Globo.com faz nova aposta na convergência da TV com a internet
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No começo desta semana, a Globo.com colocou no ar o G1, seu novo site de notícias, que reúne o conteúdo das principais operações da empresa, como a TV Globo, GloboNews, rádios Globo e CBN, jornais O Globo e Diário de São Paulo, revistas Época e Globo Rural, entre outras, além de reportagens próprias em formato de texto, áudio e vídeo.
O discurso de lançamento não foi diferente do que já foi feito em outras ocasiões: a convergência da TV com a internet. E não há ninguém no Brasil tão bem posicionada para liderar essa nova onda como a empresa de internet da família Marinho.
A Globo.com conta com um acervo de 150 mil vídeos. Só não é maior porque a própria empresa retira do ar conteúdos considerados desatualizados. Por dia, são publicados 500 novos vídeos. O Globo Media Center tem 50 mil assinantes exclusivos (sem contar o número de assinantes do provedor, que já são 300 mil). A partida Portugal e França, pela semifinal da Copa do Mundo 2006, foi assistida por 72 mil usuários simultâneos, recorde de audiência em transmissão online da internet brasileira.
++++Mas a Globo.com não conseguiu ainda transferir a força da marca da TV para a internet. Em julho, era a sétima colocada do ranking do Ibope/NetRatings, atrás dos principais portais web do Brasil. “A Globo não foi construída com foco na liderança, mas na qualidade”, afirma Juarez Queiroz, diretor executivo do portal. “Não buscamos audiência pela audiência. Estamos brigando para ter o melhor conteúdo de esporte, de notícias e de entretenimento”.
Mas à medida que o tempo avança, as ameaças à Globo.com crescem. A mais recente responde pelo nome de YouTube, site de compartilhamento de vídeos que tem mais de 100 milhões de downloads diários, acessado por 2,6 milhões de brasileiros em julho de suas residências, mais de duas vezes o número de internautas do Globo Media Center (GMC), central onde estão os vídeos da companhia.
O YouTube, cujo modelo ameaça também as redes de TV tradicionais, é feito com a colaboração dos internautas, que publicam seus próprios vídeos. “Ele ainda é um fenômeno recente”, declara Queiroz. “A maioria do conteúdo do YouTube, no Brasil, é da própria Globo. E a questão do direito autoral ainda precisa ser discutida”, polemiza o executivo da Globo.com.
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Banda larga
Fora da briga pela audiência da internet nos últimos dois anos, a Globo.com fez um recuo estratégico. É verdade que, entre 2004 e 2005, as Organizações Globo tiveram que lidar com a reestruturação da dívida da empresa. Só a partir de 2006, começou a se movimentar, retornando à mídia para anunciar o seu serviço de provimento de acesso.
“Mas estamos voltando em um momento melhor”, acredita Queiroz. Há dois anos, a banda larga não era uma realidade na internet brasileira. De nada adiantaria ter um cardápio generoso de vídeos, se a maioria dos internautas ainda acessava a web com uma conexão de 56 Kbps (kilobits por segundo). Esse cenário, agora, mudou.
Em julho, eram 9,4 milhões de pessoas acessando à internet por meio de banda larga, o que representa 70% de todos os internautas que navegam na web de suas residências, segundo o Ibope/NetRatings. A pesquisa Barômetro Cisco de Banda Larga, realizada pelo IDC, contou 4,74 milhões de conexões de alta velocidade no segundo trimestre de 2006 no Brasil.
Esta pesquisa mostrou também que o brasileiro está começando a usar conexões de acesso à internet mais rápidas. A velocidade de 1 Mbps (megabits por segundo) quase dobrou de participação no segundo trimestre, passando de 7% para 12%. As conexões entre 256 Kbps e 512 Kbps caíram de 51% para 45%.
Globo Media Center
Este é o cenário ideal para a reformulação do Globo Media Center (GMC), central onde estão todos os vídeos da Globo.com. Nos próximos três meses, ele deve chegar a sua terceira versão, de acordo com Queiroz, que não dá detalhes sobre as mudanças.
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Mas não esperem uma versão do YouTube na Globo.com, na qual o usuário poderá publicar seus próprios vídeos. Queiroz deixa claro que esta não é a seara da empresa. A força da companhia está na produção própria e na compra de conteúdos com direitos autorais, que são usados pelas empresas de TV da companhia e depois, com a permissão, reaproveitados na internet.
A Copa do Mundo é um dos exemplos dessa estratégia. Pela primeira vez, os jogos do Mundial foram transmitidos ao vivo no Brasil pela internet. A Globo.com mostra também as partidas da NBA, o campeonato profissional de basquete dos Estados Unidos, para assinantes pagos. Os gols do Campeonato Brasileiro são colocados no ar logo depois que acontecem e os jogos podem ser assistidos na íntegra, assim que a partida acaba.
“Todo o conteúdo da TV Globo está no GMC, com exceção daqueles que têm restrição de direitos autorais”, explica Queiroz. Se você é fã do seriado “A Grande Família” e perdeu um dos episódios, pode assisti-lo na íntegra pela internet. Quem não é assinante, vê em uma tela tão pequena, o chamado formato banda estreita, que chega a ser decepcionante. Só quem pagou, terá a qualidade em banda larga.
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Esse é ainda um ponto de interrogação na estratégia da Globo.com: ela entregará, de forma gratuita, todo o seu acervo de vídeos? Atualmente, quem não é assinante do provedor ou do GMC pode assistir a alguns vídeos livres, mas em qualidade de banda estreita. “Sempre há algum tipo de conteúdo que o internauta está disposto a pagar”, diz Queiroz.
Convergência
Dona de redes de TV, estações de rádio e revistas, a Globo tem uma posição privilegiada entre as companhias de conteúdo web do Brasil. Desde que lançou o seu portal, em março de 2000, os executivos da empresa destacam as sinergias das operações e debatem a convergência da TV com a internet.
O G1, lançado nesta semana, é a aposta da Globo.com nesta área e uma tentativa para provar que abandonou o discurso e resolveu agir. A companhia montou uma equipe com 100 jornalistas em três cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
A redação de São Paulo conta com ilhas de edição digitais, ligadas diretamente ao servidor da TV Globo no Rio de Janeiro, que “enxergam” o mesmo material de vídeo que está à disposição da emissora. O G1 vai usar também o material das agências internacionais.
A partir dessas imagens brutas, a equipe do novo portal de notícias terá a liberdade de fazer suas próprias matérias. “Queremos focar a produção de conteúdo na internet na linguagem web e dentro dos hábitos e comportamento desse público”, assegura Queiroz. “A nossa vocação é a produção de conteúdo, e não software ou aplicativos”.
O novo site de notícias é também uma constatação de que a Globo.com, forte na área de esporte e entretenimento, precisava de uma operação com abrangência mais ampla de notícias para voltar a brigar pela audiência da internet brasileira. Quem comanda a nova operação é um homem com formação de TV: Álvaro Pereira Jr.
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Não é a primeira vez que a Globo.com tenta montar uma operação de notícia. Em 2001, a empresa lançou o portal GloboNews, usando o nome do canal de TV a cabo, para alavancar a área de conteúdo. Mas depois teve de recuar.
A Globo criou um padrão de qualidade na televisão que é o “nirvana” para todas as emissoras. Na internet, já enveredou por diversos caminhos, desde ter uma operadora como sócia (a Telecom Italia) até entrar em um programa de financiamento de computadores com a Caixa Econômica Federal. Agora, faz a aposta na estratégia da convergência. Mas será que vai conseguir levá-la adiante?
O atual CEO da Brasil Telecom Internet, na época diretor geral do UOL, Caio Túlio Costa, declarou que, como portal, “a Globo está condenada a dar certo”. Assim como a Microsoft, que sai atrasada em algumas batalhas, mas depois consegue recuperar-se, a história ensina que não se deve desprezar um grande competidor. Principalmente quando ele acordou do estado de hibernação dos últimos dois anos.


