Menos de um quinto das casas brasileiras têm internet, aponta NIC.br

Redação do IDG Now!
26 de março - 14h03 - Atualizada em 15 de março - 12h50
São Paulo – Cobertura falha exclui áreas rurais e impede que ritmo de adoção de web acompanhe de PCs em 2008, mostra TIC Domicílios 2008.

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De diferentes maneiras, a cobertura falha de banda larga no país permeia os resultados da 4ª Pesquisa sobre uso de tecnologias da informação e comunicação do Brasil (TIC Domicílios 2008), divulgada nesta quinta-feira (26/03).

Segundo a pesquisa do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), 25% dos domicílios nacionais possuem computador, enquanto o acesso à internet foi identificado em apenas 18% delas.

Em números absolutos, o Brasil registrou 60 milhões de usuários de computadores nos últimos três meses de 2008 e 54 milhões de internautas no mesmo período, o que equivale a 38% e 34% de toda a população, respectivamente.

Na comparação em áreas urbanas com anos anteriores, a relação entre a penetração de PCs e conexões domésticas vem crescendo, saltando de 4 pontos percentuais em 2005 para 8 pontos percentuais em 2008, o que indica a incapacidade do mercado de banda larga acompanhar o de venda de PCs.

Por uma mudança nos critérios de medição do TIC Domicílios, que agora inclui áreas rurais, o estudo mostra também a incapacidade de moradores de regiões fora dos grandes centros urbanos de terem conexões domésticas pela falta de cobertura.

O TIC Domicílios 2007 havia mostrado que o forte ritmo de inclusão digital registrado no Brasil em 2007 era apoiado tanto pela venda de PCs, graças ao programa Computador para Todos, como pela explosão no acesso a LAN houses.

Segundo a pesquisa, o segundo principal motivo para que usuários em áreas rurais não tenham conexão doméstica, com 27%, é a falta de disponibilidade na área, antecedida pelo curso elevado (50%), algo que atinge também os que moram no perímetro urbano (54%).

Os altos custos são justificativas para problemas de adoção de computadores, com 75% dos entrevistados sem micros em casa citando a questão financeira como principal entrave. A contratação de planos de banda larga mais velozes aos que já têm conexão rápida em casa é impedida também pela combinação custos (48%) e falta de disponibilidade (33%).

A falta de conexões em áreas rurais fez com que 58% dos entrevistados da região recorressem às LAN houses, o que, segundo Rogério Santanna, secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, exemplifica o que chamou de “apartheid da banda larga no Brasil".

O TIC Domicílios 2008 mostra também que as LAN houses se consolidaram como principal ponto para acesso à internet no Brasil, com 48% dos brasileiros entrando na internet por meio delas (em 2007, eram 49%).  Em sua própria casa (42%), na casa dos outros (22%) e no trabalho (21%) completam a lista de origem de acesso.

Demograficamente, o NIC.br aponta a dominação das classes mais baixas nas LAN houses, mostrando que, conforme cresce a renda mensal, cai a frequência - 82% daqueles que ganham até 1 salário mínimo por mês usam LAN houses, contra 69% daqueles que ganham até dois.

O TIC Domicílios 2008 pode ser baixado na íntegra no site do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br).