Nova lei contra pedofilia online preenche 'lacunas inaceitáveis'
Por Pedro Marques, editor assistente do IDG Now!
Publicada em 12 de novembro de 2008 às 19h05
Atualizada em 12 de novembro de 2008 às 22h16
São Paulo - Para especialistas, Brasil agora vai poder "punir efetivamente" a exploração de crianças e número de prisões deve aumentar.
A aprovação do Projeto de Lei 3773/08 (PDF), que endurece o combate à pedofilia na internet brasileira, preenche uma importante lacuna na legislação nacional e deve levar a mais prisões no país, na avaliação de dois especialistas ouvidos pela reportagem do IDG Now!.
Para Adriana Scordamaglia, procuradora da República em São Paulo e integrante do grupo de combate aos crimes cibernéticos do Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP), "a nova legislação é um grande avanço". "Essa lei transforma em crime condutas como exposição, venda e posse de conteúdo (de pedofilia)", disse a procuradora.
Já Thiago Tavares, presidente da Safernet, associação voltada ao combate à pornografia infantil na internet brasileira, afirma que a falta de tipificação dos crimes "era uma das lacunas inaceitáveis e consistia numa das principais causas da impunidade em relação à pedofilia."
Ele lembra que centenas de agentes da Polícia Federal foram mobilizados nas duas maiores operações contra a pornografia infantil na web, Carrossel 1 e Carrossel 2. No total, foram cumpridos mais de 200 mandados de busca e apreensão, mas apenas duas pessoas foram presas, pois a lei não considerava crime a posse de fotos de pornografia infantil. "Havia farto material, mas não podia dar voz de prisão, porque a posse e o armazenamento não eram considerados crimes", disse Tavares.
Com a aprovação do PL, Tavares acredita que "o Brasil está saindo da água para o vinho". "Agora teremos condição de punir efetivamente esses crimes e as operações policiais agora serão para cumprir mandados de prisão."
A procuradora da República Adriana Scordamaglia também acredita que a lei "será um fator para o aumento da perseguição penal". Ela disse, porém, que "há necessidade de uma participação maior dos provedores de acesso e de serviço com o Ministério Público e a Polícia Federal". A procuradora defende, por exemplo, que os sites "preservem o conteúdo e os dados dos usuários" para que eles possam ser usados como prova.
O PL foi originado no Senado e, com a aprovação na Câmara dos Deputados, depende apenas da sanção presidencial para entrar em vigor. Segundo Tavares, da Safernet, espera-se que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assine a lei até o dia 25 de novembro, quando começa o 3º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que acontece no Riocentro, no Rio de Janeiro. "Assim que o PL for sancionado, o Brasil estará entre os países com legislação mais moderna para combater a pedofilia na internet."
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