Twitter ganha relevância em 2008, mas se mantém um site de nicho

Guilherme Feiltti, editor-assistente do IDG Now!
08 de dezembro - 07h00 - Atualizada em 08 de dezembro - 13h29
São Paulo - Não é preciso nem 140 caracteres para explicar que o Twitter foi o serviço online mais discutido em 2008. Falta chegar às massas.

Notícias Relacionadas

avanco_twitter_88Não é necessário nem 140 caracteres para se explicar quem foi o principal destaque online em 2008: o Twitter.

Em um ano pontuado pelo aprofundamento da maturidade dos blogs e pela consolidação do setor das redes sociais, o serviço de mensagens curtas de Evan Willians, o empreendedor serial por trás do Blogger, foi o centro das discussões mais infladas não por sua chegada às massas.

Ao contrário do Orkut em 2005 ou do YouTube em 2006, que chamaram a atenção do mercado ao mesmo tempo em que dominaram os gráficos de serviços mais acessados do ano, o Twitter ainda se mantém como um site de nicho.

"2008 foi um ano mais do mesmo. Não destacaria nada de excepcional. Nesse contexto, o Twitter cresceu pouco no mundo todo - Estados Unidos, inclusive", relata José Calazans, analista de mídia do Ibope//NetRatings.

Coloquemos a frase de Calazans em contexto: entre os norte-americanos, o Twitter ganhou uma média de 150 mil novos usuários por mês durante o ano, fechando novembro com pouco mais de 2 milhões de usuários freqüentes.

Em um setor com cerca de 200 milhões de internautas, entre residenciais e corporativos, a cifra é notoriamente baixa e fica ainda mais espremida entre os 45 milhões de usuários que o MySpace tem e os 29 milhões do seu rival, o Facebook.

No Brasil, os números também não são animadores para a popularidade do Twitter: potencializado por uma campanha no Orkut, que levava usuários incautos a perfis com links maliciosos, o serviço registrou 1 milhão de internautas no ano todo.
++++
Pelos cálculos do analista, porém, apenas 140 mil podem ser considerados usuários recorrentes do Twitter, e não apenas internautas que caíram no domínio do serviço, seja por indicação de amigos ou pelos golpes dentro do Orkut, e nunca mais voltaram para os 140 caracteres.

O que explica, então, a quantidade de discussões geradas sobre e os numerosos holofotes virados para o Twitter durante 2008? O termo em questão não é popularidade, mas sim relevância.

Ainda que institutos de pesquisa (Alexa, HitWise e Compete) apontem para um crescimento além do dobro no tráfego do Twitter em 2008, o passo da audiência não acompanhou a crescente expectativa nutrida pelo mercado para 2009 após o serviço tomar medidas que mantém a tensão para seus próximos passos.

Se não resolveu totalmente, pelo menos o Twitter deixou seus usuários mais tranqüilos a diminuir bastante seus períodos de instabilidade (ou indisponibilidade) ao mesmo tempo em que mantém seu crescimento lento. Deixar o serviço no ar era a necessidade número um.

Ao comprar o Summize em julho, o Twitter não apenas acrescentou uma ferramenta de busca que realmente funciona, mas deu ao mercado uma ferramenta em que se é possível rastrear, praticamente em tempo real, as tendências nas discussões dos usuários.

A assimilação do Summize foi extremamente necessária para o momento mais importante do Twitter do ano, algo que, infelizmente, esbarra em acontecimentos trágicos. Em ocasiões como o terremoto na China, os ataques terroristas em Mumbai e as enchentes em Santa Catarina, os primeiros informes surgiram ali, no agrupado de dezenas de usuários que viviam a ação.
++++
O uso ególatra registado inicialmente no Twitter (algo pelo qual os blogs passaram e sofreram também) deu lugar a modelos diferentes de exploração que, como no caso do "jornalismo cidadão" em notícias de grande impacto, encontraram uma utilidade que justifica a existência do Twitter, além dos seus relatos íntimos.

Há ainda as empresas, que descobrem (e, lamentavelmente em alguns casos, abandonam na mesma velocidade) cada vez mais como o Twitter pode ser um filão para anunciar vagas de emprego, produtos recém-lançados e conteúdo próprio ou abrir um canal direto de comunicação com seus consumidores.

A importância do Twitter em um ano classificado como "mais do mesmo" por Calazans guarda nessa exata comparação seu valor: ao invés de novas novidades mirabolantes, o serviço ganhou atenção por apresentar (até inadvertidamente) novos usos para sua simples ferramenta.

A alta expectativa ao redor do Twitter se explica por dois motivos: o modelo de negócios para fazer dinheiro e negociações para compra do serviço, como uma suposta continuação nas conversas entre os responsáveis pelo Twitter e o Facebook, encerradas temporariamente em novembro.

Em evento no Churchill Club, em São Francisco, no começo de dezembro, o co-fundador Evan Willians brincou, segundo o Bits, do New York Times: "É bom que as expectativas estejam altas, mas nos dêem um minuto". O Twitter terá o ano todo em 2009 para se decidir.