Harry Potter e o fenômeno da napsterização do mercado de livros
Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
Publicada em 30 de agosto de 2007 às 07h00
Atualizada em 31 de agosto de 2007 às 11h58
Neste cenário, a internet desponta não como problema, mas como solução. Uma das alternativas para combater as cópias ilegais é a venda fragmentada de obras. É o que propõe o projeto Pasta do Professor, inaugurado no início deste semestre letivo pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR).
O projeto prevê a criação de pastas virtuais com as bibliografias exigidas por cada disciplina - no modelo que já comum nos centros de cópias das universidades hoje -, onde serão postadas versões digitais dos trechos exigidos pelo professor. Em um ponto físico na faculdade, o aluno poderá comprar os trechos impressos, substituindo as cópias ilegais por exemplares legítimos.
O alvo são os alunos que precisam apenas de parte dos livros e que não são atendidos pelo mercado editorial hoje, segundo Bruno de Carli, porta-voz da ABDR, que reúne diversas editoras do ramo de livros técnicos e científicos. “Nós vendemos litros, quando o consumidor quer comprar 100ml”, compara o executivo.
O diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas e chairman da iCommons, Ronaldo Lemos, conta que em 2002 a faculdade procurou as editoras para propor este tipo de acordo, sem sucesso. “Já chega tarde”, aponta. Autor do livro "Direito, Tecnologia e Cultura", que está integralmente disponível na web, Lemos conta que a versão online tem, em média, quatro vezes menos downloads do que o número de unidades físicas vendidas.
Não é só na área acadêmica que os e-books ainda não se configuram como uma ameaça para a indústria. Basta lembrar que quase todos os best sellers do momento podem ser baixados na web - o que não chega a afetar, contudo, seu desempenho nas prateleiras. Voltando ao exemplo da pottermania, a própria comunidade que traduziu o último Harry Potter recomenda na página inicial: “Comprem o livro em novembro!”.
A franquia é outro ótimo exemplo para ilustrar como os efeitos da pirataria digital ainda são diminutos. Todos os livros do bruxo estão disponíveis integralmente na web - desde o primeiro até o sétimo -, o que não impediu que a série batesse recorde após recorde de vendas, acumulando mais de 350 milhões de exemplares vendidos. A editora Rocco, que publica a série no Brasil, já se manifestou dizendo que não vai processar o grupo que traduziu o último livro.
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