Classe C: o poder que a maior camada social do Brasil terá na internet
Por Guilherme Felitti, editor-assistente do IDG Now!
Publicada em 25 de abril de 2008 às 07h00
Atualizada em 30 de abril de 2008 às 14h52
Com terreno fértil pela estabilidade econômica, a adoção de computadores, motivada pelo programa Computador para Todos, foi recorde em 2007, com 10,7 milhões de PCs vendidos no Brasil, número maior que as 10 milhões de TV vendidas no mesmo período.
“Com certeza, são 6 milhões de clientes potenciais a mais passando por sua loja”, exemplifica Franck Vignard-Rosez, diretor executivo de marketing, parcerias e novos negócios da Cetelem Brasil. “É irreversível”, sintetiza.
Para Ari Meneghini, diretor executivo da Internet Advertising Bureau (IAB) Brasil, os milhões de novos internautas dão massa crítica para que grandes marcas que antes ignoravam a internet (a rede Casas Bahia é o principal exemplo deste grupo) comecem a se movimentar para não perder na web uma clientela do varejo tradicional.
“A internet vai ter que conversar com estas pessoas. O site do varejista precisa usar o linguajar e as referências daquela pessoa”, explica Mariana Balboni, gerente do Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br). “A rede é muito rebuscada. É preciso trazer o universo da população de baixa renda e criar conteúdos com a mesma referência", detalha.
Além da linguagem, há possíveis assimilações digitais de
processos que a camada social vem enfrentando nos últimos anos, como a expansão
do crédito.
“A maior mudança será o crédito. Esta classe social precisa
dele para consumir e hoje são poucas as empresas capazes de oferecer isto de
maneira online”, discorre Meneghini.
A renda média disponível por que afirmou à Cetelem que
pretende usar a internet para buscar informações de produtos caiu
vertiginosamente de 1.041 reais em 2005 para 399 reais dois anos depois.
A “culpa” está, de novo, na integração de milhões de novos
consumidores que não contam com a parruda média das classes A e B, o que leva
os analistas a considerarem o escorregão no conceito “uma queda boa”.
Ainda que seja a mais representativa, a renda média para informações não está
sozinha – o faturamento médio de quem compra online caiu da média de 4 mil
reais em 2005 para 3,6 mil reais em 2007.
A queda indica que alguns dos novos internautas já estão virando consumidores
digitais, muito embora o
gap a ser vencido ainda seja gigantesco – apenas 5% dos brasileiros
compraram algo online em 2007, diz a consultoria.
Os 95% que ainda não realizaram compras pela internet fazem com que o potencial
do e-commerce brasileiro nos próximos anos se transforme em ouro puro para
empresas do varejo, estejam elas na internet ou ainda não.
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