MSN: eu tenho o Messenger

Ralphe Manzoni Jr. editor executivo do IDG Now!
31 de agosto - 07h00 - Atualizada em 31 de agosto - 14h39
São Paulo - Com mais 20 milhões de usuários, o Messenger levou o MSN a liderança da web brasileira.

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PortaisWeb_MSN_88x66Se a cantora baiana Romana Pitangueira, 24 anos, não está na faculdade, você pode encontrá-la na internet teclando com algum amigo de Salvador por meio do Messenger. A sua lista é extensa: 302 pessoas. “Se não estou online, minha mãe fica preocupada”, diz ela, que usa a webcam para mostrar que está tudo bem para a família.

Quando vai a Salvador, Romana também não abandona o software, pois avisa a todos os amigos que está na cidade através da ferramenta de comunicação instantânea. “Uso também para conversar com as pessoas ligadas à música”.

Romana faz parte de um grupo que já ultrapassou os 20 milhões de pessoas, de acordo com dados internos do MSN, portal de internet da Microsoft. O Brasil, em termos absolutos, está atrás apenas dos Estados Unidos. Em tempo de uso, supera os norte-americanos.

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Diariamente, o MSN Messenger é usado por até cinco milhões de pessoas. “Dá quase para comparar com a TV aberta”, afirma Osvaldo Barbosa de Oliveira, diretor do MSN no Brasil. “E é maior do que a audiência de TV a cabo, de jornal e de revista”.
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Das 20 horas e 39 minutos que o brasileiro navegou pela internet em julho, pelo menos 4 horas e 53 minutos devem-se exclusivamente aos aplicativos de internet, o que representa 24% do tempo gasto na web.

Pelo menos, porque o Ibope/NetRatings, que mede esses dados, não tem como saber com exatidão a diferença entre o tempo gasto exclusivamente com os aplicativos e o com o surfar pelas páginas da web. Muitas vezes, os dois atos estão acontecendo simultaneamente.

De acordo com dados do Ibope/NetRatings, citados pelo MSN, 70% dos usuários domésticos que acessaram a internet em julho usaram o Messenger, o que representa 9,3 milhões de internautas. Em média, ficaram quase cinco horas usando o software. Nos últimos 12 meses, segundo dados internos do MSN, o crescimento da base de usuários do software de comunicação instantânea foi de 80%.

“A nossa estratégia de internet é bastante centralizada no que sabemos fazer: software”, explica Oliveira. “São aplicações que criam audiência, que eu posso vender para o anunciante”.  Sadia e Coca-Cola são exemplos de empresas que anunciaram no Messenger.

Windows Live
O MSN está, neste momento, passando por uma das transições mais importantes da sua história: a migração para os serviços Windows Live.

De forma resumida: pressionada por competidores, como o Google, a Microsoft, dona do MSN, está levando uma série de aplicativos para a web. Essa estratégia foi batizada de Windows Live, que reúne uma série de iniciativas para migrar alguns dos produtos da empresa para a plataforma de internet.

O primeiro produto a migrar, no Brasil, foi o Messenger, que agora se chama Windows Live Messenger. Metade dos usuários já adotou a nova plataforma. O serviço de e-mail gratuito Hotmail, segundo produto mais importante da empresa, com 20,8 milhões de contas ativas, está em fase beta. Hoje, pode armazenar 250 MB. Quando entrar no ar, vai passar para 2 GB, equiparando-se aos seus concorrentes. “Mas não deixamos de crescer por causa disso”, argumenta Oliveira.
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Já no ar, está o Windows Live Spaces, serviço que coloca o MSN na briga pelas redes sociais e de ferramenta de criação de blogs. O usuário também já pode usar o Windows Live Favorities, que grava na web os seus favoritos do desktop, e o recurso de verificação de segurança gratuita do Windows Live OneCare, que marca a estréia da Microsoft no mercado de segurança online no Brasil.

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Busca

Sem data definida para a estréia, mas prometido para o segundo semestre deste ano está o Windows Live Search, peça fundamental da estratégia da Microsoft e o seu principal desafio: ser bem-sucedida no segmento de buscas. No mercado mundial, está atrás de Google e Yahoo, com pouco mais de 10% das buscas nos Estados Unidos. No Brasil, o desempenho não é melhor: tem Google, UOL e Yahoo, nesta ordem, à sua frente.

“Busca tem um espaço enorme para crescimento e inovação”, repete Oliveira um discurso que já foi usado por Bill Gates para justificar a posição pífia da empresa no segmento até agora. Mas a história tem ensinado que não é bom menosprezar a Microsoft, mesmo em mercados em que ela sai em desvantagens, como foi o caso dos browsers.
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Nos Estados Unidos, onde o Windows Live Search já está funcionando, a principal inovação é a possibilidade de fazer uma busca mais personalizada a partir da construção de “macros”. Se você é um internauta interessado em tecnologia, por exemplo, pode programar o campo de busca para trazer artigos sobre o assunto só de alguns sites, como o IDG Now!, Computerworld ou PC World. Dessa forma, acredita a Microsoft, aumenta a relevância do resultado.

Outra aposta é a busca local, integrada com mapas e imagens com vários ângulos de visão, inclusive ao nível do solo. A Microsoft contratou empresas que estão fotografando, em aviões, cidades nos Estados Unidos de diversos ângulos. Se você está em Seattle, sede da Microsoft, poderá encontrar restaurantes perto do hotel e saber, de forma gráfica, o percurso para chegar até ele. “Estamos trabalhando em parcerias no Brasil”, avisa Oliveira.

Por que é fundamental para a Microsoft ser bem-sucedida no mercado de buscas? A resposta está na caixa registradora da empresa. O Google, principal concorrente da empresa de internet, tem 95% de sua receita derivada dos links patrocinados. Toda vez que alguém clica em um anúncio associado à busca, alguns centavos caem no cofre do Google. Bilhões de cliques geram bilhões de dólares. Simples, não?

Para fazer isso, o Google conta com uma ferramenta própria chamada AdWords. O Yahoo comprou a Overture, que agora se chama Yahoo Search Marketing,  para gerenciar sua própria rede de anunciantes. O UOL também conta com uma tecnologia para indexar links patrocinados contextuais. O MSN só agora começa a usar sua própria tecnologia nos Estados Unidos, França e Cingapura: o AdCenter.

No Brasil, o MSN tem acordo com Yahoo. Assim, toda vez que um link patrocinado aparece em uma busca do portal da Microsoft, ele pertence a um concorrente direto da empresa, com a qual tem de compartilhar uma parte da receita. Ainda não há uma previsão de quando a ferramenta AdCenter vai ser lançada no Brasil, mas Oliveira não está preocupado. Acredita que chegar depois dos principais competidores não significa uma desvantagem.

“Os usuários de links patrocinados são bastante analíticos”, acredita. “Eles querem verificar quem dá mais retorno para o seu dinheiro”. Além disso, o executivo do MSN afirma que estes anunciantes usam múltiplos serviços, o que os fará testar a ferramenta da Microsoft, quando ela chegar ao mercado. “É o que está acontecendo em outros mercados”, alega.
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Atualmente, 95% da receita do MSN no Brasil é de publicidade e de links patrocinados. Serviços de assinatura, como uma versão com mais recursos e capacidade do Hotmail, representam 5%. No futuro, com a chegado do Windows Live OneCare, a tendência é crescer nesta área.

Conteúdo
O MSN também não quer ser apenas conhecido por seus serviços. Se os aplicativos são importantes e a busca é essencial, a terceira peça da estratégia da empresa de internet da Microsoft é o conteúdo.

A empresa está contratando um diretor de conteúdo para começar a integrar e agregar notícias de forma mais ativa. “Nossa intenção é ter uma equipe para selecionar e programar a melhor experiência para o usuário, juntando software e ferramentas que temos ao conteúdo”, explicou o executivo.

O MSN não vai produzir conteúdo próprio. Citando exemplos, mas acrescentando que não se trata de compromissos com os conteúdos que vão ser lançados, Oliveira falou sobre blogs, games e serviços financeiros.

“Vamos estar mais integrados a rede global do MSN”, explica Oliveira. “E vamos poder utilizar conteúdos de outros portais do MSN que pode ter interesse no Brasil, como a parte de entretenimento”.

O executivo do MSN não deu prazos para estrear essa nova estratégia. “Estamos apenas no começo de uma nova iniciativa”, afirmou.

Em 2000, MSN e Globo.com chegaram a conversar sobre uma possível fusão entre as duas operações de internet. Desistiram do acordo porque o foco da empresa da família Marinho era conteúdo e a de Bill Gates, serviços. Seis anos depois, o MSN quer usar a força dos seus softwares para ser forte em conteúdo.

Lembra-se de Romana, a cantora baiana do começo desta reportagem, usuária do Messenger. Se tudo der certo, no futuro, o MSN quer que ela leia uma notícia ou se relacione com um conteúdo por meio de um software.