iG aposta em conteúdo produzido pelo internauta

Ralphe Manzoni Jr. editor executivo do IDG Now!
14 de setembro - 07h00 - Atualizada em 14 de setembro - 09h09
São Paulo - Com Caio Túlio Costa, as empresas de internet da Brasil Telecom - iG, BrTurbo e iBest - retornam à cena do mercado de internet.

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PortaisWeb_IG_88x66Se você não tem costume de acessar a home page do iG, vá até ela antes de começar a ler esta reportagem. Observe algumas áreas novas, como o “Minha Notícia” e os blocos “Aqui é Você Quem Faz” e o “Eleições 2006: antes de votar, clique aqui e fale com os candidatos”.

De volta ao IDG Now!? O que todas as áreas têm em comum é a participação do internauta, mote da mais recente campanha publicitária do iG, empresa de internet da Brasil Telecom, que também conta com as marcas BrTurbo e iBest.

É verdade que o iG não é o primeiro portal no Brasil a dar espaço para o internauta "postar" sua notícia ou a ter ferramentas para criar seus blogs e publicar seus vídeos. Mas ele é o primeiro dar um amplo destaque para este tipo de conteúdo em sua home page.

“Escolhemos um lugar de diferenciação. E este lugar privilegia o internauta”, afirmou Caio Túlio Costa, CEO da Brasil Telecom Internet, recrutado em maio para comandar essa nova estratégia. “O iG estava quieto e agora voltou à briga e para o mercado com um desejo grande de entender e fazer aquilo que o usuário de internet quer”.

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E as apostas para privilegiar o que o internauta quer são várias. O Minha Notícia recebe cerca de 20 notícias por dia. Destas, em média, oito vão ar. A audiência já chegou a picos de 100 mil usuários únicos. O Megaplayer, espaço no qual o internauta pode publicar os seus próprios vídeos, tem um arquivo de mais de 50 mil. O Blig, serviço de blogs do iG, conta com mais de 300 mil cadastrados e mantém um espaço fixo na home page do portal, com chamadas para os conteúdos de blogueiros desconhecidos.

O iG, assim como outros portais de internet, está também apostando em jornalistas famosos, transformando-os em blogueiros: Mino Carta e Franklin Martins são alguns dos exemplos. O ex-ministro de Lula, José Dirceu, também criou seu blog no portal. Os colunistas do site No Mínimo, como Tutty Vasques, estão todos lá. O Último Segundo criou também um espaço só para blogs e para colunistas.

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Uma das últimas cartadas do iG foi o espaço criado para que o internauta faça perguntas para os candidatos da próxima eleição de outubro. De 14 de agosto até 12 de setembro, o “Fale com os Candidatos” já recebeu 15 mil perguntas. Apenas 1,4 mil delas foram respondidas. Luiz Inácio Lula da Silva, candidato a presidente pelo PT, e José Serra, a governador de São Paulo pelo PSDB, são os que mais receberam perguntas. Heloísa Helena, candidata a presidente pelo PSOL, e Carlos Apolinário, a governador de São Paulo pelo PDT, foram os que mais responderam até o dia 13 de setembro.
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Por que o iG tomou esse rumo? A resposta pode estar nos outros provedores. O iG não conta a quantidade de conteúdo de UOL, Terra e Globo.com. Ele sabe também que não pode competir com Google, Yahoo e MSN, empresas especializadas em serviços e em aplicações. “O iG nasceu com uma personalidade própria e está cada vez mais se diferenciando dos outros”, explica o CEO da Brasil Telecom Internet.

Toda força ao iG

Por trás deste novo foco, está a nova estratégia da Brasil Telecom Internet. Ela dará toda força para a marca iG. O BrTurbo, operação de banda larga, vai ficar apenas na área de concessão da Brasil Telecom (regiões Sul e Centro-Oeste e nos Estados do Acre, Rondônia e Tocantins) e o iBest retorna às suas origens, reforçando o prêmio que escolhe os principais sites do Brasil.

As três operações estão em processo de fusão desde o final de 2005 e já funcionam integradas fisicamente em São Paulo. Desde julho, a empresa começou um processo de revitalização da marca. Um pouco antes, em maio, contratou Caio Túlio Costa, ex-UOL, para comandar essa transformação. "A idéia não é acabar com as marcas".

Caio Túlio Costa é um dos executivos que combateu o acesso gratuito, quando era diretor-geral do UOL, em 2000. Entre suas declarações, uma que ficou famosa foi “a conta não fecha”, referindo-se ao modelo de negócio da internet grátis. “Essa frase não é minha”, rebate. “Todos falaram e eu também falei”, justifica-se.

Agora no iG, que conta com 3,5 milhões de usuários acessando a web por meio de linha discada e gratuita, Costa reafirma sua opinião. “A conta não fecha e nunca fechou”, diz. “Evidente que o iG tem uma história de lucratividade, mas não é em função da receita de acesso gratuito, que é decrescente”. Hoje, o faturamento do portal, cujo valor não é revelado, é a soma do acesso gratuito, da publicidade, da banda larga e da venda de serviços de valor agregado.
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Não está nos planos da empresa acabar com o acesso gratuito. “É um compromisso da Brasil Telecom e do iG com a população de internet brasileira”, defende Costa. “E é um grande fator de inclusão”. Apesar disso, o iG, que tem no DNA uma operadora de telecom, está avançando em banda larga: conta mais de 900 mil assinantes de conexão de alta velocidade da internet. É o segundo do Brasil, atrás do Terra, que já atingiu mais de 1,5 milhão de clientes. “A sorte do iG é ter como sócio uma empresa de telecomunicações”, avalia.

Outro fonte de receita do iG são os serviços de valor agregado, que cada vez mais começam a ser oferecidos pelos portais de internet brasileiros: de antivírus, telefonia pela internet, Wi-Fi a até suporte técnico para o computador. Na próxima semana, o provedor anuncia um novo serviço voltado para pequenas e médias empresas, marcando sua estréia neste segmento. No Terra, essa área representa 20% do faturamento da empresa do grupo Telefônica.

O quarto componente da receita do iG é a publicidade. Hoje, há mais de 33 milhões de brasileiros acessando a internet de casa, trabalho, escolas e cibercafés. “Atingimos as classes A e B, parte da classe C e uma parcela das classes D e E, por meio de acessos públicos”, afirma Costa. “Acho que o mercado está sendo injusto com a internet em função de seu alcance”.

No primeiro trimestre de 2006, a publicidade online atingiu 67 milhões de reais, segundo dados do projeto Inter-Meios. A cifra equivale a 1,86% do total gasto com publicidade no Brasil no período. Nos Estados Unidos, a propaganda online movimentou 12,5 bilhões de dólares em 2005, 6% do total.
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“A internet é o segundo meio de massa, ela atinge mensalmente mais pessoas que jornais e revistas”, declara Costa. “O mercado vai ter de acordar daqui a pouco”. Quem já despertou, segundo o executivo, não se arrepende, como são os casos de bancos, companhias aéreas e varejistas virtuais. “Esses anunciantes estão fazendo negócios pela internet”.

Desde que surgiu, em janeiro de 2000, quando uma avalanche de provedores gratuitos invadiu o mercado brasileiro, o iG colecionou polêmica. Chegou, em alguns momentos de 2001 e de 2002, a liderar a internet residencial brasileira, segundo os rankings da Media Metrix e do Ibope/NetRatings, época em que comprou o HPG, empresa que tinha uma ferramenta para construção de sites extremamente popular.

Hoje, o iG está em sexto lugar no ranking de “parents” do Ibope/NetRatings, praticamente empatado com o Yahoo, que é o quinto colocado. Este ranking inclui todas as empresas controladas pela Brasil Telecom na área de internet: iG, BrTurbo e iBest.

No começo de setembro, Diogo Mainardi acusou o iG, em sua coluna semanal na revista Veja, de ser a “voz do PT”, contratando jornalistas que se engajaram na campanha do partido contra Daniel Dantas, que era sócio da Brasil Telecom.

Em sua resposta, Caio Túlio Costa escreveu: "O iG é plural. Vai ampliar ainda mais seu conteúdo. Vai seguir em frente em respeito aos internautas que o usam e também ajudam a construir o seu conteúdo. Diogo Mainardi é bobinho. Não há como levá-lo a sério". De fato, o iG está de volta à briga da internet brasileira. Você quer participar?