Pai da Web propõe padrões abertos entres redes sociais por Web Semântica
Por Redação do IDG Now!*
Publicada em 23 de novembro de 2007 às 15h43
Atualizada em 13 de maio de 2008 às 12h59
São Paulo - Tim Berners-Lee explica mudança de foco online dos documentos para relações sociais e propõe padrão aberto que viabilizaria Social Graph.
Pode até parecer contraditório que o britânico Tim Berners-Lee escreva um post em seu blog defendendo que sua criação, o protocolo World Wide Web que permite que você leia esta notícia ou navegue pela internet, saia do foco da atenção de desenvolvedores, webdesigners e usuários e dê espaço ao conceito de Social Graph.
Mas não é. Em rara atualização no seu blog dentro do Decentralized Information Group, Berners-Lee usou como exemplo a evolução no conceito de importância que sustenta a internet para defender a introdução de padrões abertos em serviços online, notoriamente redes sociais, que permitam que internautas possam gerenciar seus dados conforme sua vontade.
A evolução da internet, segundo explica o pesquisador, começou seu desenvolvimento centrado primeiramente na capacidade de computadores se conectarem para que aplicações usassem a rede de micros interconectados para envio de mensagens sem a necessidade de um servidor central responsável.
Em um segundo momento, chegou-se à conclusão que o importante não era a máquina, mas sim os documentos que poderiam ser encontrados na rede que importavam, o que levou á aplicação prática e conseqüente popularização da World Wide Web.
Atualmente, continua Berners-Lee, "existe a conclusão de que não são os documentos, mas sim sobre o que eles tratam que importa. Óbvio, de verdade", citando que biológos estão interessados em drogas, empreendedores em vendas e todos nós em amigos, família e colegas.
"Existem muitos posts em blogs sobre a total frustração de, enquanto você tem um grupo de amigos, a Web lhe ofereça documentos separados sobre eles. Um no Facebook, um no LinkedIn, um no LiveJournal, um no Advogato e por aí vai. Os serviços e documentos separados são de fato sobre a mesma coisa - mas o sistema não sabe sobre isto", explica.
Em seu post, Berners-Lee não cita ou comenta a plataforma OpenSocial, apresentada pelo Google para tentar solucionar o problema de conexão entre diferentes redes sociais.
A solução para Berner-Lee estaria na implementação de padrões abertos por todos os serviços que relacionam a estrutura social do usuário, conhecida tecnicamente como Social Graph, para que houvesse o reconhecimento automático de amigos, familiares e colegas do internauta quando a inscrição em um novo serviço fosse feita, o que ele chamou de Giant Global Graph, em referência direta à sua WWW, em substituição à expressão Web Semântica proposta pelo próprio pesquisador.
"Nós temos a tecnologia - é a tecnologia da Web Semântica, começando com (as especificações) RDF OWL e SPARQL. Não são funções mágicas, mas ferramentas que nos permitem nos libertar da camada de documentos (da atual internet). Se uma rede social usa um formato comum para expressar que eu conheço o (pesquisador de Web Semântica no W3C) Dan Brickley, então qualquer outro site ou programa pode usar o dado para me dar um serviço melhor", explica.
"Quando eu marco um vôo é nele que estou interessado, não na página do vôo, no site do meu destino ou no site da companhia aérea, mas nos dados do próprio vôo. É isto que eu pretendo salvar. E independente do aparelho que eu use para acessar os dados guardados, telefone ou parede do escritório, ele reproduzirá uma visão apropriada à situação da integração de diversas fontes mostrando tudo o que sei sobre o vôo. (...) A reserva e o próprio vôo serão os fatores primários para que eu me preocupe, enquanto os sites envolvidos serão secundários", diz.
O lado menos agradável do novo sistema proposta por Berners-Lee para compartilhamento de dados, segundo ele, seria a perda de controle, argumento rebatido usando a natureza da própria rede. "Na verdade, a cada camada - Net, Web ou Graph - cedemos um pouco de controle em nome de benefícios maiores".
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