas cá estamos nós.

Muitas pessoas ficam surpresas quando sabem a quantidade de usuários que o Firefox tem. Entre 90 a 95 milhões de pessoas usam o Firefox por dia e fizemos isso só com algumas dezenas de funcionários e centenas de milhares de voluntários.

Algumas funções do Internet Explorer 8 se assemelham às apresentadas pelo Firefox 3 ou pelo Opera 9, como a “barra sensacional” ou a proteção contra phishing. Na sua avaliação,  a Microsoft perdeu o poder de inovar em navegadores?
Eu nunca achei que a Microsoft tem poder de inovação entre navegadores. Durante o desenvolvimento do Netscape (Baker trabalhou na startup Netscape), tínhamos um grande site para beta, onde publicávamos detalhes sobre as novas ferramentas que tínhamos criado.

Quando começávamos a divulgação, a Microsoft lançava um produto com as mesmas funções. Isso aconteceu nas versões 2, 3 e 4 do Internet Explorer.

Essa habilidade de executar e lançar um browser baseado em funções dos rivais já era percebida na década de 90. Acho que eles não são uma grande força de inovação entre navegadores.

O que aconteceu com a Netscape quando a Microsoft lançou o Internet Explorer 4, browser que virou o jogo do setor?
Algumas coisas aconteceram. Primeiro, a Microsoft tinha um produto melhor com o Internet Explorer 4. Temos que dar o crédito a eles. Acho que ninguém discorda disso. Segundo, a Microsoft também fechou acordos com integradores para aproveitar sua dominação [entre sistemas operacionais].

Na Netscape, tínhamos acordos e relações próximas com OEMs e, de repente, todos começaram a se comportar de maneira estranha. Não falavam o que a Microsoft havia dito - ninguém descrevia nada. [Após esta ação da Microsoft] não foi mais possível que (os OEMs) distribuíssem o Netscape nos Estados Unidos.

Combine um produto melhor com esse controle sobre os canais de distribuição e você tem a resposta.


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1 comentário(s)
Reinvestimento
Ronaldo Luis - 23 Abr 2009, 10h13

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