Entrevista: pai da internet afirma que é difícil censurar a web
Por Daniela Braun editora do IDG Now!*
Publicada em 04 de dezembro de 2006 às 06h00
Atualizada em 04 de dezembro de 2006 às 11h26
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Por exemplo, alguns produtores de filmes estão licenciando a tecnologia do BitTorrent para distribuir vídeos e filmes encriptados e o usuário tem acesso recebendo uma chave criptográfica para abrir o conteúdo após o pagamento. É um exemplo de adaptar a tecnologia disponível em algo acessível ao negócio.
Deixe-me citar outro exemplo: houve um tempo de muito nervosismo na indústria do entretenimento sobre os videocassetes e gravadores de DVD. As empresas achavam que perderiam suas receitas porque as pessoas iriam copiar os filmes, distribuí-los e colocá-los na rede. Muitos anos depois, se você olhar agora para a indústria cinematográfica descobrirá que eles fazem quatro vezes mais dinheiro com a venda de DVDs do que nos cinemas. Eles estão tirando uma vantagem econômica importante da tecnologia. Então acho que ainda estamos em um estágio bem inicial na internet em tentar entender como as pessoas usarão a tecnologia. Minha previsão é que serão descobertas formas mais inteligentes de distribuir conteúdos de entretenimento na internet.
Falando em vídeos, da última vez que o sr. esteve no Brasil, em junho, previu que a comunidade de vídeos You Tube seria adquirida. E foi comprada recentemente por 1,6 bilhão de dólares pelo próprio Google. Esta é uma forma de exploração comercial deste fenômeno?
Sim. O que Google fez foi usar mais uma vez a publicidade como uma forma de pagar pelo custo do entretenimento. E a noção de entretenimento é muito maior do que simplesmente o modelo tradicional da televisão ou do cinema. As pessoas buscam vídeos curtos de dois ou três minutos e as pessoas se divertem e buscam assisti-los. Com a associação de anúncios nas páginas onde estes vídeos são vistos há uma oportunidade de gerar receita. Existe uma preocupação sensível com a possibilidade de conteúdo distribuído sem direitos autorais não só no YouTube como em muitos outros serviços de vídeo na internet. Acho que mais uma vez a comunidade está trabalhando para entender como alinhar o serviço com a lei. Outra alternativa é debate se haverá uma grande mudança para adaptar a tecnologia a isso.
O senhor vê o movimento da Web 2.0 como uma forma de tornar a internet mais colaborativa e inteligente?
A resposta é absolutamente sim. Mesmo no estágio inicial, mesmo antes de existir a internet, quando sua predecessora, a ARPNet, foi construída, uma das primeiras aplicações desenvolvidas foi o correio eletrônico. E uma das primeiras funções foi dar suporte para que as pessoas trabalhassem em conjunto de uma forma colaborativa.
O Google, por exemplo, foi absolutamente persuadido por este ambiente online como uma ferramenta importante para ajudar as pessoas a trabalharem juntas. Entre as ferramentas estão o Google Calendar, que permite que as pessoas coordenem suas agendas de atividades, ou o editor online que permite a colaboração com textos. Até o Google Earth pode ser visto como uma ferramenta de colaboração. Acreditamos fortemente que esse tipo de troca online é uma maneira muito importante de contribuir para que as pessoas trabalhem cada vez mais integradas. Acho que isso vai evoluir muito mais com o tempo.
*Com a colaboração de Daniela Moreira e Guilherme Felitti, repórteres do IDG Now!
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