Entrevista: pai da internet afirma que é difícil censurar a web
Por Daniela Braun editora do IDG Now!*
Publicada em 04 de dezembro de 2006 às 06h00
Atualizada em 04 de dezembro de 2006 às 11h26
A evolução da internet parece muito mais acelerada do que há poucos anos. O senhor tem essa impressão?
Sim, tenho. Temos visto, por exemplo, a colaboração científica evoluindo dramaticamente com a oferta de mais informações na rede. Experimentos físicos ou o projeto do genoma humano são exemplos e você pode ampliar isso a muitas áreas. Web 2.0 é mais um termo de marketing. Mas dispensando isso, podemos ver muitos serviços web viabilizando processos de negócios entre empresas. É uma forma diferente de colaboração, onde vemos empresas trocando informações de contas a pagar, pedidos de compra e muitas funções que podem interagir com fornecedores e clientes. O protocolos da internet permitem que isso seja cada vez mais automático. Parte do conceito de web 2.0 também envolve a colaboração nos negócios.
Órgãos como a ONU e a ITU estão se movimentando para ganhar espaço nas definições políticas relacionadas à internet. Isso pode modificar o papel do ICANN nos próximos anos?
Acompanhamos com muito interesse a conferência mundial da Sociedade da Informação. Muitos membros do ICANN participaram do encontro. Minha impressão é que muitas pessoas estão olhando a internet como numa ferramenta importante para o desenvolvimento econômico e cultural. O papel do ICANN está muito mais centrado nos aspectos tecnológicos da internet, principalmente no sistema de nomes de domínios, a alocação de endereços web, detalhes do protocolo da internet. Mas muitos destes aspectos envolvem políticas públicas.
Uma das coisas que devem emergir em 2007 é a avaliação do papel do conselho governamental na formulação de políticas para as implementações tecnológicas. Outra coisa que vamos ver é um novo framework para a criação dos top level domains. Acho que ainda veremos a incorporação de nomes de domínios internacionais em diferentes alfabetos, como o árabe ou o hebraico, permitindo que pessoas cujas línguas nativas não são o inglês, ou pessoas com dificuldades em se expressar em caracteres do latim, possam acessar a internet mais facilmente.
E como o ICANN está lidando com esse fato de que os domínios não podem ser mais restritos a números e letras de A a Z?
Preciso dizer que é tecnicamente bem difícil fazer isso de forma a proteger os usuários da internet de registros de domínios confusos. Um pequeno exemplo do quão difícil isso pode ser é que existem letras em grego, cirílico e latim que são praticamente iguais. Elas não significam a mesma coisa, mas se parecem. O resultado é que você pode ter dois ou três registros que são iguais, em três alfabetos diferentes. Isso pode ser confuso para o usuário que está digitando o domínio.
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