
- Yêmen digital
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- A difícil passagem pela Índia
- Vivendo o presente
- O karma da exclusão
Yêmen digital
Sanaa, Yêmen, Península Arábica, Ásia
7 de março de 2008
Alguns países carregam uma fama que não motiva o turista a visitá-los. Ninguém quer ir para um lugar onde as mulheres não têm cara, onde os homens levam uma faca e uma metralhadora à tira-colo, onde a Al Qaeda mata de tempos em tempos alguns turistas inocentes. Bem, quase ninguém.
Respirei fundo, encarei as últimas montanhas de Oman, o deserto do Yêmen e pronto estava dentro de uma das mais incríveis culturas que já havia conhecido. Com um pouco de coragem pude ver o país com meus próprios olhos e ver o que é mentira e o que verdade sobre o que escuta fora deste país árabe.
As mulheres não têm cara mesmo e também não têm voz. Quando cobrem todo o corpo com a abaya negra, não deixando nem espaço para os olhos é difícil saber se estão de frente ou de costas.
A Al Qaeda esta no país, mas não estão por toda parte e para encontrá-los deve-se procurar bem. As facas e metralhadoras sim estão por toda parte, mas não para sair matando quem aparecer pela frente, mas sim como um símbolo de masculidade e respeito, pois homem que é homem aqui tem que ter uma arma, não para conquistar uma mulher – porque aqui mulher se compra e não se conquista –, mas para se impor numa roda de amigos.
O que eu não esperava era encontrar esta peculiar cultura já plugada no mundo digital e falando ao celular no meio do deserto.
O celular já ocupa a cintura dos yemintas, divindo seu espaço com a jambia, uma faca que já não corta, mas apenas enfeita. Os clicks dos gatilhos das metralhadoras já foram trocados pelos sons dos teclados de um computador. E GPSs, câmeras fotográficas minúsculas e filmadoras já parecem ser muito mais sedutoras do que qualquer bomba.
É justamente esta mistura única que faz do Yêmen um país único, onde ainda há mais metralhadoras do que computadores e mais celulares do que facas.
Arthur Simões Cardoso, 26 anos, é formado em Direito, professor de yoga, ciclista e esportista convicto. Ele executa o Pedal na Estrada viajando por mais de 30 países sobre uma bicicleta, com o patrocínio da Bristol-Myers Squibb e o apoio de Dennova, Base64 e Fuji Bikes.



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