Buscapé pede a Reclame Aqui que reveja recomendação negativa
Por Daniela Moreira, editora assistente do IDG Now!
Publicada em 04 de junho de 2008 às 18h57
Atualizada em 25 de junho de 2008 às 12h34
São Paulo - Comparador de preço requer remoção da classificação ‘não recomendado’, sob pena de tomar as ‘medidas judiciais cabíveis’.
O site de comparação de preços Buscapé enviou uma notificação extra-judicial solicitando ao Reclame Aqui, portal onde os internautas podem publicar suas reclamações contra produtos e serviços, que retire a classificação de “não recomendado” atribuída ao seu serviço.
No documento enviado ao Reclame Aqui, ao qual o IDG Now! teve acesso, o Buscapé diz que a recomendação negativa é “descabida” e que não tem “nenhuma responsabilidade sobre as reclamações feitas pelos usuários, por eventuais compras malfadadas”.
Segundo Maurício Vargas, diretor do Reclame Aqui, o Buscapé está listado como “não recomendado” devido à negligência no atendimento ao consumidor. O site registra 188 reclamações diretas contra o comparador de preços, sendo que 156 foram respondidas.
"Ainda não recebemos nenhuma resposta transparente em relação aos critérios para eleger o Itaú como uma das empresas menos recomendadas do País inteiro juntamente com Bradesco, Rede Globo e Correios. Da mesma forma, ainda não nos foram apresentados os critérios e metodologia para a formulação da pesquisa que critica a comparação de preços e sobre a e-bit. Transparência é o mínimo que se deve exigir de alguém que prepara pesquisas sobre um concorrente, vai à imprensa explorar o fato e se diz o PROCON virtual.", declarou o Buscapé em um comunicado ao IDG Now!..
O ranking de empresas não recomendadas se baseia na relação entre o número de reclamações, perguntas não respondidas e satisfação do consumidor com as respostas, explica o Reclame Aqui. O Buscapé aparece em 43º lugar no ranking.
O índice de solução de problemas do site, contudo, está em 37,2%, segundo Vargas. Além das reclamações diretas, consumidores lesados por lojas que deram golpes na web - como Lojas24h, Eletroshop e Polaris - também culpam o comparador pelo golpe do qual foram vítimas, de acordo com o diretor do Reclame Aqui.
“O entendimento é de que, ao apresentar o menor preço, o buscador induz à compra em uma determinada loja”, argumenta o executivo do Reclame Aqui. De acordo com ele, a notificação será respondida pelo jurídico da empresa, mas a classificação negativa não será removida.
A notificação requer a exclusão da classificação de “não recomendado” sob pena de tomar as “medidas judiciais cabíveis”.
O Buscapé esclarece, em seu comunicado, que "apenas perguntou quais seriam os critérios adotados pelo site Reclame Aqui para estar listado como uma Empresa Não Recomendada."
Em seu esclarecimento, o Buscapé ressalta que é totalmente a favor do conteúdo gerado por usuários. "Acreditamos que o acesso à informação é a maior arma do consumidor para uma boa decisão de compra. O usuário nunca foi tão poderoso e bem informado."
A companhia destaca ter sido o primeiro site de busca do Brasil a colocar avaliações sobre suas empresas listadas, contando com quatro formas para que o consumidor avalie uma empresa antes realizar sua compra online: avaliações concedidas por seus usuários, selo de Empresa Reconhecida BuscaPé, Avaliação e-bit e uma relação de Empresas Não Recomendadas.
Desde sua criação, há quase seis anos, o Reclame Aqui já recebeu mais de 920 mil reclamações. O site tem uma média mensal de 550 mil visitantes únicos e mais de 1,4 milhão de consultas realizadas.
Em abril deste ano, o Reclame Aqui divulgou um relatório que apontava que os consumidores culpavam os sites de comparação de preços pelas fraudes das quais foram vítimas.
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