Lemos, Gandour e Coutinho rejeitam controle por estímulo para usuários
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 09 de agosto de 2007 às 17h54
Atualizada em 09 de agosto de 2007 às 17h56
São Paulo - Advogado da FGV-RJ, diretor do Ibope e gerente de novos negócios da IBM divergem sobre Second Life e modelos de negócios online.
No lugar de controle, estímulo.
Em um debate marcado pela informalidade, Fábio Gandour, gerente de novos negócios da IBM, Ronaldo Lemos, advogado da FGV-RJ especializado em direito digital, e Marcelo Coutinho, diretor-executivo do IBOPE Inteligência, exaltaram a necessidade de empresas respeitarem não apenas a liberdade do usuário, mas dos modelos genuinamente forjados na internet.
O encontro entre os três fez parte do primeiro painel Mash-Up do evento Digital Age 2.0, organizado pelo IDG Brasil junto à JumpEducation.
Apoiado pelos dados do Ibope, Coutinho abriu o debate provocando grandes empresas que se limitam a replicar no Brasil modelos de negócios para internet com sucesso em outros mercados, além de apontar que, ferramentas de publicação online já mudaram a estrutura dos formadores de opinião dentro da internet.
"Assim como a prensa terminou com o monopólio católico sobre o conhecimento, a mídia gerada pelo usuário está acabando com o monopólio que editoras e grandes veículos de comunicação tinham na divulgação de versões", provoca.
Mesmo focado em modelos de negócios práticos na internet baseados no conteúdo do usuário, a rápida apresentação de Lemos, atual presidente da organização iCommons, ecoou a posição de Coutinho ao citar as tensões não apenas entre antigos e novos modelos de negócios baseados na internet, como no campo do direito autoral, "onde problemas se materializam e não são resolvidos".
A liberdade, porém, não deve ser confundida com anarquia. "A web nasceu como um ambiente em que se podia fazer tudo. Mas até a vida real em comunidade exige o mínimo de regras", explica Lemos com um viés sociológico, sugerindo que a própria comunidade formate seu código de conduta online.
Fim do Second Life?
O debate quanto a estímulo ao usuário foi abordado por Gandour segundo a rede social Second Life, objeto de estudo da IBM para eventos corporativos e alvo de recentes críticas por uma possível crise de especulação de empresas que montaram operações de marketing para um número muito baixo de usuários.
O discurso do pesquisador é uma resposta direta à matéria intitulada "Como a Madison Avenue está perdendo milhões em um Second Life deserto", publicada pela revista norte-americana Wired no final de julho.
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Rementendo à história de Phillips Rosedale, criador da rede, o pesquisador acusa uma visão de extremo curto prazo motivada pelo hype acerca do Second Life, "onde o que importa são os dividendos no final do trimestre", sem poupar críticas à falta de administração da Linden Labs pela falta de esforços para a popularização correta da rede.
Gandour, porém, acredita em resultados a médio prazo para o Second Life e rejeita o que chamou de "cultura snack", onde pedacinhos de cultura são assimilados e transformados em opiniões nem sempre embasadas, em uma espécie de mashup deformado.
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