Provedores gastariam R$ 13,2 milhões ao ano com lei de crimes digitais
Por Redação do IDG Now!*
Publicada em 05 de julho de 2007 às 10h09
Atualizada em 05 de julho de 2007 às 12h38
Brasília - Esse seria o investimento necessário para armazenar informações de cadastro e navegação dos usuários, diz presidente da Abranet.
O presidente da Associação Brasileira de Provedores de Acesso, Serviços
e Informações da Rede Internet (Abranet), Eduardo Fumes Parajo, afirmou que as empresas do setor terão que investir 13,2 milhões de reais por ano
para se adequar à lei de crimes digitais que tramita no Senado.
Esse seria o investimento necessário para armazenar os logs, informações de cadastro e navegação dos usuários, conforme
estabelece o artigo 21 do projeto.
Parajo participou de audiência pública conjunta das Comissões de
Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e de Ciência, Tecnologia,
Inovação, Comunicação e Informática (CCT), na quarta-feira (04/07), para
discutir o substitutivo do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), a três
projetos de lei em tramitação no Senado que visam combater a prática
desses crimes no Brasil.
Na opinião do consultor jurídico
Marcelo Bechara de Souza Hobaika, o artigo 21 - que trata das
responsabilidades dos provedores de acesso - deveria ser retirado do
projeto. Na sua opinião, "não houve debate com a sociedade sobre a
questão dos provedores".
Os chamados crimes cibernéticos, que envolvem a utilização de redes de
computadores, já representam faturamento mundial superior a US$ 105
bilhões, segundo levantamento do governo norte-americano divulgado pelo
juiz Fernando Neto Botelho.
Segundo Fernando Neto Botelho, membro da Comissão de Tecnologia da
Informação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, delitos como a
"pescaria eletrônica" para a obtenção de senhas bancárias cresceram
mais de 50% no ano passado. E atividades como o comércio de drogas são
desenvolvidas por meio do site de relacionamentos Orkut.
"Diante da ausência de uma lei expressa não se pode impor pena, pois
não há crime sem lei anterior que o defina", disse Botelho, ao dar seu
apoio ao projeto.
Um dos grandes problemas para a punição dos crimes cibernéticos, registrou o presidente da Safernet Brasil, Thiago Tavares, é o fato de que muitos crimes são praticados por pessoas que estão fora das fronteiras brasileiras. A Safernet é uma rede que engloba 26 países em torno do combate à pornografia infantil e dos crimes de ódio racial.
O diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação, Demi Getschko, também mencionou a dificuldade de se legislar sobre crimes internacionais. Ele recordou que os responsáveis pelos sites registrados com a expressão .brapresentam seus dados para obter o registro. Caso as exigências cresçam muito, alertou, os interessados poderão registrar seus sites em outros países.
O senador Eduardo Azeredo disse estar pronto a aceitar críticas e sugestões ao seu substitutivo. Mas observou que o país precisa de uma legislação sobre o tema, como já existe em diversos países do mundo.
"Chega o momento em que temos que votar", ressaltou, contudo, o senador, que assinou o requerimento de realização da audiência, presidida pelo senador Valter pereira (PMDB-MS), juntamente com os senadores Wellington Salgado (PMDB-MG), presidente da CCT, e Pedro Simon (PMDB-RS).
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