Filme sugere a extinção da mídia pelo Google
Por IDG Now!
Publicada em 07 de outubro de 2005 às 19h20
Em 'EPIC 2015', o Google de hoje é transformado em um império de informações que ameaça acabar com a mídia - tudo daqui apenas dez anos.
O que será que o Google está planejando para amanhã, semana que vem ou daqui dez anos? Ao passo que a companhia se posiciona gradativamente como um provedor de conteúdo totalmente online, questões sobre qual será a sua estratégia a médio e longo prazos começam a surgir, dando origem a algumas previsões absurdas, alarmistas ou mesmo dramáticas. Uma delas, entretanto, parece ser um tanto mais intrigante.
Em "EPIC 2015", um filme de oito minutos criado pelos jornalistas norte-americanos Matt Thompson, do Star Tribune de Minneapolis, e Robin Sloan, da emissora de TV por satélite Current, o Google de hoje é transformado em um império de informações tão influente que ameaça acabar com a mídia, fazendo-a perder o sentido da própria existência por não exercer mais justamente o papel de informar - tudo isso daqui apenas dez anos.
Imagine o cenário: No dia 4 de agosto de 2011, o jornal The New York Times perde uma ação contra o Google na Suprema Corte dos Estados Unidos, na qual tenta impedir que o mecanismo de busca utilize robôs para reescrever notícias e reportagens de acordo com os gostos do leitor, alegando infração das leis de direito autoral.
A decisão marca uma vitória histórica para o Google, que três anos antes havia se fundido com a Amazon.com. Combinando a tecnologia de buscas do Google e o mecanismo de recomendação social da Amazon, as duas companhias criam o Googlezon, um serviço bombástico que permite a personalização total e automática de conteúdos, notícias e propagandas para os seus usuários.
Em uma demonstração de protesto, o The New York Times deixa de publicar notícias online, virando uma espécie de newsletter impressa destinada aos mais velhos e à elite financeira e intelectual, de acordo com o filme.
GoogleGrid
Thompson e Sloan mostram, então, o Google expandindo os seus negócios para depois combinar os recursos do Blogger, do GMail e do Google News - mais o sistema de recomendação da Amazon - para criar o Google Grid, uma plataforma universal que serve para os usuários armazenarem e compartilharem informações.
A companhia refina o seu algoritmo de busca e começa a construir notícias dinamicamente, coletando sentenças e fatos de diversas fontes para depois recombiná-las de acordo com os interesses do usuário.
Em 2014, o Google cria o EPIC - Evolving Personalized Information Construct, um sistema próprio de categorização que filtra e divulga as notícias. Usuários de todo o mundo podem contribuir com novas notícias e dados, sendo recompensados com uma pequena fatia da receita de publicidade do Google, dependendo da popularidade da contribuição.
As informações são entregues ao internauta do futuro de acordo com os hábitos de consumo, dados demográficos, seus interesses e até os de seus amigos mais próximos.
Mistério
Em entrevista ao IDG, Thompson revela que a idéia do filme surgiu de uma troca de idéias sobre como algoritmos avançados de busca poderiam modificar a maneira como a informação é organizada, junto com a possibilidade cada vez maior de misturar todos esses fatos.
Ambos escolheram o Google como protagonista do filme por causa da "aura de mistério à sua volta", que outras poucas companhias possuem, disse ele.
Desde que o filme foi publicado na web, ao final do ano de 2004, diversos blogs e veículos impressos publicaram artigos e matérias sobre o assunto. O norte-americano Financial Times chegou a afirmar que até Rupert Murdoch - diretor da News Corporation, uma das maiores e mais influentes empresas de mídia - chegou a ver o vídeo.
"Mas o New York Times não escreveu nada sobre o assunto", disse Thompson. "E o Google ficou curiosamente mudo".
"Não acredito que eu tenha conversado com um único empregado do Google desde então", afirma ele. "Mas tenho certeza que eles chegaram a assistir".
Mesmo confessando que "EPIC 2014" seja uma coleção de adivinhações - a maioria delas não verdadeiras - ligadas de maneira sensacionalista, Thompson diz que essa era a intenção inicial do filme.
"É o que escolhemos, e o seu sucesso comercial garantiu muita discussão sobre mídia e democracia, ou ética jornalística", diz.
Tendências
Apesar de que os detalhes de EPIC serem muitas vezes exagerados e não passarem de especulação, é possível observar diversas tendências sobre a mídia se fundindo com empresas de tecnologia.
No mês passado, o Google anunciou melhorias no seu serviço de vídeo, que permite aos internautas enviarem seus próprios filmes e visualizá-los no navegador sem ajuda de um software adicional.
Já o Yahoo! divulgou o apoio à Open Content Alliance, uma iniciativa que pretende a criar um arquivo online gigante para coleções digitais de livros e filmes de domínio público. Projeto similar tem o Google, com o Google Print, que busca criar uma biblioteca virtual de livros digitalizados.
O eBay, por sua vez, recentemente comprou o software de Voz sobre IP (VoIP) Skype, deixando-a a um passo de criar serviços de convergência.
"EPIC 2015 é algo que podemos olhar novamente no futuro e saber que capturamos o que se passava nessa época", disse Thompson.
Se você está curioso, as duas versões de EPIC - a 2015 e a 2014 - podem ser acessadas por aqui e aqui, respectivamente (é necessário ter Flash instalado).
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