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09 de julho de 2009
internet
Comércio Eletrônico

Gravadoras cortam preços para aproximar música digital do usuário no Natal

Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!

Publicada em 26 de outubro de 2006 às 12h25
Atualizada em 01 de novembro de 2006 às 16h55

São Paulo - DeckDisc e Tratore baixam preços de canções para R$ 0,99 e R$ 0,30 para aumentar apelo do ainda imaturo mercado de música no Brasil.

Duas gravadoras começaram nesta quarta-feira (25/10) um embate contra o principal motivo alardeado por usuários brasileiros para a considerada baixa adoção dos serviços de venda legal de música digital: o preço.

Pequenas em um segmento controlada por quatro majors (Universal, Sony-BMG, EMI e Warner), DeckDisc e Tratore abaixaram preços de canções dos seus catálogos para 99 centavos de real e 30 centavos de real, respectivamente, em uma jogada para atrair o consumidor para sites legais.

A promoção, segundo Mônica Ramos, fundadora da DeckDisc, é uma forma de incentivar o download como uma forma de consumo para usuários brasileiros.

"Com um preço deste, você compra um CD inteiro online por até 15 reais, o mesmo pedido nas ofertas de magazines como as Lojas Americanas", compara Ramos, que não vê caminho para um mercado de música digital com preço médio de 1,99 real por canção.

Nos três meses que durarão a promoção, acessível para o usuário no DeckPod, da própria gravadora com a iMúsica, ou na MegaStore, do UOL, a gravadora independente pretende aumentar suas vendas de canções em 500% - o que, em números brutos, "não representa muita coisa", afirma Ramos, pela imaturidade do mercado nacional.

A mesma imaturidade é razão para que o UOL não calcule um possível público que continuará comprando música na MegaStore após o fim da promoção.

"As projeções era mais otimistas do que está acontecendo", diz Jan Fjeld, gerente do UOL Megastore. "Estamos chegando a um patamar dentro das expectativas, mas isto olhando de três meses para cá. A quantia de músicas vendidas tem dobrado a cada mês".

As promoções deverão impulsionar os números do UOL por se concentrarem na principal fonte de renda do serviço, segundo Fjeld: o catálogo.

"Quando fechamos o mês, nosso volume vem da variedade, daquelas canções que vendem 5 cópias sempre. Não adianta só ter as músicas da Ivete Sangalo, tem que ter o álbum do (grupo cearense) Cidadão Instigado", confidencia o executivo.

A queda temporária nos preços, aproveitando o período de grande consumo do Natal, deve arregimentar o público eclético que ainda tinha alguma desconfiança de comprar música online, o que é bom pra todos, analisa.

Além de aproximar usuários mais temerosos, a promoção tem como objetivo dar forças às pequenas gravadoras para o molde e um novo modelo de comercialização de músicas na internet, afirma Maurício Bussab, sócio da Tratore.

"As majors estão emulando o modelo de venda do CD físico para o mundo digital, e isto é errado. O comportamento de quem baixa música é diferente de quem compra música", afirma Bussab, que revela irritação de artistas e selos independentes com a promoção não pelo preço, mas pela participação restrita.

"Quando anunciamos (o baixo preço), os primeiros a bater na nossa porta irritados foram os artistas e selos distribuidores, irritados por não estarem na primeira leva", diz.

É a união deste grupo, segundo Bussab, que poderá ditar novos caminhos ao mercado de música digital no Brasil, fora do planejamento das majors.

A ação das duas pequenas gravadoras pode ter influência nas decisões das majors? Ramos acredita que "poder, pode". "Mas todas gastam tanto dinheiro com coisas desnecessárias. Veja o resultado maquiado da EMI, que perdeu 12 milhões de libras na Europa", alfineta.


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