
MacMan
Marcelo Nóbrega é jornalista de tecnologia e editor do site www.futuro.vc.
Publicada em 29 de junho de 2007 às 11h08
Atualizada em 06 de agosto de 2007 às 17h21
Na fila do iPhone
Mesmo não sendo perfeito, o iPhone mudará o mercado de eletrônicos do mundo. Por Marcelo Nóbrega
Hoje marca o fim de seis meses de espera. Para quem gosta de tecnologia, o 29 de junho entra para a história como o dia em que a indústria da telefonia móvel mudou para clientes, fabricantes e operadoras. O iPhone traz uma nova empresa para o mercado e quebra o paradigma da relação entre operadoras e empresas, mostrando um conceito novo para um computador de bolso.
A Apple jogou todas as características de celulares, PDAs, smartphones e computadores para o alto e depois as remontou. O resultado é o iPhone, que mesmo não sendo perfeito mudará o maior mercado de eletrônicos, que só este ano venderá 1 bilhão de unidades.
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A "internet bebê" acessada pelos celulares atuais, como foi apelidada por Steve Jobs, não amadurece o suficiente. O iPhone não tem suporte a Flash, onipresente na web e que fará falta no celular da Apple. O aparelho também não faz vídeos, nem tem zoom digital - funções universais em qualquer telefone móvel com câmera. Não permite a instalação de softwares de terceiros, liberando apenas o uso de serviços web, interessantes, mas limitados. E, por fim, usa a rede de dados capenga Edge, boa para e-mail mas sofrível no acesso à web. Resta torcer por uma rede Wi-Fi perto - algo bem provável nas grandes cidades americanas.
As primeiras análises do iPhone mostraram todos esses problemas, mas destacaram a sensacional interface sensível ao toque que envergonha tudo o que já foi feito para celulares. Esqueça os travamentos do Symbian, Windows Mobile ou Chamaleon. O OS X no iPhone roda com fluidez como num bom computador e o Safari, mesmo sem Flash, mostra sites como nunca se viu num celular.
A experiência de uso é fundamental em qualquer produto da Apple. O iPhone é a ponta-de-lança de uma nova era na empresa. O iPhone, por exemplo, tem melhor autonomia de bateria para reprodução de músicas e filmes que qualquer um dos iPods da empresa, com uma interface gráfica que, em tese, consumiria mais energia que a dos tocadores. Na videoconferência que Jobs fez com os funcionários da Apple, na véspera do lançamento do iPhone, o presidente da empresa declarou que o OS X chegará em breve aos iPods. É a primeira prova do MP3 player com tela widescreen. Junte a isso os rumores de Macs com tela sensível ao toque e está claro que a interface multitouch do iPhone contaminará toda a safra das maçãs.
Mas o iPhone também revoluciona a relação fabricante-operadora. Pela primeira vez, um celular não é ativado na loja onde é comprado, mas no computador do cliente, a partir do software iTunes. O que pode parecer um belo conforto para o usuário é, na verdade, parte de um acordo inédito entre a Apple e a AT&T, operadora americana que detém a excusividade do iPhone por alguns anos. Rumores indicam que a Apple ganhará uma fração da mensalidade paga pelo cliente à operadora, o que também não tem precedente. A ativação pelo iTunes, que exige uma conta na loja virtual e o uso de um número de segurança social - como um RG para os americanos - é também mais uma forma de travar o celular à AT&T. Até agora, o fabricante saía de cena no minuto em que o aparelho era vendido ao cliente.
Com essas medidas, o iPhone não pode ser usado apenas como iPod. Se você está de passagem pelos EUA e pensou em comprar um iPhone para impressionar seus amigos no Brasil, tocando música e filmes por ele, pense duas vezes. O aparelho só funcionará depois de ativado pelo iTunes. Sem isso, será o peso de papel mais caro, e bonito, que você já comprou.
É claro que tudo pode mudar nas próximas semanas. Empresas na Índia e China já oferecem o iPhone desbloqueado com um pequeno ágio e acredito que vários hackers estão entre os fãs que esperam na fila desde o começo da semana para comprar o celular antes do resto dos EUA. Melhor que ser o primeiro a ter um iPhone, o hacker quer ser o primeiro a destravá-lo, ganhando fama mundial. E essa é apenas a primeira versão do iPhone. Espere muitas outras para o futuro, com suporte à terceira geração, por exemplo. Mesmo o iPhone que chega hoje às lojas mudará ao longo do tempo. O iTunes permite fazer o update do aparelho pelo computador, como acontece com o iPod.
No Brasil, a chegada oficial do iPhone levará muito tempo. Primeiro o celular tem que aportar nos mercados rentáveis da Europa e da Ásia, o que deve acontecer até o início de 2008. Depois podemos pensar na América do Sul, mas algo me diz que a Apple vai priorizar os países onde a iTunes Store já opera - o que não é o nosso caso.
Resta apostar na coragem da Oi. A operadora faz barulho com sua proposta de desbloquear os celulares que vende e até de outras operadoras. Que tal fazer o mesmo com os iPhones que chegarem ao Brasil via Estados Unidos? Só não alimente muitas esperanças, porque a empresa só deve aceitar aparelhos que foram homologados pela Anatel - o que não é o caso do iPhone.
Marcelo Nóbrega é jornalista especializado em tecnologia e editor do site Futuro.vc . E-mail: marcelonobrega@futuro.vc
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