Você é um ciberciumento?
Por Daniela Braun, editora do IDG Now! e Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
Publicada em 09 de junho de 2006 às 16h50
Atualizada em 09 de junho de 2006 às 19h29
São Paulo - Conheça histórias de protagonistas de ciúme na web e saiba identificar os “sintomas”.
Quando seu namorado perguntou se ela ainda falava com o ex, Cláudia* não vacilou. Sabendo que a resposta verdadeira causaria uma crise de ciúme, negou imediatamente. Mas Carlos não se satisfez com a resposta. Sabia que ela mentia. Como? Simplesmente porque lia todos os seus e-mails, sabia quais sites da internet ela visitava e com quem ela falava no MSN.
“Ele não confessou de imediato, mas depois acabou contando. Depois disso, sempre que ele me perguntava alguma coisa eu acabava confessando tudo. Quando tentava despistá-lo, ele logo lançava um: ‘Você tem certeza? Você sabe que eu tenho como saber...’. E eu falava tudo”, lembra Cláudia.
Carlos chegou a conversar com uma amiga de Cláudia no MSN sem revelar que não era ela. Depois de um tempo de papo ele disse que era um amigo e deu um nome falso para despistar.
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A perseguição fez com que ela parasse de usar o e-mail para se comunicar com qualquer amigo que pudesse despertar ciúmes no namorado, eliminasse telefones da agenda do celular e contatos do MSN. Mas as brigas não cessavam e o casal chegou a terminar por causa dos ciúmes.
Os problemas com a vigilância na web só acabaram quando Cláudia colocou limites para a relação. “Falei para ele que o contato do meu ex, que hoje é um grande amigo, estava na minha agenda do celular e no meu MSN e iria continuar lá”, conta.
Mas nem todo mundo tem a chance de negociar essas condições. Pedro* até hoje não sabe que seu e-mail era “bisbilhotado” pela namorada. “Um dia ele teve que me dar a senha de um outro sistema. Não teve jeito, porque eu precisava pegar uma informação pra ele. Tendo aquela senha em mãos, achei que não teria nada de mal testar se por acaso seria a mesma do e-mail. Aí, claro que entrando algumas vezes... É um vício, depois que você tem a senha, é praticamente impossível não entrar”, conta Maria Luiza*.
As incursões no e-mail duraram alguns meses, sem que o namorado notasse, até que a “xereta” quase foi flagrada. “Um dia tinha um e-mail de uma amiga que eu sabia que dava em cima dele. Entrei na mensagem e nem era nada, coisa do tipo: ‘E aí, está sumido, não gosta mais de mim e blábláblá’. Mas como era do UOL não dava pra ‘marcar como não lida’, então apaguei. Depois fiquei morrendo de medo de ele já tivesse visto que estava lá e deixado pra ler outra hora. Passei um medão por uns dias”, conta.
Maria Luiza diz que quase contou tudo para Pedro e pediu pra ele mudar a senha. “Mas aí achei que ia gerar uma discussão desnecessária”. O susto, porém, ensinou uma lição e ela nunca mais olhou o e-mail do namorado. “É o fim da picada entrar no e-mail do outro, mostra muita falta de confiança, é ofensivo. Acho que na verdade isso é coisa de gente insegura e gostaria de nunca mais fazer”.
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