Justiça Federal já recebeu 233 pedidos de quebra de sigilo do Orkut
No período de janeiro de 2006 a junho de 2007, o Google retirou do ar 52,2% das comunidades de pedofilia denunciadas no Orkut, sendo que 15,3% foram retiradas pelos próprios usuários e 32,4% ainda permanecem ativas. "No entanto, mais de 50% das páginas com conteúdo de ódio, violência e discriminação permanecem disponíveis no Orkut", observa Thiago Tavares, presidente da Safernet Brasil.
Na prática, o MPF-SP, que recebe as denúncias, alega que as investigações sobre crimes no Orkut ainda são bastante dificultadas por fatores como o envio de dados incompletos, a falta de preservação de provas, especialmente de imagens, e a ausência de contato direto com o Google Brasil - até o momento, segundo o Google, as denúncias de crimes virtuais são responsabilidade do Google Inc..
"A empresa informou que não está preservando imagens de páginas criminosas no Orkut. Desta forma, está assegurando a impunidade do pedófilo", declarou o Procurador da República, Sérgio Gardenghi Suiama, em encontro com a imprensa realizado hoje. "O mínimo que esperávamos era um diálogo mais responsável e mais permanente da empresa com o MPF", afirma o procurador.
MPF-SP versus Google Brasil
A representação encaminhada ao MPF-SP ainda inclui a solicitação de informações ao Google Inc. sobre quantos e quais casos de pornografia infantil foram reportados ao Centro Nacional de Crianças Desaparecidas ou Exploradas (NCMEC), conforme determina a lei federal norte-americana Victim of Childhood Abuse Act.
De janeiro de 2006 a julho deste ano, a Safernet coletou 45.941 páginas diferentes acusadas de prática de crimes contra os direitos humanos na internet, sendo 93,7% relativos a comunidades e perfis no Orkut.
O crime mais denunciado entre as comunidades, em 39,8% dos casos, refere-se à distribuição de pornografia infantil, seguido por comunidades de apologia e incitação a crimes contra a vida, que representam 28,15% das denúncias.
Em novembro de 2005, o MPF-SP firmou acordos de colaboração com provedores de acesso à internet - incluindo Terra, iG, Click 21, UOL - para manter o procedimento de encaminhamento de denúncias e quebra de sigilo de criminosos online.
Na terça-feira (21/08), a Polícia Federal cumpriu uma ordem judicial de prisão preventiva de um empresário, em Osasco (SP), pela transmissão de vídeos de abuso sexual que cometeu contra a filha, então com 9 anos de idade. O caso vinha sendo investigado pelo MPF-SP desde outubro de 2004 e contou com a colaboração do MSN Brasil, informou a procuradora da república Adriana Scordamaglia, responsável pela investigação no MPF-SP.
O acusado será processado por atentado violento ao pudor e pela divulgação de imagens de pornografia infantil na internet. A pena, segundo a procuradora, pode variar de seis a dez anos de prisão.
Procurado pela redação do IDG Now!, o Google Brasil, respondeu que não vai se manifestar sobre o assunto.
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