Crise em São Paulo aumenta audiência de portais da internet em 30%, na média
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!
Publicada em 16 de maio de 2006 às 16h55
Atualizada em 16 de maio de 2006 às 19h35
São Paulo - Mesmo com queda de usuários, sites como iG, UOL e Globo.com experimentam picos de tráfego nesta segunda-feira graças aos ataques do PCC.
A busca dos usuários por informações sobre os ataques realizados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) desde a noite de sexta-feira (12/05) e seus desdobramentos aumentou também o tráfego dos principais portais brasileiros.
"Temos uma média de 300 mil unique visitores dentro do Último Segundo em dias normais durante a semana. Ontem (15/05), este número foi para 422 mil", diz Fred Ferreira, diretor de jornalismo do noticiário do portal iG, relatando um aumento de 40% no tráfego.
Márion Strecker, diretora de conteúdo do UOL, vai mais longe. "Não temos ainda números gerais fechados, mas sabemos que a manchete principal do UOL nesta segunda-feira foi quase nove vezes mais clicada do que a média do ano".
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Segundo ela, o pico no tráfego experimentado pelo UOL nesta segunda pode ser considerado maior até mesmo que eventos, como os atentados contra os Estados Unidos. "No 11 de setembro de 2001, por exemplo, houve um pico muito grande. Mas nenhum pico anterior se compara a este, pois hoje há muito mais pessoas com acesso à Internet do que nos anos anteriores", analisa.
"Certamente o pico de ontem (segunda-feira) terá sido maior", afirma a executiva.
Os números no aumento do tráfego nos portais é mais surpreendente por coincidir com a convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, lembra Ferreira."Mesmo assim, a Copa correspondeu a apenas 10% dos acessos no site".
Enquanto as notícias sobre o time do técnico Carlos Alberto Parreira alcançaram picos de 2.400 clique por minuto no iG durante duas horas, logo após a divulgação oficial, o pequeno especial preparado pelo portal sobre a crise de segurança na cidade manteve a mesma taxa durante todo o dia.
Strecker acredita que as duas notícias não neutralizam o interesse dos usuários por cada uma delas. "As notícias da convocação tiveram audiência muito alta ontem também. Achamos que pessoas em busca de certas notícias acabaram se deparando e consumindo outras notícias também".
"Graças à crise de segurança, nosso horário nobre, que acaba normalmente às 17 horas, se estendeu até às 20h, com essa elevação de 40% no acesso", estipula Ferreira.
Único dos quatro grandes portais brasileiros fora de São Paulo, o Globo.com viu seu acesso também aumentar consideravelmente com a onda de violência na capital paulistana.
Graças à crise, o site viu seu tráfego crescer 30%. Além do foco no Rio de Janeiro, a cifra é ainda mais representativa pela aposta do Globo.com em conteúdo de banda larga sobre a Copa do Mundo.
A convocação de Parreira ocupou a manchete principal do site até o começo da tarde desta segunda-feira, mesmo dia em que o portal anunciou que transmitiria ao vivo as 64 partidas da Copa pela internet.
O portal Terra registrou também aumento de 30% em comparação ao seu tráfego normal, alcançado 120 milhões de page views a partir da tarde até o final da noite do dia de ontem.
Mesmo páginas de notícias de menor alcance, viram seu tráfego aumentar pela busca de notícias sobre a crise. A Inter.net, por exemplo, viu suas 2 milhões de páginas reproduzidas diariamente crescerem durante toda a segunda-feira cerca de 20%, na média dos grandes portais.
O aumento médio de 30% no acesso aos principais portais brasileiros é coerente com o crescimento no tráfego da internet paulistana, de acordo com o membro do Comitê Gestor da Internet, Demi Getschko.
"Ao verificar os pontos de tráfego, percebe-se um aumento de 10% na troca de informações dentro da cidade de São Paulo. É possível considerá-la uma amostra", define.
O aumento no acesso a sites de notícia, segundo Getschko, foi responsável pela elevação do fluxo de acesso, mesmo com a provável queda em outros tipos de serviços online, como redes de compartilhamento ou páginas com conteúdo multimídia.
Getschko afirma que, mesmo que fosse natural esperar uma diminuição no tráfego, com a queda no número de horas passadas pelos usuários frente ao PC, a curiosidade por outras informações por quem ainda tinha acesso à internet puxou tanto a queda no número de usuários como no uso de outros serviços.
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