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21 de setembro de 2009
internet
Mídia Digital

Usuário da classe C conhece, mas ainda consome pouca tecnologia, aponta estudo

Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!

Publicada em 01 de junho de 2006 às 17h13

São Paulo - TNS InterScience diz que, mesmo com conhecimento parecido, usuários da classe C acessam web três vezes menos que os mais ricos.

O abismo digital que separa as classes mais abastadas das mais pobres se caracteriza exclusivamente pelo dinheiro, já que todos os níveis sociais dividem conhecimentos parecidos sobre o setor de tecnologia.

O estudo "Tendências em Telecom", divulgado nesta quinta-feira (01/06) pela TNS InterSciente, ilustra o comportamento do mercado de consumo de tecnologia no Brasil, ainda fragmentado na relação econômica, mas bastante homogêneo em relação ao conhecimento dos clientes sobre o assunto.

"Em termos de conhecimento, os comportamentos de classes A, B e C são muitos parecidos", afirma Renato Trindade, diretor de planejamento da área de tecnologia da TNS InterScience.

O principal indicativo do cenário é o acesso dos brasileiros à internet. Enquanto 93% dos usuários da classe A acessam a rede de casa ou do trabalho, apenas 33% da classe C - ou quase um terço dos mais ricos - entram na web em casa ou no trabalho.

A relação se mantém distante também na tecnologia usada para acesso. A banda larga é responsável por 81% dos acessos da classe A, enquanto conta com apenas metade (41%) entre os mais pobres, que vêem no acesso discado uma opção mais acessível para a internet - a taxa no grupo é de 59%, três vezes mais que os 19% registrados pelos mais ricos.

Para o executivo, a diferença abissal entre quem acessa e quem não acessa a internet é provocada pela falha nos programas de inclusão digital promovidos pelo Governo e pelas empresas do setor de hardware. "O único item que está fazendo inclusão no Brasil é a telefonia móvel", declara.

A homogeneidade de conhecimento, observado em todo o segmento tecnológico, se alia a um apetite da classe C comparável ao das classes mais abastadas quando o assunto é telefonia, com o final do abismo observado no acesso à web, segundo Trindade.

Cerca de 60% dos entrevistados da classe C pretendem comprar um celular nos próximos seis meses, número pouco abaixo do registrado entre entrevistados das classes A e B - 68% e 65%, na ordem.

A relação entre as operadoras mais visadas pelos entrevistados para uma possível mudança no plano de serviço também mantém a estabilidade entre as classes sociais, com a TIM na frente, com 35%, seguida pela Vivo, com 32%, e Claro, com 25%.

A possibilidade de abandonar a telefonia fixa por um aparelho móvel, pelo sentido contrário, mostra que uma mudança promovida em mercados mais maduros em outros países pode começar no Brasil pelas classes de baixo, segundo Trindade.

"A pesquisa mostra que empresas de telefonia não precisam ficar apavoradas com a convergência fixa-móvel, já que a classe A ainda tem um apego grande pela telefonia fixa", pondera o executivo.

Estatísticas sobre a classe C, porém, mostram uma tendência pela substituição de terminais fixo por telefones celulares, principalmente os pré-pagos.

O mesmo conhecimento exemplificado pelas diferentes classes, no entanto, não é observado em apenas um assunto pontual: a tecnologia VoIP.

Segundo o estudo, usuários que já ouviram falar sobre o termo são quatro vezes mais numerosos na classe A do que na classe C - 21% contra 4 %.

A relação de uso do VoIP entre quem conhece a tecnologia de transmissão de voz pela internet também obedece à mesma diferenciação. Cerca de 39% entre os usuários mais ricos já usaram algum sistema de VoIP, como Skype, Voitel ou Google Talk, enquanto apenas 11% dos entrevistados mais pobres afirmarem já ter experimentado a tecnologia.


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