Órgão de defesa do consumidor comprova limitação de BitTorrent por provedor
Por Redação do IDG Now!
Publicada em 03 de dezembro de 2007 às 11h42
Atualizada em 03 de dezembro de 2007 às 17h18
São Paulo - Comissão Federal de Comunicações usa rastreador para comprovar que redes torrent são alvo de perda de pacotes em conexões da Comcast.
A Comissão Federal de Comunicações (da sigla em inglês, FCC), organização nos Estados Unidos responsável por defender os direitos de consumidores em relação a questões eletrônicas e digitais, divulgou estudo na última semana apresentando provas sobre a interferência da provedora Comcast nas redes P2P acessadas por seus clientes, prática conhecida como "traffic shapping".
Realizado a pedido do movimento SaveTheInternet, o estudo usou um rastreador de pacotes chamado Wireshark para determinar que a conexão da provedora, ao baixar e oferecer livros em domínio público por serviços BitTorrent, reiniciava o envio e recebimento de pacotes TCP após determinado momento, impossibilitando o download de conteúdo pela velocidade plena adquirida pelo cliente.
"Consideramos a possibilidade de que outros provedores pudessem estar envolvidos nesta intermediação e testamos conexões oferecidas por outras empresas, como Sonic, AT&T e provedores internacionais. Em uma série de testes, observamos apenas irregularidades em conexões de clientes da Comcast", afirma o estudo (em PDF), conduzido por Peter Eckersley, Fred von Lohmann e Seth Schoen.
Segundo a análise, a Comcast instalou o programa que vem interferindo com a conexão de seus consumidores perto de maio de 2007, mesmo mês em que o FCC começou a receber as primeiras reclamações de usuários sobre a deficiência no tráfego, algo que a Comcast negou ao afirmar que a empresa "não bloqueia qualquer aplicação ou protocolo".
Suspeito de ser aplicado também por provedores brasileiros, mas ainda sem qualquer prova, o "traffic shapping" é uma estratégia usada pelas empresas para diminuir o consumo de banda por alguns de seus clientes "heavy-users", que usam a conexão para baixar conteúdo multimídia muitas vezes de maneira ilegal.
Os provedores acusados pelo movimento Abusar negam as acusações do movimento.
Para explicar as conseqüências da estratégia da Comcast, a FCC comparou o "traffic shapping" a ações de crackers, se comportando "essencialmente como uma operadora de telefonia que interrompe uma ligação imitando a voz do interlocutor para avisar ao outro que 'a ligação terminou, estou desligando'".
Mesmo com as evidências, a FCC não revelou se pretender iniciar uma ação legal contra a provedora norte-americana.
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