Buscapé pede a Reclame Aqui que reveja recomendação negativa

Daniela Moreira, editora assistente do IDG Now!
04 de junho - 18h57 - Atualizada em 15 de março - 12h33
São Paulo - Comparador de preço requer remoção da classificação ‘não recomendado’, sob pena de tomar as ‘medidas judiciais cabíveis’.

Notícias Relacionadas

O site de comparação de preços Buscapé enviou uma notificação extra-judicial solicitando ao Reclame Aqui, portal onde os internautas podem publicar suas reclamações contra produtos e serviços, que retire a classificação de “não recomendado” atribuída ao seu serviço.

No documento enviado ao Reclame Aqui, ao qual o IDG Now! teve acesso, o Buscapé diz que a recomendação negativa é “descabida” e que não tem “nenhuma responsabilidade sobre as reclamações feitas pelos usuários, por eventuais compras malfadadas”.

Segundo Maurício Vargas, diretor do Reclame Aqui, o Buscapé está listado como “não recomendado” devido à negligência no atendimento ao consumidor. O site registra 188 reclamações diretas contra o comparador de preços, sendo que 156 foram respondidas.

"Ainda não recebemos nenhuma resposta transparente em relação aos critérios para eleger o Itaú como uma das empresas menos recomendadas do País inteiro juntamente com Bradesco, Rede Globo e Correios. Da mesma forma, ainda não nos foram apresentados os critérios e metodologia para a formulação da pesquisa que critica a comparação de preços e sobre a e-bit. Transparência é o mínimo que se deve exigir de alguém que prepara pesquisas sobre um concorrente, vai à imprensa explorar o fato e se diz o PROCON virtual.", declarou o Buscapé em um comunicado ao IDG Now!..

O ranking de empresas não recomendadas se baseia na relação entre o número de reclamações, perguntas não respondidas e satisfação do consumidor com as respostas, explica o Reclame Aqui. O Buscapé aparece em 43º lugar no ranking.

O índice de solução de problemas do site, contudo, está em 37,2%, segundo Vargas. Além das reclamações diretas, consumidores lesados por lojas que deram golpes na web - como Lojas24h, Eletroshop e Polaris - também culpam o comparador pelo golpe do qual foram vítimas, de acordo com o diretor do Reclame Aqui.

“O entendimento é de que, ao apresentar o menor preço, o buscador induz à compra em uma determinada loja”, argumenta o executivo do Reclame Aqui. De acordo com ele, a notificação será respondida pelo jurídico da empresa, mas a classificação negativa não será removida.

A notificação requer a exclusão da classificação de “não recomendado” sob pena de tomar as “medidas judiciais cabíveis”.

O Buscapé esclarece, em seu comunicado, que "apenas perguntou quais seriam os critérios adotados pelo site Reclame Aqui para estar listado como uma Empresa Não Recomendada."

Em seu esclarecimento, o Buscapé ressalta que é totalmente a favor do conteúdo gerado por usuários. "Acreditamos que o acesso à informação é a maior arma do consumidor para uma boa decisão de compra. O usuário nunca foi tão poderoso e bem informado."

A companhia destaca ter sido o primeiro site de busca do Brasil a colocar avaliações sobre suas empresas listadas, contando com quatro formas para que o consumidor avalie uma empresa antes realizar sua compra online: avaliações concedidas por seus usuários, selo de Empresa Reconhecida BuscaPé,  Avaliação e-bit e uma relação de Empresas Não Recomendadas.

Desde sua criação, há quase seis anos, o Reclame Aqui já recebeu mais de 920 mil reclamações. O site tem uma média mensal de 550 mil visitantes únicos e mais de 1,4 milhão de consultas realizadas.

Em abril deste ano, o Reclame Aqui divulgou um relatório que apontava que os consumidores culpavam os sites de comparação de preços pelas fraudes das quais foram vítimas.