Nos EUA, Gilberto Gil prega cultura do remix e Creative Commons
Por IDG News Service/EUA
Publicada em 27 de setembro de 2007 às 19h41
Atualizada em 28 de setembro de 2007 às 11h24
Cambridge - Em palestra no Technology Review EmTech, Gil volta a ligar a idéia de inclusão digital com a criação de conteúdo online.
Em palestra proferida durante a conferência Technology Review EmTech nesta quinta-feira (27/09), o música e Ministro da Cultura Gilberto Gil voltou a defender que a real inclusão digital passa pela criação de conteúdo multimídia na internet e classificou o movimento de software livre e a cultura do remix de motores do progresso.
A idéia marxista de entregar os meios de produção às massas agora significa dar-lhes acesso tanto à internet em banda larga como a ferramentas de criação e permitir que o público participe em economias e indústrias que estão sendo corroídas pela tecnologia.
A abordagem do Creative Commons frente à propriedade intelectual promove inovações ao promover algo que Gil chamou de cultura do remix, impulsionando o futuro da arte e da intelectualidade, segundo ele.
"Criatividade e desenvolvimento da ciência e das artes sempre foram relacionadas à liberdade de acesso", afirmou Gil em um informal encontro com jornalistas depois de seus discurso.
Gil classificou o que chamou de decisões conservadoras de alguns governos e corporações sobre questões que envolvem propriedade intelectual como obstáculos momentâneos, afirmando que "o progresso está sempre ameaçando o status quo".
Enquanto o governo brasileiro não se limita a tratar de questões sobre propriedade intelectual sem aplicar preceitos do Creative Commons, também está tentando influenciar os pensamentos de novas leis sobre direitos que englobem a era digital, em particular que tratem de menores restrições em economias em desenvolvimento, afirma Gil.
Uma maneira prática de dar às pessoas acesso aos meios de produção são os "hotspots culturais", estações de trabalho multimídia que o Ministério da Cultura está montando pelo Brasil com acesso gratuito em banda larga.
Este aspecto da conectividade, do chamado "indivíduo coletivo" como Gil classifica, é importante a ajuda brasileiros a se reconectarem ao que chamou de "diversidade cultural perdida", chegando a atingir até tribos amazônicas que podem gravar rituais e músicas com o programa.
Durante o evento, Gil classificou o projeto One Laptop per Child como revolucionário e falou com orgulho sobre as escolas brasileiras que vêm testando três tipos de notebooks educacionais. A licitação para escolher a plataforma que será usada nos colégios em 2008 está marcada para outubro.
O ministro também apontou dificuldades de interesses e infra-estrutura para avançar com o projeto de banda larga sem fio, feita com a implementação de redes WiMax. Muitos municípios decidiram avançar com suas redes Wi-Fi, mas o grupo de prefeitos está pressionando o governo para a implementação da tecnologia, segundo assessores de Gil.
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