Blogs e comunidades afetaram comportamento de candidatos e eleitores
Por Redação do IDG Now!
Publicada em 15 de dezembro de 2006 às 15h26
Atualizada em 15 de dezembro de 2006 às 16h24
São Paulo - A rede teve papel especial na divulgação de campanhas negativas, segundo pesquisa do Centro de Altos Estudos da ESPM.
Os blogs e sites de comunidades, na eleição presidencial de 2006, afetaram o comportamento de candidatos, eleitores e a cobertura da mídia no processo eleitoral.
A conclusão é do estudo "A Mídia e Esfera Pública", realizada pelos pesquisadores Clóvis de Barros Filho, Marcelo Coutinho e Vladimir Safatle, do Centro de Altos Estudos de Propaganda e Marketing da ESPM.
Durante as eleições presidenciais deste ano, houve um forte fluxo de informação entre militantes e curiosos, principalmente em dias de debates e outros eventos, na internet.
Foram analisados blogs de jornalistas políticos, comunidades ligadas às eleições no Orkut e acesso a filmes relacionados no YouTube para determinar o impacto da rede no comportamento dos eleitores, candidatos e até da própria mídia.
Grande parte do alvoroço consistiu em críticas ou desmoralização dos candidatos oponentes. No período que antecedeu o segundo turno, o número de participantes de comunidades contra Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, superou os 600 mil.
Um vídeo de seu oponente, Geraldo Alckmin, se recusando a responder perguntas relacionadas à violência urbana de São Paulo bateu recorde de acessos na página de compartilhamento de vídeos, passando a marca dos 400 mil.
O estudo aponta também que internautas usaram a web também como ferramenta para atacar a mídia tradicional e criar e propagar conteúdo próprio sem “distorções”.
Um cruzamento das observações do grupo com números do IBOPE/NetRatings mostrou que, apesar de política não ser um tema muito atraente usualmente no mundo virtual, o período eleitoral impulsionou a busca por informações e notícias relacionadas.
A internet ainda não é considerada um forte veículo de comunicação para as campanhas como alternativa para os tradicionais, diz o estudo. Mas o aumento do acesso do eleitorado à rede, através de campanhas como Computador Para Todos e queda nos preços dos equipamentos, deverá mudar esse quadro aos poucos.
Segundo Coutinho, foi observado que, em outros países, quando mais de 50% da população tema acesso à internet, o meio ganha maior relevância na briga por votos. Ele projeta que em nos pleitos municipais de 2008, algumas cidades do Brasil já tenham atingido essa marca.
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