PC popular e LAN houses conduzem inclusão digital em 2007, aponta NIC.br
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 14 de março de 2008 às 15h27
Atualizada em 25 de março de 2008 às 12h32
São Paulo - LAN houses se tornam principal meio de conexão no país, refletindo maior acesso entre classes D e E fora do eixo Rio/São Paulo, diz NIC.br.
O perfil do usuário médio de internet no Brasil ainda é o mesmo, mas vem sofrendo uma profunda alteração nos últimos meses.
A partir de 2007, impulsionado pelo programa Computador para Todos e pela explosão das LAN houses no mercado brasileiro, internautas de classes mais baixas, com idade até os 30 anos e em regiões afastadas do eixo Rio/São Paulo começam a se tornar mais populares em um conjunto dominado pela classes A e B no Sul e Sudeste.
A conclusão permeia a pesquisa TIC Domicílios 2007, divulgada nesta sexta-feira (14/03) pelo Núcleo de Informação e Coordenação (NIC.br), ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), terceira versão do estudo conduzido entre 17 mil domicílios pela consultoria Ipsos.
A popularização de PCs, que chegaram às classes C e D por meio da isenção dos impostos PIS/COFINS e pelo crédito oferecido pelo Governo dentro do "Computador para Todos", teve reflexo direto na taxa de brasileiros que já usaram um micro na vida, que chegou a 53% em 2007. Pela primeira vez, o índice ficou à frente do relativo aos brasileiros que nunca usaram PC, que caiu de 54% em 2006 para 40% no ano passado.
Ainda que tenha experimentado aumento de 8 pontos percentuais, a relação de brasileiros que já usaram a internet (41%) ainda fica atrás daqueles que nunca tiveram acesso (59%), o que, para Rogério Santanna, secretário de logística e TI do Ministério do Planejamento, indica a relação que os dados do TIC 2007 têm entre acesso a PCs e internet no Brasil com educação e renda.
O principal indicativo da relação aparece na ascensão das LAN houses, classificadas como centros de acesso públicos pago pelo NIC.br, como principal ponto de acesso à internet no Brasil, com 49% de participação entre os entrevistados, passando conexões domésticas (40%), no trabalho (24%) ou na escola (15%), todos praticamente estáveis em relação a 2006.
Enquanto os três últimos tipos de acesso à internet se mantiveram estáveis, o uso da LAN houses como ponto de conexão subiu 19 pontos percentuais em relação ao ano anterior, potencializado por um perfil novo de internauta no Brasil, aponta Mariana Balboni, gerente do Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br).
Enquanto nas pesquisas anteriores eram as classes A e B as responsáveis pelo crescimento geral no acesso à internet, 2007 se caracterizou pela dominação de públicos mais pobres e jovens no Norte e Nordeste do país.
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