China bloqueia Google News e YouTube para abafar crise no Tibete

IDG News Service/Taipé
17 de março - 16h30 - Atualizada em 15 de março - 14h39
Taipé - Acesso aos serviços foi bloqueado pelo governo para impedir a divulgação de vídeos sobre manifestações em cidades do Tibete.

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A China bloqueou o acesso aos serviços Google News e YouTube em uma aparente tentativa de impedir a divulgação de vídeos sobre os tumultuos ocorridos em diversas cidades do Tibete, incluindo a capital Lhasa. As manifestações tiveram início em 10 de março, dia em que é comemorado um levante, em 1959, contra a opressão do governo chinês e que marca a partida do líder espititual, Dalai Lama, para a Índia.

O governo chinês argumenta que o Dalai Lama é culpado pela revolta no país, que causou a morte de 13 civis, acrescentando que a polícia e as forças de segurança locais também foram prejudicadas.

Em um vídeo publicado recentemente em seu web site, o Dalai Lama negou envolvimento nas manifestações, e declarou "não ter poder para interromper isso."

"Se o governo chinês admitir ou não, existe um problema" ele disse. "A nação tibetana, uma nação com uma antiga herança cultural, está de fato morrendo."

A decisão da China em bloquear vídeos sobre as manifestações no Tibete é similar à censura aplicada aos protestos em Mianmar. Em setembro, os internautas locais foram impedidos de visualizar fotos e vídeos ou enviá-los para fora do país.

O Google informou  que tem conhecimento das reportagens de usuários sem acesso ao YouTube na China. "Estamos avaliando a questão e trabalhando para assegurar que o serviço seja restabelecido o quanto antes possível", disse um porta-voz do YouTube em um comunicado.
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"Acreditamos que o YouTube oferece aos cidadãos uma visão do mundo em uma janela vital de suas culturas e sociedades às quais não deveria ser negado o acesso a informações em vídeo", diz o comunicado.

O Google não respondeu questões adicionais sobre o envolvimento no bloqueio ou seu apoio a governos que restringem o acesso à internet. A empresa apenas comentou sobre o bloqueio do YouTube, sem mencionar problemas com o acesso ao serviço Google News, na China.

Demonstrações pacíficas são mostradas em dois vídeos no YouTube, publicados pelo usuário Amdo2007. O primeiro vídeo mostra um encontro público, incluindo monges tibetanos, enquanto o segundo vídeo parece mostrar uma marcha pacífica.

Outros vídeos, incluindo um de Amdo2007, foram "assinalados pela comunidade de usuários do YouTube" para permitir acesso apenas a maiores de 18 anos. As cenas incluem corpos nas ruas, protestantes jogando pedras em veículos do exército chinês, entre outras imagens. O tema recebeu mais de 80 mil visitas até o momento.

A mídia local e a internacional mostraram cenas de edifícios queimando e multidões invadindo lojas. Algumas emissoras como a BBC, coletaram fotos e outras contribuiçõs de turistas que estão no Tibete.

A imprensa internacional foi banida do Tibete, segundo um vídeo da CNN. A emissora informou que sua equipe foi barrada para fazer a cobertura local. Os órgãos de imprensa da China são controlados pelo governo.

Dan Nystedt, IDG News Service, Taipé