Em CPI, presidente do Google assume desafio de 'limpar' Orkut

Redação do IDG Now!*
09 de abril - 16h00 - Atualizada em 15 de março - 12h06
Brasília - Uma das saídas é apelar para que os próprios integrantes da rede social reportem crimes à empresa, diz Alexandre Hohagen.

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O presidente do Google Brasil, Alexandre Hohagen, disse nesta quarta-feira (09/04), durante a CPI da Pedofilia no Senado, que deve aumentar o empenho em fazer com que o Orkut seja um ambiente saudável de relacionamento, livre da presença de conteúdos abusivos e ilícitos.

Conforme antecipado pelo IDG Now!, a subsidiária brasileira assumiu diante dos senadores uma série de compromissos para avançar no combate à pedofilia na rede social.

As medidas incluem aumentar o prazo de manutenção de logs na rede social dos atuais 30 dias para 180 dias; desenvolver filtros para impedir upload de material ilícito; colaborar em acordos de cooperação internacional para o combate a conteúdos ilícitos; e implementar uma solução de software, hardware e pessoas que permitirá ao Google Brasil atender a todas as requisições de autoridades brasileiras mais rapidamente.

Hohagen adiantou que as ferramentas serão implementadas até o início de junho. Segundo o executivo, o crescimento do Orkut foi vertiginoso no Brasil - hoje são 27 milhões de brasileiros com páginas na rede social.

Uma das saídas para o problema dos crimes na rede social, segundo ele, é apelar para que os próprios integrantes da rede de relacionados reportem à empresa, por meio de ferramenta oferecida pelos gestores, fatos que se caracterizem como crimes. Ele disse que cerca de 0,4% das denúncias dizem respeito a crimes contra crianças.

"Esse número não nos deixa felizes ou honrados, mas mostra que o problema é bastante especifico e deve ser tratado sem que afete os vinte sete milhões de usuários", destacou Hohagen.

Ele disse ainda que a empresa tem respondido às ordens judiciais que recebe e a requerimentos feitos pelas autoridades relacionados a crimes no Orkut.
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No entanto, o procurador da República no estado de São Paulo Sérgio Suiama, contrariou essa afirmação em seu depoimento. Ele denunciou a estratégia adotada pela Google para deixar de responder pelos crimes cometidos no Orkut no Brasil.

Segundo ele, a matriz situada na Califórnia passou a sustentar a tese de que a filial brasileira responde apenas por operações comerciais. Assim, estaria isenta de responder às ordens judiciais para prestar informações sobre crimes cometidos por usuários brasileiros, com o endereçamento de todos os pedidos aos Estados Unidos. 

Suiama afirmou ainda que a empresa vinha tendo "postura pouco negociável" com relação ao problema dos crimes - entre os quais a veiculação de pornografia infantil. Salientou que a criação da CPI começa a mudar essa posição inflexível da empresa. O procurador observou que os crimes cometidos por usuários no Brasil são nacionais e que a filial brasileira deve responder por eles.

Em resposta, o presidente do Google afirmou que a empresa está comprometida com um esforço “extra” de colaboração que envolverá encontrar os criminosos, prover as evidências, prevenir os crimes e definir quais são as ferramentas de cooperação junto a ONGs especializadas no tema.

“Nós avançamos muito na tecnologia, mas estamos emperrados em questões jurídicas”, reconheceu Hohagen. “Chegou a hora de assinar os acordos necessários para fazer com que as entidades possam eliminar esse crime horroroso”, ele acrescentou.
*Com informações da Agência Senado.