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01 de julho de 2009
internet
Comércio Eletrônico

AJAX leva aplicações para muito além do desktop

Por Daniela Moreira, do IDG Now!

Publicada em 19 de outubro de 2005 às 07h00

Uma nova tecnologia emergente pode acabar com a supremacia do desktop, levando as aplicações para a internet.

Uma nova tecnologia emergente pode acabar com a supremacia do desktop, levando as aplicações, até agora "amarradas ao computador", para a internet.

Leia também:

  • Tecnologia desafia supremacia da Microsoft
  • Aplicações: Ajax em ação
  • AJAX é o nome do protagonista dessa transformação. O acrônimo (que faz referência às linguagens JavaScript e XML) simboliza um conjunto de mecanismos que, quando aplicados, permitem uma experiência mais rica de navegação na web.

    Quando utilizadas no desenvolvimento de um site, essas técnicas permitem que o usuário possa acessar funções e realizar operações na página sem que ela seja recarregada cada vez que ele aciona um recurso.

    A manipulação dessas técnicas não é exatamente nova. Muitos desenvolvedores já vêm utilizando esses recursos há alguns anos. Mas o nome para o conjunto de processos juntamente com a padronização do seu uso nasceram de um artigo publicado por Jesse James Garrett, fundador de uma empresa chamada Adaptive Path. (leia o artigo)

    Mas se as atenções da comunidade tecnológica se voltam a essa plataforma no momento, não é apenas pelo surgimento de um nome de batismo para ela (o que, de fato, contribui para uma maior divulgação e para um alinhamento nas discussões sobre o assunto), mas principalmente pela percepção do enorme potencial que ela oferece.

    "Clica, espera..."
    Além de tornar a navegabilidade dos sites mais atrativa e rápida, essa plataforma permite levar softwares que antes ficavam restritos ao desktop para a web.

    Com recursos que evitam que o usuário tenha que esperar que a página seja recarregada a cada processo executado, a interação com as aplicações na internet torna-se muito menos incômoda e, com evolução do modelo, as formas de explorar esses recursos podem ser infinitamente variadas.

    O usuário, acostumado a obter a resposta do software baseado em desktop com apenas um clique, poderá obter o mesmo tipo de resposta da aplicação online, livrando-se do desagradável "clica, espera, carrega, clica de novo, espera, carrega" que caracterizava as aplicações web da geração anterior.

    "As pessoas passaram a exigir mais da experiência na internet. Mudou o padrão de avaliação. A busca por uma interação mais rica e mais ágil vai forçar os desenvolvedores a adotarem essa arquitetura", acredita Ricardo Urresti, engenheiro de sistemas da BEA Systems. 

    Os prós

    A migração das aplicações para a web traz uma série de benefícios, entre eles um que tem especial apelo: a redução de custos.

    No ambiente empresarial, adotar um software baseado na internet significa eliminar tempo perdido e gastos com a instalação do sistema em cada estação de trabalho.

    Além de simplificar o acesso, o modelo facilita as atualizações, já que qualquer mudança - seja para corrigir ou melhorar o sistema - é feita de uma única vez no servidor, sem comprometer a produtividade dos usuários. Essa transição também transforma o modo como as pessoas pagam pelo acesso ao software.

    Ao invés de adquirir os sistemas, o usuário - tanto o corporativo quanto o doméstico - poderá apenas pagar pelo seu uso, durante o tempo em que ele for necessário. "No lugar de altos investimentos em licenças, temos planos de uso sob demanda, mais adequados ao orçamento e à variação das necessidades do cliente", prevê Luis Derechin, presidente da JackBe.

    O uso de aplicações baseadas em web também pode ter um impacto nos custos com hardware, uma vez que, em geral, elas não exigem os mesmos recursos que as aplicações para desktop.

    "O usuário pode obter um desempenho muito melhor do seu equipamento usando para isso apenas o navegador", avalia Derechin.

    Segundo o executivo, este tipo de aplicação é especialmente útil para aplicações com grandes volumes de transações - como CRM (Customer Relationship Management), por exemplo -, dispersas geograficamente (pois facilita uma administração centralizada e remota) e com uma base diversa de usuários, uma vez que permite o acesso a partir de qualquer sistema operacional, via browser.

    Essas características tornam instituições financeiras, operações de comércio eletrônico e o governo potenciais pioneiros na adoção do modelo.

    Os contras
    Que a migração das aplicações do desktop para a web é um caminho sem volta, parece ser um consenso. Mas o ritmo desta transição pode não seu tão acelerado quanto gostariam os entusiastas do modelo.

    Se nos Estados Unidos as aplicações baseadas em AJAX multiplicam-se, no Brasil a comunidade tecnológica apenas começa a explorar as potencialidades da arquitetura.

    Isso significa que as ferramentas disponíveis para facilitar a aplicação desses recursos ainda são pouco numerosas, embora o interesse na arquitetura cresça dia após dia: "somos bombardeados diariamente por perguntas de desenvolvedores que querem saber mais sobre AJAX", conta Urresti.

    Além disso, o acesso a aplicações na internet é ilimitado do ponto de vista de plataformas, mas enfrenta uma restrição muito mais prática: a conexão.

    Para utilizar softwares baseados na web, o usuário precisa estar conectado à internet. Embora essa questão possa parecer de pouca relevância, é preciso lembrar-se que, no Brasil, apenas 32 milhões - dos 184 milhões de habitantes - de pessoas têm acesso à rede mundial de computadores.

    "Para um usuário que está na Amazônia, por exemplo, o acesso à internet pode não ser uma questão tão elementar", argumenta Derechin.


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