Pesquisadores anunciam técnica para driblar sistema de censura chinesa
Por Sumner Lemon e Nancy Gohring, para o IDG Now!*
Publicada em 04 de julho de 2006 às 10h55
Atualizada em 04 de julho de 2006 às 11h18
Pequim - Universidade de Cambridge publica documento incentivando empresas a adaptarem seus softwares para impedir censura online.
Um grupo de pesquisadores da Universidade de Cambridge alega ter descoberto uma maneira para driblar as ferramentas de controle de conteúdo na internet da China, mas as descobertas são alvo de dúvidas em relação à possibilidade de mudanças reais.
No estudo "Ignorando o Grande Firewall da China", o grupo oferece uma explicação de como o complexo sistema de filtragem chinês funciona, algo que é discutido raramente por autoridades chinesas em público. O documento foi escrito por Richard Clayton, Steven Murdoch e Robert Watson do Laboratório de Computação de Cambridge da instituição.
O governo da China filtra conteúdo a partir de palavras-chaves banidas, integradas em pacotes transmitidos pela internet. Por isto, uma página online que contenha a palavra "falun", uma referência ao grupo espiritual banido, será bloqueada, disseram os pesquisadores.
O filtro é feito usando roteadores e tecnologias de detecção, diz o estudo. Quando uma palavra banida é detectada, o roteador envia pacotes que reiniciam a conexão (do inglês, RST) tanto para o PC como para o servidor online, fazendo com que a conexão seja rompida e bloqueie o acesso do usuário ao site.
Os RST são uma das seis bandeiras, ou controladores de bits, usadas para definir o intento de um pacote enviado usando o protocolo TCP, que permite que PCs se conectem a uma rede. Quando um computador recebe um pacote RST, este quebra a conexão.
Uma vez quebrada a conexão, os roteadores do Grande Firewall, como os pesquisadores chamam o sistema de filtros, continuam a bloquear todas as conexões entre os dois computadores por um período de tempo usando pacotes RST. A duração varia, indo de poucos minutos para quase uma hora, disseram os pesquisadores, que estabeleceram uma média de 20 minutos.
As descobertas no documento não oferecem nada de novo para quem já está familiarizado com o funcionamento de sistemas de filtragem. "Não existe nada ali que eu não saiba há, pelo menos, dois anos", disse Michael Robinson, consultor de tecnologia da informação em Pequim.
Robinson questiona se as descobertas do documento fazem qualquer diferença. "O sistema de reinício do sistema descrito pelo estudo é apenas uma camada de um sistema de controle de conteúdo com múltiplas camadas. Usar servidores proxy encriptados é a única maneira possível por todos eles", disse ele.
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