Desconectado: 2 dias na vida de um brasileiro sem internet e celular
Por Daniela González, repórter do IDG Now!
Publicada em 30 de abril de 2008 às 07h00
Atualizada em 07 de maio de 2008 às 10h17
16h30 – "Vai no Google"
Para o mesmo atendente da livraria, Gabo leu a frase da lista de desafios que deveria encontrar no final de um livro e disse que precisava saber quem era o seu autor e qual obra ela encerrava. Imediatamente, ele respondeu: “Por que você não procura no Google?”. Explicada a situação, o atendente ligou para outro funcionário, graduado em letras, para tentar obter alguma pista. A pessoa sugeriu: “Vai no Google”.
Quando percebeu que sua única ajuda viria da ferramenta de buscas da internet, o fotógrafo resolveu solucionar o problema sozinho. “Marquei alguns autores que imaginava que poderiam usar esse tipo de linguagem. Cheguei a pensar até em Proust, mas me foquei em Gabriel García Márquez e Jorge Amado”, explica Gabo. Ele começou a abrir aleatoriamente a última página de livros que estavam na prateleira de literatura estrangeira. “Vi Melville, vi todos do Proust, fui olhando livros sem parar.”
“Perguntei onde ficava o Gabriel García Márquez e, de acordo com a catalogação da Livraria Cultura, ele está próximo dos escritores nacionais. Portanto, no meio do caminho, parei para procurar nos livros do Nelson Rodrigues, do Jorge Amado e do Rubem Fonseca”, conta. Na mesma estante estava Benjamim, de Chico Buarque, que ele pegou, checou a última página, devolveu ao seu devido lugar e, em “uma atitude automática”, puxou Budapeste da prateleira.
“Já estava acostumado a scannear simplesmente o fim em busca de algumas palavras, como ‘leite’, ‘água’, ‘blusa’ principalmente e assim que li ‘leite’ ali eu tive um baque, nem continuei lendo. Vi leite e falei pronto, já é esse. E foi assim que acabei descobrindo, por pura sorte”, ele diz.
18h – Descobrir as manchetes de seis jornais
Ainda na livraria, ele conseguiu verificar a manchete do jornal OESP – a da Folha ele conferira em casa, porque é assinante. Para checar as outras manchetes, nos dirigimos às bancas de revistas da avenida Paulista. O jornal Valor e O Globo foram facilmente encontrados, mas os dois outros estrangeiros não existiam em nenhuma delas.
Gabo questionou o dono de uma das bancas sobre como podia obter um exemplar do New York Times e do Wall Street Journal. Segundo o jornaleiro, eles só são vendidos por encomenda ou em aeroportos. Ele disse, inclusive, que havia chances de poder comprá-los apenas dentro da área de embarque. “Ou seja, existe a possibilidade de eu ter que comprar uma passagem para ler o WSJ! Compro uma passagem para Nova York, daí eu posso passar uma semana lá lendo todo dia. Quer dizer, sem internet não dá!”, diverte-se Gabo.
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