Conheça a estratégia do UOL para se manter líder em conteúdo no Brasil
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Ele tem o segundo mecanismo de busca mais acessado do Brasil. Conta também com uma ferramenta própria de links patrocinados. Acaba de lançar uma loja de música online. Se você quer comprar um antivírus ou fazer uma ligação pela internet, pode ir até ele. Serviços de e-mail, messenger ou chat estão disponíveis neste portal. Blogs, rádios online, conteúdo premium? Sim, também é possível encontrar lá.
Este é o UOL, um pouco do Google, outro tanto do Yahoo ou do MSN, um pedaço da AOL. Mas pergunte ao seu diretor-geral, Marcelo Epperlein, com quem o UOL se parece.
“Vamos ficar muito mais com cara de Yahoo”, disse ele, em entrevista ao IDG Now!. “O Yahoo se classifica como uma empresa de mídia, tem vários produtos pagos, um portal com grande audiência e, portanto, conta com uma fonte de receita de publicidade grande, além de operar os links patrocinados”.
O que diferencia o UOL de seus concorrentes é o seu conteúdo. Com 10 anos de vida, ele criou a maior rede de internet do Brasil, apoiado por três jornais diários da empresa Folha da Manhã, que é seu principal acionista, e mais de 300 parceiros espalhados por quase todos os Estados brasileiros.
Mensalmente, mais de 8 milhões de pessoas visitam os sites que estão dentro da propriedade UOL, segundo dados do Ibope/Netratings de junho. Esse é o maior “ativo” da empresa, que começa a transformar a sua audiência em dinheiro, assim como o Google faz com suas buscas.
Na época da bolha de internet, no ano 2000, tecnicamente o UOL estaria “monetizando” o seu tráfego. Agora, na era da Web 2.0, poderíamos dizer que esta é a sua estratégia de “Long Tail”.
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“Long Tail” (cauda longa) é um termo criado por Chris Anderson, editor-chefe da revista norte-americana Wired, que acaba de escrever um livro que defende o conceito de que o “futuro dos negócios é vender menos de mais”. Em uma explicação bem resumida, produtos de baixa vendagem em lojas físicas, ganham terreno no mundo virtual. O impacto desta teoria na indústria de mídia e de entretenimento é brutal.
Veja o exemplo do Google: 95% do faturamento da empresa vêm de links patrocinados. Toda vez que alguém clica em um anúncio associado à busca, alguns centavos caem no cofre do Google. Atualmente, o caixa da empresa acumula bilhões de dólares.
Assinatura versus publicidade
O UOL sabe disso e começa a usar a força e a segmentação de sua audiência. “O que interessa para o UOL é audiência que serve para gerar receita”, declarou o diretor geral da empresa, Marcelo Epperlein. “Temos uma grande audiência nos canais de música e de jogos, portanto lançamos o UOL Megastore e uma loja de games”, exemplificou.
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E esses são apenas dois exemplos. Nas páginas do UOL é possível encontrar uma série de serviços e aplicativos pagos, como UOL Fone e antivírus, que ainda representam pouco de sua receita, mas que, no futuro, podem ser fundamentais para fazer a transição de um modelo baseado em receita de assinaturas de acesso para o de publicidade.
No primeiro semestre de 2006, as receitas do UOL com publicidade foram de 67,6 milhões de reais, um crescimento de 59% em relação ao mesmo período do ano passado. Neste total, estão todos os serviços pagos com exceção de assinaturas. Epperlein assegura que quase a totalidade da receita é de banners /patrocínio (anúncios tradicionais da internet) e links patrocinados.
Uma análise do balanço do primeiro semestre mostra que o UOL está conseguindo, lentamente, aumentar suas receitas com publicidade online. Há um ano, ela representava 16% do faturamento. Agora, nos seis primeiros meses deste ano, saltou para 22%.
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“Creio que, em quatro ou cinco anos, haverá um equilíbrio entre receita de assinaturas e de publicidade”, estima Epperlein. “Há ainda muito espaço para crescer na área de assinaturas”, acrescentou o executivo, apoiando-se no fato de que existem muitos brasileiros fora da vida digital. Segundo o Ibope, 33 milhões de brasileiros acessam a internet no Brasil de casa, do trabalho, de escolas e de cibercafés.
Mas a desigualdade digital brasileira não se resume apenas a quantidade de usuários de internet. No primeiro trimestre de 2006, os anunciantes investiram 67 milhões de reais em publicidade online, segundo dados do projeto Inter-Meios, um crescimento de 34%. Muito? Na divisão do bolo com as outras mídias, ela representa apenas 1,86% do total gasto com publicidade. Nos Estados Unidos, a propaganda online movimentou 12,5 bilhões de dólares em 2005, 6% do total.
Esses dados do Brasil não levam em conta os gastos com links patrocinados. Ainda nova no Brasil, esta é uma modalidade de publicidade online de grande crescimento e que, segundo estimativas consensuais no mercado de internet, já deve representar 20% das receitas online.
Banda larga
A equação para aumentar a receita com publicidade no Brasil passa pela adoção em larga escala da internet em banda larga. A conta é simples: mais assinantes de banda larga é igual a mais navegação na web que, por sua vez, aumenta o consumo de produtos online e o de publicidade vista na web.
De acordo com a pesquisa Barômetro Cisco de Banda Larga, realizada pela empresa de consultoria em tecnologia IDC, havia 4,3 milhões de conexões de banda larga no primeiro trimestre de 2006 no Brasil. Só o UOL conta com 697 mil assinantes. O Terra, principal rival nessa área, diz que tem o dobro.
E neste quesito, o UOL tem uma desvantagem em relação aos seus principais concorrentes. Não está ancorado em uma operadora de telefonia fixa. “Entramos um ano depois do Terra em banda larga, mas por uma questão financeira. Não gosto de perder dinheiro”, justificou Epperlein. Sobre os dados do concorrente, foi enfático. “Eu acompanho a minha participação de mercado e ela tem crescido”.
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No segundo trimestre de 2006, o crescimento foi de 37% em comparação com o mesmo período do ano passado. Atualmente, a relação assinantes de banda larga versus dial-up (linha telefônica convencional) já está em 50%.
Lembra da equação da banda larga? Não só o internauta navega e consome mais serviços, como o custo cobrado de anunciantes de peças publicitárias multimídia é maior do que as tradicionais. É por esse motivo que o UOL, nesta quinta-feira (17/08), lança uma série de novos formatos privilegiando o vídeo.
Atualmente, 60% de todas as peças publicitárias do UOL são servidas para usuários conectados em banda larga. “Nos EUA, pesquisas mostram que os anunciantes estão pagando mais caro por peças que permitam uma comunicação melhor”, explicou Enor Paiano, diretor de publicidade do UOL.
Com o caixa cheio (377,6 milhões de reais, segundo balanço do segundo trimestre de 2006), o UOL quer atingir, até o final deste ano, uma posição financeira semelhante a do Google e do Yahoo, com dinheiro em caixa equivalente a um ano de faturamento.
Apesar de todos esses bons índices, o UOL ainda precisa convencer os investidores da Bolsa de Valores de São Paulo, cuja oferta inicial de açõe foi feita em dezembro. No primeiro dia de negociação, fecharam cotadas a 18 reais. Elas já atingiram o patamar de 12 reais. Ontem, foram comercializadas a 13,30 reais, alta de 2,3%.


