Twitter ganha relevância em 2008, mas se mantém um site de nicho
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Não é necessário nem 140 caracteres para se explicar quem foi o principal destaque online em 2008: o Twitter.
Em um ano pontuado pelo aprofundamento da maturidade dos blogs e pela consolidação do setor das redes sociais, o serviço de mensagens curtas de Evan Willians, o empreendedor serial por trás do Blogger, foi o centro das discussões mais infladas não por sua chegada às massas.
Ao contrário do
Orkut em 2005 ou do YouTube em 2006, que chamaram a atenção do mercado
ao mesmo tempo em que dominaram os gráficos de serviços mais acessados do ano, o Twitter ainda se mantém como um site de nicho.
"2008 foi um ano mais do mesmo. Não destacaria nada de excepcional. Nesse contexto, o Twitter cresceu pouco no mundo todo - Estados Unidos, inclusive", relata José Calazans, analista de mídia do Ibope//NetRatings.
Coloquemos a frase de Calazans em contexto: entre os norte-americanos, o Twitter ganhou uma média de 150 mil novos usuários por mês durante o ano, fechando novembro com pouco mais de 2 milhões de usuários freqüentes.
Em um setor com cerca de 200 milhões de internautas,
entre residenciais e corporativos, a cifra é notoriamente baixa e fica
ainda mais espremida entre os 45 milhões de usuários que o MySpace tem e os 29 milhões do seu rival, o Facebook.
No Brasil, os números também não são animadores para a popularidade do Twitter: potencializado por uma campanha no Orkut, que levava usuários incautos a perfis com links maliciosos, o serviço registrou 1 milhão de internautas no ano todo.
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Pelos cálculos do analista, porém, apenas 140 mil podem ser considerados usuários recorrentes do Twitter, e não apenas internautas
que caíram no domínio do serviço, seja por indicação de amigos ou pelos
golpes dentro do Orkut, e nunca mais voltaram para os 140 caracteres.
O que explica, então, a quantidade de discussões geradas sobre e os numerosos holofotes virados para o Twitter durante 2008? O termo em questão não é popularidade, mas sim relevância.
Ainda que institutos de pesquisa (Alexa, HitWise e Compete) apontem para um crescimento além do dobro no tráfego do Twitter
em 2008, o passo da audiência não acompanhou a crescente expectativa
nutrida pelo mercado para 2009 após o serviço tomar medidas que mantém
a tensão para seus próximos passos.
Se não resolveu totalmente, pelo menos o Twitter deixou seus usuários mais tranqüilos
a diminuir bastante seus períodos de instabilidade (ou
indisponibilidade) ao mesmo tempo em que mantém seu crescimento lento.
Deixar o serviço no ar era a necessidade número um.
Ao comprar o Summize em julho, o Twitter
não apenas acrescentou uma ferramenta de busca que realmente funciona,
mas deu ao mercado uma ferramenta em que se é possível rastrear,
praticamente em tempo real, as tendências nas discussões dos usuários.
A assimilação do Summize foi extremamente necessária para o momento mais importante do Twitter
do ano, algo que, infelizmente, esbarra em acontecimentos trágicos. Em
ocasiões como o terremoto na China, os ataques terroristas em Mumbai e as enchentes em Santa Catarina, os primeiros informes surgiram ali, no agrupado de dezenas de usuários que viviam a ação.
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O uso ególatra registado inicialmente no Twitter
(algo pelo qual os blogs passaram e sofreram também) deu lugar a
modelos diferentes de exploração que, como no caso do "jornalismo
cidadão" em notícias de grande impacto, encontraram uma utilidade que
justifica a existência do Twitter, além dos seus relatos íntimos.
Há ainda as empresas, que descobrem (e, lamentavelmente em alguns casos, abandonam na mesma velocidade) cada vez mais como o Twitter pode ser um filão para anunciar vagas de emprego, produtos recém-lançados e conteúdo próprio ou abrir um canal direto de comunicação com seus consumidores.
A importância do Twitter em um ano classificado como "mais do mesmo" por Calazans guarda nessa exata
comparação seu valor: ao invés de novas novidades mirabolantes, o
serviço ganhou atenção por apresentar (até inadvertidamente) novos usos
para sua simples ferramenta.
A alta expectativa ao redor do Twitter
se explica por dois motivos: o modelo de negócios para fazer dinheiro e
negociações para compra do serviço, como uma suposta continuação nas
conversas entre os responsáveis pelo Twitter e o Facebook, encerradas temporariamente em novembro.
Em evento no Churchill Club, em São Francisco, no começo de dezembro, o co-fundador Evan Willians brincou, segundo o Bits, do New York Times: "É bom que as expectativas estejam altas, mas nos dêem um minuto". O Twitter terá o ano todo em 2009 para se decidir.


