A internet ajuda a combater a corrupção?
Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
Publicada em 10 de março de 2008 às 07h00
Atualizada em 28 de junho de 2009 às 15h41
São Paulo - Abertura de contas na web permite maior fiscalização do poder público.
Com uma bagagem de mais 20 anos de profissão, a jornalista Sônia Filgueiras não hesita em afirmar que as coisas mudaram para melhor com a chegada da internet quando o assunto é combate à corrupção. Ela pode falar com propriedade. Foi na grande rede que Sônia garimpou os dados que deram sustentação à perimeira reportagem que denunciou que os gastos do governo federal com cartões corporativos dobraram no ano de 2007.
O que começou com uma checagem de dados que estavam abertos a qualquer interessado, no Portal da Transparência do governo federal, evolui para um a reportagem que desencadeou uma série de denúncias, investigações e culminou em uma renúncia ministerial e na abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a questão.
O episódio dos cartões corporativos é apenas um exemplo que ilustra o poder da internet como ferramenta de combate à corrupção. Trata-se do único meio capaz de tornar acessíveis dados de todos os órgãos federais, estaduais e municipais, a qualquer hora e partir de qualquer lugar onde existir um computador com conexão à grande rede.
Isso não significa, contudo, que este potencial ilimitado seja de fato realizado. De acordo com os especialistas no assunto, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer no quesito transparência.
O consenso é de que a esfera federal está muito mais avançada que os estados e municípios quando se trata de prestar contas na internet - o Portal da Transparência, por exemplo, é um instrumento federal. “O governo federal sofre pressão de atores de maior peso, portanto acaba cedendo mais neste aspecto”, acredita Sônia.
Os estudos realizados por Oscar Sanchez, doutor em Ciência Política, sobre o processo de modernização dos sistemas de controle do Estado de São Paulo, confirmam este diagnóstico. De acordo com o cientista político, desde a administração de Mário Covas houve pouco avanço na implementação de mecanismos de fiscalização das contas públicas.
“Não se trata de uma limitação tecnológica. Esses dados estão disponíveis em sistemas internos, só precisam ser publicados”, ele relata.
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