Órgão de defesa do consumidor comprova limitação de BitTorrent por provedor
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A Comissão Federal de Comunicações (da sigla em inglês, FCC), organização nos Estados Unidos responsável por defender os direitos de consumidores em relação a questões eletrônicas e digitais, divulgou estudo na última semana apresentando provas sobre a interferência da provedora Comcast nas redes P2P acessadas por seus clientes, prática conhecida como "traffic shapping".
Realizado a pedido do movimento SaveTheInternet, o estudo usou um rastreador de pacotes chamado Wireshark para determinar que a conexão da provedora, ao baixar e oferecer livros em domínio público por serviços BitTorrent, reiniciava o envio e recebimento de pacotes TCP após determinado momento, impossibilitando o download de conteúdo pela velocidade plena adquirida pelo cliente.
"Consideramos a possibilidade de que outros provedores pudessem estar envolvidos nesta intermediação e testamos conexões oferecidas por outras empresas, como Sonic, AT&T e provedores internacionais. Em uma série de testes, observamos apenas irregularidades em conexões de clientes da Comcast", afirma o estudo (em PDF), conduzido por Peter Eckersley, Fred von Lohmann e Seth Schoen.
Segundo a análise, a Comcast instalou o programa que vem interferindo com a conexão de seus consumidores perto de maio de 2007, mesmo mês em que o FCC começou a receber as primeiras reclamações de usuários sobre a deficiência no tráfego, algo que a Comcast negou ao afirmar que a empresa "não bloqueia qualquer aplicação ou protocolo".
Suspeito de ser aplicado também por provedores brasileiros, mas ainda sem qualquer prova, o "traffic shapping" é uma estratégia usada pelas empresas para diminuir o consumo de banda por alguns de seus clientes "heavy-users", que usam a conexão para baixar conteúdo multimídia muitas vezes de maneira ilegal.
Os provedores acusados pelo movimento Abusar negam as acusações do movimento.
Para explicar as conseqüências da estratégia da Comcast, a FCC comparou o "traffic shapping" a ações de crackers, se comportando "essencialmente como uma operadora de telefonia que interrompe uma ligação imitando a voz do interlocutor para avisar ao outro que 'a ligação terminou, estou desligando'".
Mesmo com as evidências, a FCC não revelou se pretender iniciar uma ação legal contra a provedora norte-americana.









